Capítulo Cinquenta e Três: Novamente com Agulhas de Prata
— Como está o seu carro agora? — perguntou de repente Wu Xiaorui.
— Ora, você ainda tem coragem de tocar nesse assunto? Hoje eu vou fazer você pagar caro — disse o jovem, já se preparando para agir.
— Mas depois não diga que não avisei. Tem tanta gente aqui, se não tem medo de passar vergonha, não posso fazer nada — respondeu Wu Xiaorui enquanto girava o pulso.
O jovem olhou ao redor e imediatamente perdeu a coragem.
— Xiaoqing, acho melhor irmos para outro restaurante. Comer com esse inútil vai estragar nosso apetite — disse ele apressado a Xu Xiaoqing.
— Eu acho este lugar ótimo. E, afinal, que relação temos nós dois? Estou jantando com meu namorado, não é da sua conta — respondeu Xu Xiaoqing, irritada.
Ela já não gostava dele e agora, vendo-o insultar Wu Xiaorui na sua frente, ficou ainda mais decepcionada.
— O quê? Esse aí é seu namorado? Só de ver o que você pediu, aposto que ele nunca viu nada parecido. Será que consegue pagar? — zombou o jovem, surpreso e logo cheio de si.
— Escuta aqui, garoto, vai deixar uma bela mulher pagar sua refeição? — disse de propósito em alto e bom som, inclinando-se para perto de Wu Xiaorui.
Agora, tanto os outros clientes quanto os garçons olhavam fixamente para Wu Xiaorui.
— Ah, então é só isso? Pagar? Garçom, traga mais uma rodada igual a esta e faça um embrulho para este senhor levar. Vejo que ele não quer ir embora hoje, talvez queira provar o sabor daqui — disse Wu Xiaorui, tomando um gole de vinho calmamente.
— Você... você, miserável, eu... — o jovem, ao encarar os olhos de Wu Xiaorui, perdeu a coragem, calou-se e saiu rapidamente.
— Vocês se conhecem? — perguntou Xu Xiaoqing, ao ver seu pretendente ir embora.
— Conhecer não conheço, mas já tive uns desentendimentos com ele. Enfim, não é boa pessoa. Só porque a família tem um pouco de dinheiro, vive paquerando mulheres por aí.
— Preciso falar disso com a minha mãe. Da próxima vez que ela quiser me apresentar alguém, tem que saber quem é primeiro — resmungou Xu Xiaoqing, emburrada.
Enquanto comia, Wu Xiaorui não dava a mínima para o uso de talheres. Os outros se preocupavam com a própria imagem, mas ele só queria encher a barriga.
Quando estava prestes a elogiar a comida, percebeu que muita gente o encarava com desprezo, como se tivesse quebrado o ambiente elegante do restaurante.
Wu Xiaorui parou imediatamente e limpou a boca com um guardanapo.
— Garçom!
Xu Xiaoqing olhou para ele, surpresa com o apetite de Wu Xiaorui, pois não imaginava que ele comeria tanto.
— Em que posso ajudar, senhor? Vai querer levar para viagem? Hoje não temos descontos — disse o garçom, já de cara feia.
— Ei, você...
— Chame seu gerente! — Wu Xiaorui fez sinal para Xu Xiaoqing não se preocupar.
Ele estava satisfeito ali e não se importava com o olhar dos outros, mas aquela atitude do garçom não podia passar em branco.
— Em que posso ajudar, senhor? — logo chegou o gerente do salão.
— Hoje, tudo o que foi consumido aqui fica na minha conta. E, aliás, vocês deveriam trocar de garçom — disse Wu Xiaorui ao gerente, que nada sabia do ocorrido.
— Resolva isso logo e depois desconte uns milhares de gorjeta dele — completou, tirando um cartão bancário do bolso.
Xu Xiaoqing não esperava que ele tivesse tanto dinheiro. Vendo sua tranquilidade, sem nem pestanejar ao gastar, começou a se perguntar se ele não seria mais um dos novos-ricos, como o rapaz de antes.
— Não tem senha — acrescentou Wu Xiaorui ao ver o gerente parado com o cartão nas mãos.
O gerente correu para resolver tudo, afinal, era raro receber gorjeta, e não podia desperdiçar essa chance.
Daí em diante, enquanto Wu Xiaorui comia, todos o olhavam com admiração. Sempre que precisava de algo, os garçons se apressavam em servi-lo antes mesmo de pedir. Ele apenas esboçava um sorriso sarcástico diante de tudo isso.
Após comer e beber à vontade, soltou alguns arrotos e se levantou para ir embora.
Quando estavam quase saindo, o gerente correu para devolver o cartão. Wu Xiaorui nem olhou para ele, apenas guardou o cartão no bolso, sem se importar com quanto gastara.
Foi por Xu Xiaoqing que Wu Xiaorui ficou sabendo que o jovem se chamava Wang Qi. Seu pai trabalhava com joias na cidade e, como esse ramo ia bem nos últimos anos, o negócio só crescia, tornando Wang Qi um típico filho de família rica.
Assim, Wu Xiaorui entendeu por que Wang Qi era tão arrogante. Mas, pouco lhe importava a fortuna da família. Quem mexesse com ele, teria que aprender a lição.
— Ora, até que enfim você saiu! Fez o velho aqui esperar, hein! — gritou Wang Qi assim que Wu Xiaorui e Xu Xiaoqing se aproximaram do caminho de volta.
Mal pararam e Wang Qi já fez sinal. De repente, oito ou nove homens surgiram, cercando os dois junto com os comparsas que estavam por perto.
— O que você quer? Vou chamar a polícia! — ameaçou Xu Xiaoqing, tirando o celular.
— Xiaoqing, isso não tem nada a ver com você. Daqui a pouco eu te levo para casa. Preciso acertar as contas com esse sujeito — respondeu Wang Qi, tirando de novo o taco de beisebol.
— Pode ir, fique tranquila, não vai acontecer nada. Daqui a pouco eu te alcanço — tranquilizou Wu Xiaorui.
— Acabem com ele! Quero ver esse cara rastejando para casa hoje — ao ver Xu Xiaoqing se afastar, Wang Qi ordenou que todos avançassem.
Mesmo em desvantagem numérica, Wu Xiaorui tinha seus próprios métodos. Rapidamente, sacou agulhas de prata da cintura e, usando sua energia interna, acertou os pontos certos nas coxas dos adversários.
Wang Qi, convencido de sua vitória, observava satisfeito, certo de que Wu Xiaorui não daria conta de tantos de uma vez.
Porém, de repente, todos os que o atacavam caíram de joelhos no chão.
— Maldição, ele está usando armas ocultas! — reclamavam, tentando arrancar as agulhas das pernas, mas sem conseguir se levantar.
— Vocês aí, avancem logo! — Wang Qi gritou para seus outros comparsas.
Assustados ao verem as armas escondidas nas mãos de Wu Xiaorui e os colegas ajoelhados, ninguém mais ousou se mexer.