Capítulo Oito: Salvando o Cunhado

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2322 palavras 2026-03-04 20:10:15

— Você já nos trouxe vergonha suficiente, só pedimos que não cause mais problemas para a nossa família — lembrou Luó Tianyi no caminho de volta do trabalho.

Wu Xiaorui entendeu o que ela queria dizer, e sabia ainda melhor quem eram, de fato, os membros daquela família. Por isso, não queria contar a verdade para Luó Tianyi.

O telefone vibrou. Wu Xiaorui olhou para a tela: era seu cunhado. Ligar a essa hora só podia significar encrenca.

— Alô, Tiande, o que houve? — perguntou Wu Xiaorui, elevando a voz diante da esposa, de olho em qualquer mudança de expressão no rosto dela.

— Mana, cunhado, desta vez você precisa me ajudar, só você pode me salvar! — veio do outro lado uma voz apressada e aflita.

— Não já te disse que cuidaria daquilo? Se não for nada sério, vou desligar. Estou ocupado com sua irmã — disse Wu Xiaorui, preparando-se para encerrar a ligação.

“Esses problemas… Acham que sou igual a eles, mas ao contrário deles, eu cumpro minha palavra”, resmungou Wu Xiaorui para si mesmo.

— Espera, cunhado, por favor, desta vez é sério, só você pode salvar a minha pele! — a súplica do outro lado ficou ainda mais intensa.

Wu Xiaorui percebeu que a situação era grave.

— Onde você está agora? — virou-se, tentando impedir que Luó Tianyi ouvisse a conversa.

— No mercado de jade da família. Se você demorar, eles vão quebrar minhas pernas e meus braços — disse Tiande, e Wu Xiaorui pôde ouvir gritos de alguém ameaçando Tiande ao fundo.

Naquela região, poucos ousavam falar assim com ele, ainda mais dentro do mercado de jade da família. Era sinal de que algo sério tinha acontecido.

Sem hesitar, Wu Xiaorui parou um táxi e correu em direção ao mercado de jade dos sogros. Luó Tianyi, sem entender nada, ficou apenas olhando, sem saber o que provocara tamanho desespero no marido.

Se não fosse por consideração à esposa, Wu Xiaorui jamais se importaria com os problemas daquela família, depois de tudo o que já lhe tinham feito.

Ao atravessar a multidão, Wu Xiaorui logo viu Luó Tiande cercado por vários homens.

— Abram caminho! Abram caminho! — Wu Xiaorui foi avançando, afastando as pessoas.

— Cunhado, ainda bem que você veio! — Luó Tiande, ao vê-lo, demonstrou alívio imediato.

Ele parecia um cão molhado caído no lago, sem o menor vestígio da arrogância habitual. Parecia um cordeiro esperando o abate, obedecendo a tudo o que mandavam.

Ao reconhecer o comerciante do dia anterior, Wu Xiaorui logo entendeu do que se tratava. Olhando para o grupo que cercava Tiande, percebeu que sair dali em paz não seria tarefa fácil.

— Ora, ora, quem diria… Senhor Luó, você, um nome conhecido, chama esse inútil para resolver problemas? — zombou o comerciante, arrancando gargalhadas da multidão.

— Acho que você está pedindo para morrer — Luó Tiande ameaçou avançar, querendo dar uma lição no comerciante.

Com o cunhado ali, Tiande sentiu-se mais corajoso. Afinal, Wu Xiaorui tinha uma relação especial com a família Xu, de Qingyuan. Não só aqueles sujeitos, mas até empresários ricos da região respeitavam Wu Xiaorui por isso.

— Senhor Luó, mais cedo a conversa era diferente. Agora que seu cunhado inútil chegou, ficou mais valente? — provocou o comerciante, rindo da postura de Tiande.

Por ser alguém orgulhoso, Tiande logo se calou, sem coragem de responder.

— Senhor, negócios são negócios, mas não se esqueça de que está no terreno da família Luó. Tratar o próprio patrão assim é traição — rebateu Wu Xiaorui.

— Você não entende nada, seu idiota. Hoje seu cunhado gastou uma fortuna comprando matéria-prima no meu estabelecimento, mas não havia nada lá dentro. Agora, a casa de vocês já é nossa. Mas já que você apareceu, vamos apostar — propôs o comerciante.

Wu Xiaorui percebeu a verdadeira intenção do sujeito: queria não só causar prejuízo à família Luó, mas recuperar o orgulho perdido no dia anterior.

— E qual seria a aposta? — perguntou, confiante. Aqueles homens achavam que seu sucesso no dia anterior fora sorte, mas Wu Xiaorui sabia o que estava fazendo.

— Se você ganhar, fico com nada. A jade encontrada será sua.

— Está bem, vamos começar — respondeu Wu Xiaorui, sem hesitar.

— Calma. Se você perder, o mercado de jade será meu. Que tal? — o comerciante sorriu, desafiador.

— Cunhado, melhor desistirmos. Se a casa já é dele, paciência, mas não podemos perder o mercado de jade. Se meu pai souber, estamos mortos — sussurrou Tiande, apavorado, no ouvido de Wu Xiaorui.

— Está decidido. Mas com uma condição: se perder, além de sair do mercado de jade, você nunca mais pisa em Qingyuan — anunciou Wu Xiaorui em voz alta, para que todos servissem de testemunha.

— É o fim da família Luó.

— Esse inútil só trouxe desgraça, agora vai acabar com tudo.

— Ele acha mesmo que a sorte vai sorrir para ele de novo? Sorte como aquela só acontece uma vez na vida.

Os comentários da multidão aumentaram após a decisão de Wu Xiaorui.

— Wu Xiaorui, você… — Luó Tiande ficou boquiaberto, começando a suspeitar que o cunhado queria se vingar da família. Se não fossem os homens segurando-o, já teria partido para cima de Wu Xiaorui.

A multidão crescia ao redor deles. No início, muitos estavam ali só para ver Wu Xiaorui e Tiande passarem vergonha, mas agora todos queriam presenciar a queda da família Luó.

Logo, o comerciante mandou trazer várias pedras brutas.

Quem entendia do ramo percebia de imediato que aquelas pedras eram de péssima qualidade, algumas com uma camada grossa de terra, esquecidas havia muito tempo.

— Está nos passando para trás, isso é trapaça! — reclamou Tiande, que também conhecia o ramo graças ao pai e sabia que aquelas pedras não prestavam.

Ali, nem sinal de jade: se houvesse um pouco de verde, já seria sorte.

Wu Xiaorui segurou Luó Tiande e o puxou para trás. Diante de tanta gente, sabia que o cunhado se descontrolaria e acabaria piorando as coisas.