Capítulo Onze: Desviando o Perigo com Sucesso
O senhor Li lançou um olhar para trás, sinalizando discretamente para seus subordinados se afastarem.
— Marido? — murmurou ele, intrigado.
— Então você é aquele genro inútil da família Luo? — perguntou o senhor Li, como se de repente se recordasse, caindo em gargalhadas logo em seguida.
Os seguranças atrás dele, ao descobrirem a identidade de Wu Xiaorui, demonstraram ainda mais desprezo por ele.
— O senhor Li está certo, não imaginei que até você já tivesse ouvido falar de mim — respondeu Wu Xiaorui, ainda sem entender o verdadeiro propósito do senhor Li, tentando levar a situação no bom humor.
Na verdade, o aparecimento repentino de Wu Xiaorui deixou Luo Tianyi um pouco tocada, mas ao ver a atitude dele, não pôde evitar que seu rosto se ruborizasse.
— Senhor Li, deixo aqui o meu castigo e tomo três copos — disse Wu Xiaorui, erguendo o copo de sua esposa e bebendo de uma vez só.
Embora Wu Xiaorui não estivesse acostumado a beber tanto, naquela situação só lhe restava beber mais, na esperança de ajudar Luo Tianyi a escapar daquela saia-justa.
Senhor Li era um homem calejado, acostumado a todo tipo de situação, e não esperava que justamente um inútil fosse atrapalhar seus planos. Isso só despertou nele um interesse maior: já que Wu Xiaorui queria ajudar a esposa, ele queria ver até onde aquele inútil iria se envergonhar diante dela.
Como seus objetivos para aquela noite já não seriam alcançados, o senhor Li mandou chamar para o seu quarto as pessoas dos quartos próximos, além de alguns garçons, todos curiosos para assistir ao que prometia ser um espetáculo.
— Quem é aquele? Não é o senhor Li, do ramo de joias da nossa cidade?
— Aquela não é a filha da família Luo?
— E esse genro inútil da família Luo, o que faz aqui? Parece que teremos diversão.
— Isso vai ser interessante! Esse traste não aguenta nem alguns copos, logo mais vai sair carregado.
Ouvindo os comentários ao redor, o senhor Li sentiu-se satisfeito.
— Ora, homem que é homem não bebe em copo igual a mulher. Se é para beber, que seja direto na garrafa — disse ele, colocando uma garrafa diante de Wu Xiaorui.
Wu Xiaorui sorriu levemente, não respondeu e simplesmente pegou a garrafa, virando-a de uma vez. Seus olhos estavam fixos na velocidade com que o líquido descia, sem se importar com o sabor da bebida.
— Quem diria, você até que aguenta bem, hein, inútil? — zombou o senhor Li.
Ao largar a garrafa, Wu Xiaorui já sentia a cabeça rodando, precisando se concentrar para não perder o equilíbrio e passar vergonha.
De repente, uma nova garrafa de aguardente foi aberta e colocada diante de si.
— Senhor Li, não é justo deixar só ele beber. Sempre ouvi dizer que o senhor Li aguenta muito, por que não nos mostra? — disse Luo Tianyi, oferecendo também uma garrafa ao senhor Li.
— Já que a bela dama pediu, se eu recusar, seria tão inútil quanto seu marido — respondeu ele, sem se importar. Se não aprendeu muito na vida, ao menos a beber se acostumou, sempre derrubando os outros antes de cair.
Para mostrar sua resistência, bebeu grandes goles diante de Wu Xiaorui. Embora a garrafa inteira não lhe causasse efeito imediato, Wu Xiaorui percebeu, ao observar, que o álcool estava se misturando lentamente ao seu sangue. O senhor Li não só tinha problemas no estômago, como também o fígado já estava bastante comprometido.
— Muito bem, então hoje só saímos daqui quando todos estiverem bêbados — disse Wu Xiaorui, imitando o gesto dele e empurrando-lhe outra garrafa.
Com o estado do fígado do senhor Li, seria impossível metabolizar tanto álcool em pouco tempo. Mais uma garrafa, e ele, sóbrio ou não, acabaria no hospital.
O senhor Li não deu importância a Wu Xiaorui, ergueu a garrafa e voltou a beber. Desta vez, ao chegar à metade, teve que parar. Largou a garrafa, o rosto ficou pálido e a respiração começou a falhar.
— Senhor Li, se não estiver bem, talvez seja melhor deixarmos para outro dia — sugeriu Wu Xiaorui, gentilmente.
Mas para o senhor Li, isso era pura provocação. Com tanta gente ao redor, admitir fraqueza seria admitir ser inferior até mesmo a um inútil.
— Moleque, você acha mesmo que eu sou igual a você? Se você aguenta, eu te ensino o que é ser homem — retrucou, furioso.
Wu Xiaorui apenas sorriu, surpreso por sua boa intenção ser interpretada como ofensa. Viu que, por causa da raiva, o sangue do senhor Li se agitava e ele começava a cambalear.
Wu Xiaorui sentia que já era o bastante, então virou o restante de sua bebida.
— Olha só, quem diria, o rapaz aguenta mesmo!
— Que pena, o senhor Li se enganou dessa vez.
— Esperávamos ver o inútil passar vergonha, mas acabou diferente. O senhor Li não é tudo isso.
Ao ouvir as dúvidas ao seu respeito, o senhor Li ficou indignado. Não entendia por que, naquela noite, havia se sentido mal tão rápido.
— Senhor Li, está tudo bem? — perguntaram, ao vê-lo tentar terminar a bebida e, de repente, começar a vomitar. Os dois seguranças que o acompanhavam ficaram apavorados.
— Cunhado, pra que você nos chamou? — disse Luo Tiande, entrando de repente no recinto.
Só depois que a ambulância levou o senhor Li embora, Wu Xiaorui explicou a Luo Tianyi por que chamara o cunhado.
Apesar de não ter sido exatamente heroico, para Luo Tianyi, Wu Xiaorui demonstrou alguma bravura, aparecendo para defendê-la naquele momento. Se não fosse por ele, talvez consequências terríveis tivessem recaído sobre ela.
— Inútil, está ficando cada vez mais ousado. Mal começou a trabalhar e já está aprendendo a beber — ralhou a sogra assim que chegaram em casa.
— Xiao Wu, você mal conseguiu um emprego e já começou a beber? — até o sogro, que raramente o repreendia, resolveu dar-lhe uma bronca.
Como havia bebido muito, Wu Xiaorui foi direto tomar banho, ignorando as reclamações. Com a esposa e o cunhado para explicar a situação, sabia que não haveria maiores problemas.
Quando Luo Tianyi lhe trouxe uma tigela de mingau, Wu Xiaorui sentiu-se verdadeiramente feliz. Desde que chegara à família Luo, aquela foi a primeira refeição que realmente teve sabor de lar.
À noite, meio entorpecido, Wu Xiaorui viu aquele homem de novo, perambulando ao seu redor, sorrindo, como todos os outros, zombando dele.