Capítulo Trinta e Cinco — Por Pouco Acreditei

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2244 palavras 2026-03-04 20:10:29

— O que você quis dizer com aquilo? Eu sei que você tem suas reservas quanto à minha mãe, mas os assuntos entre nós dois não deveriam envolver outras pessoas. Minha mãe nunca lhe tratou mal. — Assim que entrou no quarto, Luó Tiānyī voltou a interrogar Wu Xiaorui.

Ao ouvir Luó Tiānyī dizer que sua mãe nunca lhe tratou mal, o humor de Wu Xiaorui, que até então estava bom, transformou-se rapidamente em raiva.

Durante aqueles dias no hospital, ele vivia com medo de perder a visão para sempre, cada dia era marcado pelo terror. Mas, entre todos da família Luó, quem realmente se preocupou com sua situação? Nem mesmo quando recebeu alta, o seu único cunhado preferiu pedir favores a um estranho sem laços de sangue, em vez de passar para vê-lo, mesmo que fosse só para dizer algumas palavras. Para Wu Xiaorui, isso já teria sido suficiente para mostrar alguma preocupação.

— Pois bem! Se você concordar com o que pedi, podemos conversar sobre qualquer coisa. — disse Wu Xiaorui, jogando-se na cama e virando-se de costas.

Quanto a Luó Tiānyī, só podia se irritar sozinho. Afinal, ela era sua esposa, não podia descontar nela.

— Sonhe com isso. Aconselho você a desistir logo dessa ideia; nunca ficarei com você. — Luó Tiānyī falou, tomada pela raiva, e também se deitou na cama.

Com o passar dos dias, a atitude de Luó Tiānyī em relação a Wu Xiaorui havia mudado um pouco. Mas, ao vê-lo daquele jeito, todo o resto de simpatia que sentia desapareceu por completo.

Aos olhos de Luó Tiānyī, comparado a Song Xin, ele continuava sendo um inútil, embora ainda não tivesse perdido todo o seu valor.

Quando a casa mergulhou no silêncio, do leito vinha apenas o som da respiração tranquila de Luó Tiānyī, adormecida. Só então Wu Xiaorui se atreveu a virar devagar, retirando debaixo do travesseiro o livro de técnicas de qi gong.

Só de olhar para ele, Wu Xiaorui lembrava que, da primeira vez que folheou a primeira página, já se tornara tão forte. Imaginava até onde poderia chegar se continuasse a leitura. Mal podia conter a excitação e abriu o livro apressadamente.

Mas, por mais que tentasse, aproximando ou afastando os olhos, não sentia mais o mesmo impacto de antes. Virou todas as páginas, da primeira até a última, e nada aconteceu.

— Será que já aprendi tudo? Impossível, só li uma página, nem cheguei nas outras. Ou será que... são os meus olhos? — Wu Xiaorui assustou-se. Parecia que seus olhos não tinham apenas o poder de enxergar através das coisas, mas também de aprender instantaneamente.

No entanto, ele vinha lendo muitos livros ultimamente, e nada ficava gravado na mente. Talvez fosse preciso estudar mais esse fenômeno. Pensando nisso, guardou novamente o livro e, pouco a pouco, adormeceu.

Na manhã seguinte, Wu Xiaorui saiu da mansão para se exercitar. Ao redor, só se ouvia o canto dos pássaros, nenhum outro ruído. Inspirou profundamente o ar fresco da manhã, tentando deixar que ele levasse embora toda a raiva acumulada. Ainda sentia dor nas costas, então evitava movimentos bruscos.

Mas, mesmo depois de um tempo, a casa permaneceu silenciosa. Luó Tiānyī e o irmão dormiam até mais tarde, o que não era problema. O estranho era que a mãe de Luó, que costumava se levantar cedo, não dava sinal de vida.

Normalmente, nessa hora, Wu Xiaorui já teria saído de casa ao som das broncas da sogra. Sem isso, sentiu-se até um pouco desconfortável.

— Por favor, você é Wu Xiaorui, não é?

Mal saiu de casa, Wu Xiaorui foi abordado por dois homens.

— Sou sim. O que desejam, senhores? — Wu Xiaorui, curioso, tentou brincar com eles.

— Ah, você mesmo. Viemos te procurar por um motivo. — Assim que os dois policiais confirmaram sua identidade, toda a cordialidade sumiu.

Antes que Wu Xiaorui dissesse qualquer coisa, foi empurrado à força para dentro de um carro.

Quando o carro já estava longe, a mãe de Luó, que observava da janela do segundo andar, fechou-a lentamente, um sorriso satisfeito no rosto. Só então, cantarolando, desceu tranquilamente as escadas.

“Querer me enfrentar? Ainda está muito verde para isso”, murmurou baixinho. Na verdade, na véspera ela havia telefonado para um velho conhecido, com quem não falava há muito tempo. Bastou mencionar o assunto para ele prometer resolver tudo.

— Ora, ora, então você é o inútil genro da família Luó, Wu Xiaorui? Você tem sorte mesmo, caiu numa família dessas, só pode ter sido protegido pelos ancestrais — zombou um homem de meia-idade, sentando-se à frente de Wu Xiaorui.

— Veja, acho que não temos desavenças. Por que fui trazido até aqui? — O tom do homem incomodou Wu Xiaorui, que já não estava nada satisfeito.

— Ora, está falando demais. Só estou sendo educado por consideração à família Luó. Se dependesse de mim, nem te olharia na cara, seu inútil — respondeu o homem, visivelmente irritado. Não era de se admirar que a mãe de Luó tivesse lhe telefonado.

— É melhor cooperar. Nosso chefe está sendo gentil com você. Se fosse eu, você já teria apanhado muito — disse outro, ao lado, reforçando a ameaça.

Do que o cercava, Wu Xiaorui só sabia que estava num escritório, mas não reconhecia o lugar. Ao ser capturado, cobriram sua cabeça com um pano preto; distraído, não prestou atenção ao caminho.

— Você pergunta demais, mas para inúteis como você, tenho muitos métodos. De qualquer forma, comando um grupo de homens, e você não é ninguém. Já estou sendo generoso em perder tempo falando com você.

Ouvi dizer que você feriu algumas pessoas recentemente. Vieram me pedir para acertar as contas. Fico surpreso; como um inútil como você teve coragem de agredir alguém? Não entendo como aqueles homens conseguiram ser feridos por você.

O homem foi direto ao ponto, explicando por que Wu Xiaorui estava ali.

Só então Wu Xiaorui entendeu o motivo de ter sido levado daquele jeito. No fundo, tudo estava relacionado àqueles incidentes. Usando sua visão especial, ele observou ao redor e percebeu que estava numa fábrica.

— Não é bem assim. Eles é que começaram, só me defendi. Vocês deviam investigar direito antes de punir um inocente. Se não acreditam, podem ver que ainda tenho feridas nas costas — explicou Wu Xiaorui, mesmo sabendo que seria em vão, disposto a continuar naquele teatro.

— Acha que sou idiota? Aqueles homens ainda estão no hospital, e você diz que foi só defesa. Mas logo, suas feridas não serão as únicas — disse o homem, lançando um olhar de comando aos comparsas.