Capítulo Cento e Onze: Ajudando os Outros
— Vocês, vocês esperem... vocês...
Antes que o dono da loja terminasse de falar, Wu Xiaorui e Wan San já haviam partido. Eles não tinham tempo nem disposição para lidar com aquela pessoa descarada. Melhor sair logo, o que não se vê não incomoda, e não faz sentido ficar ali ouvindo o homem tagarelar.
— Irmãozinho, aqui estão duzentos mil para você! — disse Wan San, levando Wu Xiaorui a um lugar mais reservado e entregando-lhe sua carteira, visivelmente satisfeito.
Wu Xiaorui o ajudara a conseguir uma grande quantia de dinheiro e ainda o defendeu com firmeza, então Wan San estava feliz e tranquilo.
— Wan, irmão mais velho, eu não quero dinheiro — Wu Xiaorui sorriu levemente e balançou a cabeça. Para ele, embora o dinheiro fosse importante, naquela ocasião ajudara apenas para dar uma lição naquele sujeito. Não esperava nada em troca.
— O quê? Você não quer dinheiro? — Wan San sentiu um calafrio, então olhou para o lingzhi azul que segurava na mão. Seu rosto mudou de expressão, incomodado, mas hesitou por um momento e, enfim, estendeu o lingzhi para Wu Xiaorui.
— Wan, o que você quer dizer com isso? — Wu Xiaorui ficou intrigado. Seria que Wan San, vendo que ele recusava o dinheiro, sentiu-se desconfortável e quis presenteá-lo com aquela valiosa erva?
— Já que você não quer dinheiro, certamente quer o lingzhi. Eu não gosto de dever nada a ninguém, então fique com ele. Só peço que, quando vendê-lo, me pague o custo de cem mil — explicou Wan San, tentando colocar o lingzhi na mão de Wu Xiaorui, que, surpreendentemente, recusou.
— Wan, irmão mais velho, não é isso. Eu não quero dinheiro, nem o lingzhi — disse Wu Xiaorui com uma voz indiferente, desconfortável por ser visto apenas como alguém interessado em lucro. Seu tom demonstrava certo desdém por Wan San.
— Ah, você não quer nada disso, então o que quer? — Wan San ficou surpreso. Nunca tinha visto alguém recusar tanto dinheiro e uma preciosidade como aquele lingzhi, ainda assim manter a calma e rejeitar a oferta.
— Bom, então vamos fazer assim: você me convida para jantar, e está resolvido! — disse Wu Xiaorui, resignado.
— Combinado, vamos! — Wan San tentou puxá-lo para um lugar melhor para comer, mas Wu Xiaorui não se mexeu.
— Wan, irmão mais velho, podemos combinar outro dia. Hoje tenho assuntos para resolver aqui, preciso ir. Além disso, você precisa sair rápido por ali, o dono da loja está vindo nos causar problemas — alertou Wu Xiaorui, ativando seu olhar penetrante para vigiar o dono da loja, que, ao invés de ir ao hospital, ligara para chamar reforços, planejando se vingar e recuperar o lingzhi azul.
— Ah, eles estão vindo se vingar? — Wan San ficou assustado e, sem perguntar como Wu Xiaorui sabia disso, correu na direção indicada e logo desapareceu na multidão.
Wu Xiaorui, por sua vez, não pretendia fugir. O que tinha que acontecer, aconteceria. Já que o inimigo o descobrira, melhor enfrentar de vez, dar uma lição para que não o incomodassem mais.
— Irmão Lobo, foi esse garoto que quebrou nosso negócio, não pagou nada e ainda me agrediu. E esse lingzhi azul, é uma coisa que vale milhões! — o dono da loja reclamava, distorcendo os fatos para fazer parecer que Wu Xiaorui era o culpado de tudo, enquanto ele se pintava como vítima.
— Que pessoa sem vergonha! — Wu Xiaorui quis explicar, mas sabia que discutir não resolveria nada. Se a razão não adiantava, usaria a força. E se a força não bastasse, usaria ainda mais força, até que eles se rendessem.
— Maldito pirralho, hoje eu vou acabar com você! — gritou Irmão Lobo, furioso, agitando os braços. Dez ou mais capangas avançaram contra Wu Xiaorui, rápidos e com certo treinamento.
Wu Xiaorui lançou um olhar rápido para eles. Eram fortes e pareciam ter alguma habilidade marcial, mas para ele, comparados aos adversários que enfrentara antes, eram apenas homens fortes, nada especial.
— Garoto, está assustado? Vou te dar uma chance: ou paga três milhões, ou me entrega o lingzhi. Caso contrário, não sai daqui hoje — ameaçou o líder, confiando na vantagem numérica para fazer Wu Xiaorui recuar, poupando a si mesmo e seus capangas de lutar.
— Dinheiro não dou, lingzhi não entrego. Quero dar uma lição em vocês, arrogantes — respondeu Wu Xiaorui com firmeza.
— Ataquem, acabem com ele! — Irmão Lobo rugiu. Os capangas avançaram, mas em poucos segundos perderam toda a capacidade de lutar, caindo no chão, gemendo de dor.
Ninguém viu exatamente como Wu Xiaorui agiu, só sabiam que sua velocidade era impressionante e em pouco tempo eliminara os dez ou mais homens.
Irmao Lobo, ao presenciar aquilo, ficou assustado e receoso. Aquele garoto havia derrotado facilmente seus capangas treinados. Não era para menos que se sentisse chocado e amedrontado.
— Que tipo de feitiçaria você usou? — perguntou, entre medo e raiva.
— O homem que você chamou está te enganando e te explorando. Eu já fui gentil, mas você deveria perguntar a ele o que realmente está acontecendo, porque essa confusão não tem nada a ver comigo — disse Wu Xiaorui, lançando um olhar frio para o dono da loja, que imediatamente recuou, visivelmente nervoso.
Irmao Lobo olhou para ele e percebeu a insegurança no rosto do dono da loja.