Capítulo Vinte e Sete — A Primeira Visita ao Cassino

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2261 palavras 2026-03-04 20:10:25

Depois de andar por um bom tempo, Wu Xiaorui começou a se sentir em apuros. Não era de se admirar que aquele homem, instantes atrás, não tivesse permitido sua entrada. Pensando bem, até que ele agiu por gentileza; ali, cada pessoa, não importando o tamanho de suas apostas, arriscava mais dinheiro do que Wu Xiaorui sequer tinha consigo.

Se fosse tentar jogar pôquer com os outros, provavelmente só teria direito a virar uma única carta. Ding Dalong e seus companheiros, quando frequentavam cassinos, costumavam perder mais do que ganhar, então agora ele tinha ainda menos coragem de arriscar.

No fim das contas, Wu Xiaorui decidiu começar por apostar no jogo de grande ou pequeno, já que, embora não desse grandes vitórias, era o único em que eles poderiam participar naquele momento.

Como estava ali para ajudar Ding Dalong e os outros, Wu Xiaorui não cogitava usar seu próprio dinheiro como capital de aposta para eles.

— Irmão, o que fazemos agora? — Ding Dalong, ciente de que a quantia que trazia era irrisória naquele lugar, perguntou ansioso.

— Aqui tem tanta gente... se continuar me chamando assim, temo que algo ruim possa acontecer — respondeu Wu Xiaorui. Ali, provavelmente eles eram os mais miseráveis de todos. Os líderes dos outros andavam com relógios de luxo no pulso, correntes de ouro grossas no pescoço, ostentando riqueza e poder; já eles... Wu Xiaorui soltou um suspiro resignado.

— Droga, agora entendi por que estou perdendo tanto! É porque tem uns inúteis parados atrás de mim. Caiam fora daqui, já! — Um pequeno empresário, que vinha perdendo várias rodadas, gritou ao ver Wu Xiaorui e seus amigos atrás dele.

— Como ousa falar assim comigo? — revidou Ding Dalong, enfurecido.

— Ora, está querendo me desafiar? — retrucou o homem.

— Irmão, irmão, deixa pra lá, estamos indo embora, agora mesmo — tentou interceder San’er, segurando Ding Dalong antes que a situação saísse do controle. Se não fosse por ele, provavelmente Ding Dalong teria arrumado uma briga ali mesmo.

Um tigre acuado acaba sendo humilhado por cães — Ding Dalong, que já foi alguém de respeito no submundo, agora passava por esse vexame só porque estava sem dinheiro.

Wu Xiaorui ordenou a seus dois companheiros que ficassem de olho em Ding Dalong, para evitar problemas. Caso algo acontecesse, não só não conseguiriam sair dali, como ele próprio poderia acabar envolvido em sérios apuros.

Já havia compreendido basicamente como funcionava o lugar. Wu Xiaorui trocou as poucas dezenas de milhares que trouxera por fichas e iniciou as apostas.

Dirigiu-se à mesa de Sic Bo, e, sempre que o funcionário do cassino anunciava que podiam apostar, ele acertava com precisão o resultado dos dados. Os outros precisavam prestar muita atenção para tentar adivinhar, mas Wu Xiaorui só precisava olhar para saber o resultado.

— Irmão, você realmente não é comum — exclamou San’er, empolgado.

Os outros assistiam de perto; Wu Xiaorui só apostava quando tinha certeza, e ganhava todas.

— Isso é bruxaria! O rapaz acerta todas as apostas! — exclamou alguém.

— Droga, joguei tantas vezes e quase nunca acertei, mas esse cara acabou de chegar e só ganha! — reclamou outro.

— Dane-se, não quero mais perder. Seja o que ele apostar, vou apostar também — decidiu mais um.

Logo, Wu Xiaorui chamou a atenção ao redor, e muita gente começou a seguir suas apostas. O que antes lhe renderia pouco ficou ainda menor, já que as vitórias eram divididas entre todos.

— Senhor, por favor, tente jogar outra coisa — aconselhou um dos funcionários, aproximando-se.

Mesmo que não tivesse sido advertido, Wu Xiaorui já pensava em mudar de mesa. Ainda assim, sentiu-se levemente constrangido.

Dessa vez, foi até a mesa de bacará. Nos filmes, era esse o jogo dos grandes apostadores. Na verdade, o sistema era semelhante ao do Sic Bo, só mudava o país de origem. Para Wu Xiaorui, tudo era evidente aos seus olhos.

— Você também se atreve a jogar aqui? — zombou um homem ao seu lado, assim que ele encontrou um lugar.

— Só vou tentar a sorte, quem sabe dou sorte — respondeu Wu Xiaorui, tranquilo, sem se importar com o comentário. Já Ding Dalong, atrás dele, não tinha o mesmo autocontrole; se não fosse pelas recomendações de Wu Xiaorui, já teria arranjado confusão.

— Aposto no empate! — disse Wu Xiaorui, colocando suas fichas na opção de empate.

— Você sabe jogar? Nem viu as cartas e já apostou! — comentou, rindo, o homem ao lado.

Wu Xiaorui ignorou-o, sorrindo de leve. Sabia que de nada adiantaria explicar. Quando as cartas fossem reveladas, tudo ficaria claro.

— Empate! — anunciou o crupiê ao abrir as cartas.

— San’er, pegue o dinheiro — disse Wu Xiaorui, que agora nem precisava se mexer; seu único papel era apostar corretamente.

— Caramba, você tem muita sorte, foi o primeiro a apostar no empate e ganhou — comentou o homem, um tanto invejoso, achando que era apenas sorte.

— San’er, aposte no empate de novo.

San’er colocou as fichas no empate, sem hesitar.

— Mas você realmente acha que terá sorte duas vezes seguidas? Deve estar sonhando — zombou novamente o homem.

— Maldição, não é possível, foi empate de novo! — praguejou o homem.

Nas rodadas seguintes, Wu Xiaorui apostava em opções pouco comuns, e a cada jogada o homem ria dele, mas o resultado era sempre vitória.

— Você é mesmo um mestre dos jogos! Descobriu algum segredo? Diga seu preço, eu pago para saber — disse o homem, percebendo que Wu Xiaorui devia ter algum truque, e o puxou de lado, falando em voz baixa, afinal, quanto menos gente soubesse, melhor.

— É só sorte — respondeu Wu Xiaorui, desconversando. Não podia revelar que seus olhos distinguiam as cartas; se acreditassem nisso, poderiam até querer arrancar-lhe os olhos, e as consequências seriam desastrosas.

Wu Xiaorui percebeu que, se não saísse logo, logo viriam expulsá-lo de novo.

Agora, o dinheiro deles já havia passado de algumas dezenas para centenas de milhares, o que deixou todos muito animados, mas ainda estavam longe do objetivo final.

— Que droga, estão cegos? Onde estão os seguranças? Que tipo de gente é essa? Tirem esse sujeito daqui agora!

Wu Xiaorui estava tão concentrado contando seus lucros que, sem querer, esbarrou num dos chefes e acabou sendo xingado.

Na verdade, cada movimento de Wu Xiaorui vinha sendo observado de perto por alguém que, inclusive, já havia feito negócios com ele no passado. Por causa desse homem, os seguranças chamados aos gritos ainda não tinham aparecido. Agora, ele queria encontrar Wu Xiaorui frente a frente.