Capítulo Cinquenta e Nove: Expulsão
— O que eu poderia fazer? Fiquem tranquilos, eu não vou me aproveitar da situação — disse Rui Xiaorui, tentando acalmar o ambiente.
Diante disso, Tiande Luo apressou-se em segurar a irmã. Rui Xiaorui aproximou-se novamente do sogro. Com cuidado, fez pequenos cortes de um centímetro ao lado da orelha, no peito e no pulso dele.
— Seu ingrato, isso é se aproveitar do momento! — protestou a mãe de Luo, avançando furiosa. Se não fosse por Tiande Luo, que a segurou a tempo, ninguém sabe o que poderia ter acontecido.
Rui Xiaorui ignorou o tumulto e rapidamente pegou a carne crua ensanguentada que havia preparado, pressionando-a sobre os ferimentos. Em pouco tempo, dezenas de vermes negros começaram a sair do corpo do pai de Luo, apinhando-se sobre a carne até cobrirem-na completamente, rastejando sem parar.
— Meu Deus, cunhado, o que é isso? — Tiande Luo, o mais corajoso, foi o único a perguntar. Tianyi Luo e a mãe, que normalmente não temiam nada, estavam paralisadas de terror, as pernas tremendo, olhos arregalados. Não vomitarem ali já era uma vitória.
— Depressa, tragam álcool e fogo! — gritou Rui Xiaorui.
Quando viu que não saíam mais vermes, ele despejou álcool sobre a carne crua e ateou fogo, reduzindo tudo a cinzas. O quarto ficou impregnado do cheiro de sangue misturado com o odor de coisas queimadas.
— Ninguém deve ficar aqui nos próximos dias, é preciso desinfetar tudo! — disse Rui Xiaorui, enxugando as mãos com a toalha.
A razão para saírem dali era que o cheiro de sangue permaneceria por muito tempo, além do receio de que algum verme tivesse escapado. Por precaução, Rui Xiaorui preparou um caldo de ervas medicinais misturado com aguardente e espalhou o líquido em todos os cantos da casa.
A casa era grande, então não faltariam opções de lugar para dormir. O rosto do pai de Luo foi gradualmente recuperando o viço à medida que os vermes eram eliminados.
— Hoje é melhor deixá-lo descansar. Amanhã ele já estará como novo — disse Rui Xiaorui, levando os irmãos Luo para fora.
Ao ver a preocupação da mãe, percebeu que seria inútil tentar convencê-la a sair; melhor deixá-la ao lado do marido, para poder ajudar no que fosse preciso.
— Cunhado, ele está fora de perigo, não? — perguntou Tiande Luo ao sair do quarto, em tom cauteloso. Por causa da sua atitude anterior, Tianyi Luo ficou sem jeito de perguntar, mas era isso que mais a afligia. Nunca havia presenciado algo tão assustador, nem mesmo nos filmes de terror.
— O pior já passou. Vou preparar uma receita, compre os ingredientes exatamente como eu disser. E fique o tempo todo atento, sem descuidar nem por um instante — advertiu Rui Xiaorui, preocupado.
Ele não quis buscar os remédios no hospital do sogro, pois suspeitava de um traidor lá dentro; caso contrário, ninguém teria conseguido envenená-lo com vermes.
— Então, você acha que foi alguém próximo da família? — Tiande Luo, acostumado a lidar com situações graves, entendeu logo o recado nas entrelinhas de Rui Xiaorui.
— Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. É melhor esperar — respondeu Rui Xiaorui, evitando fazer acusações precipitadas. Sabia que, se desse nome aos bois, Tiande Luo sairia imediatamente em busca de vingança.
Naquela situação, eles estavam expostos, enquanto o inimigo permanecia oculto; qualquer passo em falso poderia pôr tudo a perder.
— Não fiquem obcecados com isso. Sigam a vida normalmente — lembrou Rui Xiaorui, reforçando o aviso. Ficar alimentando suspeitas só traria mais tensão. Se alguém tentasse agir novamente, logo cometeria um deslize.
— Bem… desculpe por hoje — murmurou Tianyi Luo, envergonhada, ao voltar para o quarto.
Não esperava que Rui Xiaorui arriscasse tanto para salvar seu pai, nem que não guardasse rancor por ela ter ido embora e o deixado sozinho, ou por ter sido tratado com frieza pela família.
— Ora, o que aconteceu, senhorita Luo? — brincou Rui Xiaorui, sorrindo.
Apesar de ela tê-lo deixado sozinho na rua por uma bobagem, Rui Xiaorui já havia ensaiado mil vezes o que diria e estava decidido a impor respeito ao voltar. Mas ao olhar para o rosto de Tianyi Luo, toda a raiva se dissipou. Ainda assim, queria vê-la embaraçada.
— Já pedi desculpas, o que mais você quer? — respondeu ela, arqueando as sobrancelhas.
— Não ouso pedir mais nada! — reclamou ele, de propósito, e se deitou debaixo das cobertas.
Ficaram em silêncio por muito tempo. Rui Xiaorui sabia que Tianyi Luo ainda estava sentada na cama, mas não queria vê-la irritada, então permaneceu de costas para ela.
— Que tal assim? A partir de hoje, você pode dormir na cama, mas aviso: não venha me tocar nem tente se aproveitar enquanto eu estiver dormindo! — disse Tianyi Luo, o rosto corando intensamente. Virou-se às pressas para que ele não percebesse seu embaraço.
Nunca estivera tão nervosa. O coração batia acelerado, temendo tanto que ele aceitasse quanto que recusasse.
Ao ouvir isso, Rui Xiaorui sentiu-se radiante. Dormir ao lado de Tianyi Luo, mesmo sem poder tocá-la, já lhe parecia uma felicidade: poderia sentir seu calor todas as noites.
Empolgado, levantou-se da cama. O quarto estava escuro, mas Rui Xiaorui percebia o coração de Tianyi Luo batendo rápido, o sangue circulando com mais intensidade. Ele logo afastou qualquer ideia impulsiva.
Apesar de poder dividir a cama com ela, sentia que não era bem isso que desejava. Voltou a se deitar, sorriu ao lembrar das palavras dela e adormeceu.
Tianyi Luo, nervosa, ficou esperando, mas, ao perceber que Rui Xiaorui não se movia, virou-se para vê-lo. Encontrou-o deitado, imóvel, já roncando suavemente. Quis xingá-lo de insensível, mas apenas abriu a boca sem emitir som algum.
Lembrando-se da expressão dele, sorriu discretamente e, finalmente, adormeceu.