Capítulo Vinte e Dois: Uma cópia para cada um

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2281 palavras 2026-03-04 20:10:23

— Ei, garoto, ouviu bem? Acho melhor você se ajoelhar e me pedir desculpas agora, e aí eu deixo pra lá o fato de você ter me desrespeitado — disse o jovem cada vez mais arrogante.

— Pedir desculpas para alguém sem educação? Acho que ninguém seria capaz de fazer isso — respondeu Wu Xiaorui, mantendo um sorriso cortês no rosto.

O que deveria ser uma viagem agradável acabou se tornando um incômodo logo no início, ao ser atacado gratuitamente por um sujeito desagradável. Ele não aceitaria aquilo tão facilmente; faria questão de humilhá-lo devidamente.

Wu Xiaorui então concentrou-se em analisar o jovem à sua frente. Logo percebeu que não se tratava de alguém comum; apesar da pouca idade, carregava várias medicações para problemas de virilidade em sua própria mala. Mais surpreendente ainda era o fato de seu sangue ainda conter resquícios não metabolizados de sildenafil. E em sua bagagem havia uma quantidade considerável do mesmo medicamento.

Sildenafil é o nome médico; nas farmácias, é popularmente conhecido como Viagra. Seu efeito é potente e imediato, mas raramente jovens o utilizam — normalmente, quem recorre a ele são senhores de idade.

— Moça, esse rapaz até pode ter dinheiro, mas deveria se preocupar mais com a sua “felicidade” conjugal. Se ele precisa tomar tanto Viagra toda vez, e se não pode ficar sem mulher por perto, não tem medo de que um dia ele acabe sofrendo uma overdose e caia duro ao seu lado? — Wu Xiaorui, sem piedade, expôs a fraqueza do rapaz.

— Você... — o rosto do jovem imediatamente ficou lívido de raiva, a ponto de querer matar Wu Xiaorui. Mas temia que mais segredos seus fossem revelados.

— Amor... — a garota tentou se aproximar, mas foi recebida com um tapa do namorado.

— Eu realmente não esperava isso, você traindo-me com esse inútil, contando meus assuntos para os outros! — esbravejou o rapaz.

Wu Xiaorui sorriu de canto. Não o culpava; afinal, estavam apenas colhendo o que plantaram, vítimas da própria arrogância.

Mesmo assim, a garota não pareceu guardar rancor, nem mesmo após ser agredida fisicamente. Continuava tentando se justificar, jurando fidelidade e dizendo-se inocente.

Por outro lado, quem poderia culpá-la? Afinal, ele era um “filhinho de papai”. Como diz o ditado: é melhor chorar dentro de uma BMW do que sorrir numa bicicleta. Se fosse uma mulher, talvez também preferisse seguir um jovem rico. Wu Xiaorui não pôde deixar de rir de si mesmo ao pensar nisso, sentindo-se ainda mais satisfeito ao observar o casal.

— Comissária, traga uma garrafa de vinho tinto pra mim — ordenou o jovem à aeromoça.

Naquele momento, uma comissária se aproximava, empurrando um carrinho de café da manhã. O jovem logo pediu que ela lhe entregasse a refeição, dizendo que pagaria o quanto fosse necessário.

— Sinto muito, senhor. Este café da manhã foi preparado especialmente para o senhor Wu, a pedido do nosso comandante. Não está à venda, independentemente do valor. Temos muitos outros itens, se desejar escolher — respondeu a comissária, polidamente.

— O quê? Chame o comandante aqui! Quero ver que tipo de figurão ele é, já que nem com dinheiro consigo comprar — o jovem estava furioso. Em poucos minutos, havia sido humilhado duas vezes diante de todos por alguém que considerava um inútil.

Se aquilo tivesse acontecido na classe econômica ou executiva, talvez não fosse tão vergonhoso. Mas ali, na primeira classe, todos eram figuras influentes do seu ramo de atuação. Assim que desembarcassem, toda a cidade de Qingyuan saberia do ocorrido.

— Senhor, em que posso ajudá-lo? — o comandante apareceu, como solicitado.

— Ora, quero saber se, com todo esse dinheiro, você prepara um café da manhã pra mim! — disparou o jovem, jogando vários maços de dinheiro sobre o comandante.

Definitivamente, era um típico filho de rico: diante de qualquer contrariedade, tentava resolver tudo com dinheiro. Wu Xiaorui, agora, apenas assistia como espectador.

— Desculpe, senhor, mas mesmo que ofereça mais dinheiro, não será possível — respondeu o comandante, mantendo o sorriso. Se não fosse pela obrigação profissional, talvez tivesse dado uma lição no rapaz.

— Ora, não façam disso um problema. Vamos manter a paz, não vale a pena brigar por tão pouco. Além do mais, comandante, se há dinheiro, por que não aceitar? Já que o jovem herdeiro da farmacêutica quer comer, vou considerar isso como um pedido de desculpas pelo ocorrido antes. Vendo-lhe o café da manhã! — disse Wu Xiaorui, sorrindo, embora sentisse pena do dinheiro espalhado no chão.

— O que foi, ficou com pena? Então, deixa pra lá, eu mesmo vou comer primeiro e depois conto a você como estava o sabor — provocou Wu Xiaorui, percebendo que o jovem queria competir, mas fazendo pouco caso dele.

— Você acha que existe algo que eu não possa comprar? O café da manhã fica, pega esse dinheiro e desapareça daqui! Só de olhar pra você, já perco o apetite. Se não for suficiente, me avise, tenho muito mais — respondeu o rapaz, convencido de que tinha vencido.

— Já é mais do que suficiente, dá até pra pagar café pra todos aqui ao redor — retrucou Wu Xiaorui, sorrindo.

— Comandante, aceite isso como um favor. Use o dinheiro para preparar uma refeição idêntica para todos os presentes. Afinal, estamos todos com fome e o voo é longo — disse, entregando novamente o dinheiro ao comandante.

— Você se acha mesmo importante, hein? Eu, com mais dinheiro que você, não consegui uma segunda refeição, mas você, um inútil, com esse troquinho, quer que prepare para todos? Você está brincando, só pode! — disse o jovem, rindo alto, acompanhado da namorada.

— Perfeito, senhor Wu, farei o que pediu — respondeu prontamente o comandante, recusando o dinheiro e indo providenciar as refeições.

O jovem quase explodiu de raiva, seu rosto alternava entre pálido e vermelho, mudando mais rápido que um ator de ópera de Sichuan. Trêmulo, nem conseguia falar.

Infelizmente, o avião já tinha decolado; caso contrário, teria descido imediatamente.

Como o comandante havia prometido, em pouco tempo várias comissárias surgiram com charmosas bandejas de café da manhã, servindo a todos.

Wu Xiaorui provou e percebeu que aquele café era realmente especial, talvez o melhor que já experimentara.

Logo, todos começaram a elogiar a refeição, enquanto o comandante ouvia, satisfeito, os comentários sobre seu talento.

Porém, nas classes econômicas, um burburinho começava a surgir.