Capítulo Trinta e Três: Mais Problemas à Vista
— Não se preocupe! Mestre, você sabe que, embora eu tenha feito a cirurgia, meus rins ainda não estão muito bem. Será que você poderia pensar em alguma solução e me receitar alguns remédios? — O gerente implorava por ajuda a Wu Xiaorui ao telefone.
Pensando no futuro dentro da empresa, Wu Xiaorui escolheu algumas receitas e pediu que ele experimentasse. Em seguida, Wu Xiaorui pegou o livro que tinha em mãos. Era realmente um livro antigo, e parecia que não era de apenas algumas décadas atrás; na capa, estava escrito, em caracteres tradicionais, “Métodos de Qigong”.
Será que, aprendendo essas técnicas, poderia se tornar invencível, como Mestre Hong Qi Gong ou Zhang Sanfeng? Wu Xiaorui não esperava que houvesse ali um método real de cultivo de energia.
— Mas que livro maravilhoso! — Ao abrir a primeira página, Wu Xiaorui levantou-se, animado.
Observando os movimentos descritos, Wu Xiaorui ficou interessado e começou a praticar conforme o livro. No entanto, havia alguns caracteres que ele não conseguia reconhecer, já que sua formação não era das melhores — e, para piorar, eram caracteres tradicionais.
— Hoje em dia, tudo pode ser falsificado... Salvei a vida dele, não ganhei nada de valor e ainda fui enganado por esse livro — resmungou Wu Xiaorui, após algum tempo de prática, sem sentir qualquer mudança em seu corpo. Fechou o livro e o jogou de lado.
Logo depois, sentiu-se relutante em desistir. Afinal, tinha visto as habilidades de Chen Qingquan, e apesar de ser arrogante, era sincero; chegou a dar-lhe até o Coração do Oceano, então certamente não se importaria em oferecer algo mais valioso. Se disse que o livro seria útil, talvez realmente tivesse algum valor.
Wu Xiaorui abriu novamente o livro, fixando os olhos nas páginas. Desta vez, sentiu claramente os movimentos descritos penetrarem em sua mente, e uma corrente de energia circulando pelo corpo, preenchendo-o de força.
Somente quando cada movimento do livro se integrou completamente em seu corpo, Wu Xiaorui fechou o livro lentamente e lançou alguns socos no ar, percebendo que seus punhos estavam muito mais poderosos.
Apesar de querer continuar aprendendo, Chen Qingquan lhe dera apenas aquele volume; se tivesse oportunidade, pediria mais livros no futuro.
Nos últimos dias, Wu Xiaorui notou que sua sogra estava diferente: normalmente, batia e xingava-o, mas agora, olhava para ele com uma fúria assassina, sem nunca atacá-lo. Isso o deixava desconfortável sempre que cruzava com ela.
Agora, Wu Xiaorui ia pontualmente à empresa todos os dias. Se não passasse a trabalhar direito, muitos ali começariam a desprezá-lo.
— Hoje não me espere, minha mãe me ligou dizendo que há problemas em casa e pediu que eu voltasse logo — disse Luo Tianyi ao telefone, enquanto Wu Xiaorui trabalhava.
— Que problemas poderia ter? Certamente está reclamando de mim outra vez... Que sogra age dessa forma, sempre tentando separar o genro da filha — murmurou Wu Xiaorui, desligando rapidamente. Só se atrevia a falar assim consigo mesmo; se a família Luo ouvisse, quem sabe que infortúnio poderia lhe acontecer.
Como não havia muito o que fazer naquele dia, decidiu que, ao sair do trabalho, iria procurar Luo Tiande para beber um pouco e relaxar.
— Wu Xiaorui, ainda se lembra de mim? — Ao sair pela porta da empresa, foi interpelado por alguém.
Ao reconhecer o rosto, Wu Xiaorui não conseguiu conter a raiva. O responsável por tudo o que lhe acontecera, Sanque, o homem que sempre quis enfrentar, havia voltado a procurá-lo.
— Pode ficar tranquilo, nunca vou esquecer de você. A nossa dívida será acertada, pode apostar — respondeu Wu Xiaorui, encarando o sorriso arrogante de Sanque, pronto para finalmente acertar as contas.
— O quê? Não ouvi bem? Você quer acertar contas comigo? Pelo visto, da última vez não te deixei cego, mas seu cérebro ficou danificado — Sanque riu e ordenou aos seus comparsas que cercassem Wu Xiaorui.
— Olhem, tanta gente para atacar um só! — cochichava a multidão.
— Acho melhor chamar a polícia, senão esse rapaz não volta para casa hoje — sugeriu alguém.
— Que polícia, nada! Não estão vendo que é o Sanque? Se os policiais não conseguem pegá-lo, nós é que vamos ter problemas — respondeu outro.
O nome de Sanque era conhecido na região por suas más ações. Ele e seus irmãos já tinham ido muitas vezes ao presídio por brigas e tumultos. Por isso, era implacável e cruel em tudo o que fazia.
— Irmão Sanque, o que você quer, afinal? — perguntou Wu Xiaorui, fingindo ignorância, apenas para ganhar tempo e esperar pela chegada de Luo Tiande.
Ele sabia que, assim que aqueles homens vissem Luo Tiande, não ousariam fazer-lhe mal.
— Nada demais, só quero conversar. Vamos para um lugar mais tranquilo, onde possamos falar melhor — respondeu Sanque, que, apesar de ser capaz de qualquer coisa, não queria agir ali, diante de tantas testemunhas.
A missão era apenas dar uma lição em Wu Xiaorui; contanto que não o matasse, o resto não importava.
Wu Xiaorui também achava que brigar ali, ganhando ou perdendo, prejudicaria sua reputação diante de todos. Assim, seguiu Sanque até um beco.
— Vejo que é esperto. É o seguinte: meus sapatos estão sujos. Venha limpar com sua manga e talvez, se eu estiver de bom humor, pegue leve com você — Sanque disse, avançando com o pé.
Vendo que todos estavam armados, Wu Xiaorui aqueceu o corpo, decidido a testar as técnicas que aprendera no dia anterior. Aqueles homens seriam seus primeiros adversários.
— Se têm coragem, façam como da última vez. Quero ver se ainda são capazes disso — provocou Wu Xiaorui, esperando que agissem logo.
— Acho que esse rapaz ficou mesmo lesado. Nem sabe falar direito. Vamos mostrar quem manda aqui, senão ele vai achar que somos covardes — disse um dos comparsas de Sanque, fingindo aconselhar, mas desejando humilhar Wu Xiaorui.
Quando Wu Xiaorui se acalmou, sentiu a energia circulando dentro de si, quase pronta para explodir.