Capítulo Quatorze: Se Não Aceita, Experimente
Wu Xiaorui chegou sozinho a uma clínica particular. Não estava ali para se tratar, mas para aprender acupuntura. Embora já soubesse algo a respeito, todo o conhecimento vinha apenas da observação; jamais recebera a orientação de alguém experiente na área.
Ao entrar e anunciar seu nome, foi recebido com grande entusiasmo pelos presentes. Pelo visto, Luo Tiande já havia amedrontado bastante aquelas pessoas; caso contrário, ao descobrirem quem ele era, certamente já o teriam enxotado dali há muito tempo.
Guiado por um aprendiz, Wu Xiaorui foi levado até o pátio dos fundos, onde um ancião o aguardava. Após as saudações, o velho começou a lhe ensinar os fundamentos da acupuntura: como segurar as agulhas, como inseri-las, como retirá-las. Cada detalhe era explicado com precisão. Como Wu Xiaorui já havia estudado bastante antes de chegar ali, a aprendizagem lhe foi ainda mais fácil.
No início, o ancião não depositava grandes esperanças naquele jovem, mas, conhecendo o caráter de Luo Tiande e querendo evitar problemas desnecessários, aceitou o pedido sem hesitar. Para sua surpresa, o rapaz aprendia mais rápido que seus próprios discípulos favoritos, o que tornou a conversa entre ambos muito mais agradável — para o desconforto dos outros aprendizes, que não escondiam o descontentamento.
— Olha, mestre, veja aquele inútil.
— Pelo que sei, ele é o genro inútil da família Luo. Quem diria que se interessaria por isso.
— Já que não temos nada melhor para fazer, por que não vamos provocá-lo um pouco?
Os discípulos do ancião murmuravam entre si, tratando Wu Xiaorui como se fosse apenas um brinquedo em suas mãos.
Wu Xiaorui, nesse momento, observava atentamente um manequim diante de si. O ancião lhe dissera que ele fora feito especialmente para o treinamento: embora um pouco menor que uma pessoa real, reproduzia fielmente a forma humana. Nos pontos de acupuntura, porém, havia mecanismos escondidos; se a técnica estivesse errada, dardos venenosos seriam disparados.
Embora o veneno não fosse letal, paralisava os nervos, e ninguém sabia o que poderia acontecer a quem perdesse o controle do próprio corpo. O ancião demonstrou primeiro: com extrema perícia, inseriu a agulha no ponto correto, provando a maestria que possuía.
Wu Xiaorui, por sua vez, observou o interior do manequim. Era exatamente como o velho descrevera: fios intricados, semelhantes aos nervos humanos. Percebeu que as coisas ali eram mais complexas do que imaginara. Ao retirar uma agulha, o movimento alterava a disposição dos fios, de modo que, mesmo agindo no mesmo ponto, o risco de disparar um dardo continuava.
Ainda assim, Wu Xiaorui não se preocupou; por mais complicado que fosse, para ele aquilo não passava de um jogo diante dos próprios olhos.
— Ora, quem é esse? Aqui não é lugar para mendigos! — provocou um dos discípulos.
— Pois é, hoje em dia aparece de tudo. Até inútil quer se aproveitar do consultório.
— Inútil, se tiver alguma dúvida, pode perguntar ao mestre aqui!
Assim que o ancião se afastou, seus discípulos cercaram Wu Xiaorui, exibindo arrogância. A raiva subiu-lhe ao rosto.
— O que foi? Querem apostar alguma coisa comigo? — desafiou ele.
O ambiente logo explodiu em risadas. Nenhum deles esperava que Wu Xiaorui se atrevesse a propor tal coisa — era exatamente o que queriam. Todos ali haviam passado por aquela prova, mas só conheciam os dardos venenosos de ouvir falar; nunca os haviam visto em ação.
— Está falando sério? Não vá depois dizer que estamos sendo cruéis se perder! — retrucou o mais velho dos discípulos.
Ele era quem estava há mais tempo com o ancião, portanto o mais habilidoso. Se nem ele conseguisse, os outros não ousariam tentar.
Wu Xiaorui não lhe deu atenção. Como fora ele quem propusera, decidiu começar.
— Espere um pouco! — o discípulo mais velho bateu com força no manequim. Wu Xiaorui viu os fios internos vibrarem e mudarem rapidamente de posição. Tudo para fazê-lo passar vergonha diante de todos.
— Sendo assim, que tal vermos quem consegue preencher todos os pontos do torso em menos tempo? — sugeriu Wu Xiaorui, sorrindo.
— Esse inútil não sabe de nada e ainda por cima é lento de raciocínio — zombaram os outros.
— Mostre a ele como se faz, mestre!
— Daqui a pouco esse inútil vai estar lambendo minhas botas!
Todos riram, mas, no fundo, receavam perder. O cronômetro começou antes mesmo de o manequim se estabilizar.
Wu Xiaorui acalmou-se, pegou uma agulha de prata. Embora os fios interiores ainda se movessem, para ele as alterações eram mínimas. Apontou para um ponto no peito e cravou a agulha.
— Ora, ele acertou mesmo o ponto! — exclamou um dos discípulos.
— Foi pura sorte. Com tantas agulhas, esse inútil logo vai cair feito um cachorro no chão — zombou outro.
— Isso, estou esperando ele lamber minhas botas — continuaram, rindo.
Wu Xiaorui apenas sorriu de canto. Segunda agulha, terceira... Em poucos instantes, preencheu todos os pontos do torso com a máxima precisão.
— Isso... isso não é possível! Como esse inútil conseguiu?
— Só pode ter aprendido antes, não há outra explicação para tamanha precisão!
— Nem o mestre é tão rápido. Parece que o veterano agora encontrou um rival.
O espanto tomou conta do ambiente. Outros curiosos se aproximaram para assistir à disputa. Todos ficaram boquiabertos com a habilidade de Wu Xiaorui.
Os que antes zombavam agora estavam envergonhados, incapazes de encará-lo. Se fossem tentar, não conseguiriam nem metade da velocidade dele.
O discípulo mais velho já estava com as mãos suando. Não esperava tamanha destreza daquele que considerava um inútil. Entre todos, era ele quem estava mais nervoso.
— E então, veterano, é sua vez. Não vá perder para um novato como eu — provocou Wu Xiaorui.
Embora surpreso, o discípulo conhecia bem o manequim. Acreditava que, acelerando um pouco os movimentos, ainda conseguiria superar Wu Xiaorui.
Por não ter as habilidades especiais de Wu Xiaorui, apoiou as mãos sobre o manequim, tentando sentir as mudanças dos fios internos.
De fato, Wu Xiaorui admirava o talento dele; se não pudesse ver o interior, teria perdido.
De repente, o manequim tremeu violentamente.