Capítulo Vinte e Quatro: Sequestro
Assim que Wu Xiaorui se virou, começou a se arrepender.
— Vamos, amigo!
Eles sequer lhe deram chance de explicar, simplesmente o arrastaram e o colocaram em um carro preto.
Era a primeira vez que vinha a Hainã, tudo ali era estranho para ele, e agora tinha se tornado presa dos outros, restando-lhe apenas seguir passo a passo e ver no que dava.
— Chefe, quem é esse aí?
O carro chegou aos arredores da cidade, e Wu Xiaorui foi levado para dentro de uma fábrica. Já do lado de fora era possível ver que o lugar era de grande porte, com alguns homens patrulhando a entrada. Assim que entrou, outro perguntou:
— Não importa quem ele é, agora ele é dinheiro no nosso bolso — respondeu o homem que o havia trazido, caindo na gargalhada.
— Amarrem-no.
Logo Wu Xiaorui foi amarrado por dois sujeitos, preso com cordas grossas a uma coluna.
— O que vocês estão fazendo? Não foi isso que combinamos! Quero ver o chefe de vocês — tentou manter a calma.
— Ora, rapaz, vou te dizer logo: não temos chefe nenhum, eu sou o dono daqui. Fica tranquilo, vou cuidar bem de você esses dias. Afinal, você tem muita coisa de valor contigo — disse o homem, batendo-lhe no ombro e rindo.
Apesar de não ter sido explicitado, Wu Xiaorui entendeu do que se tratava. Só não esperava que fosse morrer ali e nem ter seu corpo inteiro preservado.
— Chefe, não foi dito para evitarmos confusão desnecessária aqui? O importante é a tarefa — um dos homens, preocupado, aconselhou.
— Fica tranquilo, San, sei muito bem o que estou fazendo. Precisamos de uma boa quantia de dinheiro, se não conseguirmos logo, nosso destino não será nada bom — respondeu o chefe, mostrando que as preocupações eram pequenas frente aos problemas reais que enfrentavam.
Depois de tantas perguntas, Wu Xiaorui soube que o chefe chamava-se Ding Dalong, e seus dois braços direitos eram San e Xiaodong. Eles estavam em Hainã a mando do antigo patrão, para resolver certos assuntos, e a fábrica fora construída por eles tempos atrás.
Talvez, para eles, Wu Xiaorui era alguém que não sobreviveria por muito tempo, então não viam problema em contar essas coisas. Mas, ao insistir em perguntar mais, foi advertido a calar a boca.
— Para de falar, moleque! Se eu não precisasse de dinheiro agora, não teria te trazido. Não venha reclamar depois, só tem azar de ter cruzado meu caminho nesta hora — disse Ding Dalong, indo cuidar de outras coisas.
Wu Xiaorui notou que, sobre a mesa de Ding Dalong, havia vários livros sobre truques de trapaça em jogos de azar, e outros de gurus do mercado de ações ensinando a investir. Parecia que sua única esperança era enriquecer da noite para o dia.
No entanto, para Wu Xiaorui, talvez ali estivesse sua chance. Se apenas por isso estavam interessados nele, ainda havia esperança de sobreviver.
— Chefe, chegou — anunciou Xiaodong, entrando e dirigindo-se a Ding Dalong.
Wu Xiaorui viu, com seus próprios olhos, um homem de meia-idade, terno elegante e penteado ostentoso, aproximando-se.
— Ora, esse não é o visual típico de um mestre dos jogos? — Pensou, excitado. Era fã fervoroso do chamado “Deus dos Jogos”. Sempre sonhara em viver algo assim, e agora, de forma inesperada, parecia que o sonho se tornava realidade.
— Mestre, que bom que veio! — Ding Dalong o recebeu pessoalmente, cheio de reverência.
Para Ding Dalong, aquele homem era sua tábua de salvação, e Wu Xiaorui, o capital para sua virada. Mas, ao chegar perto, Wu Xiaorui percebeu logo que se tratava de um impostor.
Já que fora contratado, o falso “Deus dos Jogos” precisava mostrar suas habilidades. Demonstrou alguns truques simples de cartas e adivinhações com dados. Para quem tem olhos rápidos e mãos ágeis, não era difícil enganar em um cassino, embora sempre houvesse riscos.
— Dalong, você quer dinheiro, não é? Posso te ajudar — exclamou Wu Xiaorui de repente.
— Ora, então você entende dessas coisas? — Ding Dalong se surpreendeu.
— Diga-me, Dalong, que brincadeira é essa? Se me chamaram aqui, o que esse sujeito faz aqui? — o falso mestre pareceu irritado.
— Veja só, acha que ele entende de alguma coisa? Aposto que está com medo e falando bobagem. Vou mandar amarrá-lo em outro lugar — Ding Dalong, sem graça, não esperava por aquela situação.
— Espere! Dalong, você não quer dinheiro? Então faça assim: deixe que ele jogue comigo. Se eu perder, pode fazer o que quiser de mim, e ainda te dou cinquenta mil a mais — disse Wu Xiaorui, confiante. Para ele, não importava no que apostassem, tudo parecia transparente.
A tentação era grande para Ding Dalong, que aceitou sem hesitar e mandou San soltar Wu Xiaorui.
— Então vamos logo, sem enrolação — disse Ding Dalong, observando Wu Xiaorui massagear os pulsos doloridos.
Para falar a verdade, Ding Dalong não acreditava que Wu Xiaorui pudesse vencer o “Deus dos Jogos”. Assim, teria cinquenta mil a mais e, ao mesmo tempo, poderia avaliar as habilidades do mestre, já que havia investido muito para tê-lo ali.
— Estão tirando sarro de mim? Vão colocar qualquer zé-ninguém para jogar comigo? — o falso mestre se enfureceu. Aos seus olhos, Wu Xiaorui não tinha sequer direito de desafiá-lo.
— Não é bem assim — retrucou Wu Xiaorui, determinado a não desperdiçar a chance.
— Ora, está se achando demais! Já que duvidam de mim, não faz sentido eu ficar aqui — o mestre, ainda mais irritado, preparou-se para sair.
— Chefe, com o mestre aqui, vamos ganhar os cinquenta mil! Esse sujeito só fala asneira. Olha para ele! Nem cinquenta mil, nem quinhentos ele teria — vendo o mestre sair, San interveio rapidamente.
— Quase caí na dele... Maldito — Ding Dalong olhou de novo para Wu Xiaorui, praguejando.
— Espere, Dalong! Deixe-me enfrentá-lo e posso fazer você recuperar o vigor dos seus melhores anos — sussurrou Wu Xiaorui ao ouvido do chefe.
Ding Dalong entendeu o recado. Ele sabia que, nos últimos tempos, por conta do excesso de prazeres e do estresse crescente, sua virilidade estava em baixa. Por isso, sempre arranjava uma desculpa quando seus companheiros sugeriam ir ao clube noturno.
Será que esse homem tem mesmo esse poder? Ding Dalong ficou pensativo, como se subitamente tudo fizesse sentido.