Capítulo Trinta e Nove: A Verdade

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2283 palavras 2026-03-04 20:10:31

Quando as vozes se afastaram e o silêncio voltou a reinar ao redor, a menina que até então permanecia imóvel moveu-se com cautela. Ao sentir que tudo estava seguro, sentou-se de súbito.

— Esta menina… Vamos ver se não… — murmurou De Terceiro, preparando-se para entrar e dar uma boa lição na pequena, como forma de punição.

— Calma, Terceiro. É melhor irmos embora agora, antes que ela perceba nossa presença — Wu Xiaorui agarrou o braço de De Terceiro, puxando-o para o lado e sussurrando.

— O que você quer dizer com isso, Wu? Se não a punirmos hoje, quem sabe quantos problemas ela ainda vai me causar? — De Terceiro, embora irritado, procurou manter a voz baixa.

— Na minha opinião, o erro de hoje foi seu. Por que uma criança fingiria estar doente? Ela só queria passar um tempo com vocês. E além disso, você mesmo disse que tinha prometido algo a ela e não cumpriu. Não é culpa sua? — Ao ouvir Wu Xiaorui explicar o motivo do fingimento da menina, De Terceiro ficou paralisado.

A raiva cedeu lugar à culpa — não dirigida a outros, mas a si mesmo, por ter deixado que os negócios o fizessem negligenciar a própria filha.

— Senhor Wu, peço desculpas pelo que disse antes. Fui rude e ainda o desafiei — Zhang, já homem de idade, desculpou-se com Wu Xiaorui, corando de vergonha.

— Não se preocupe, todos estamos preocupados, é natural ficarmos ansiosos — respondeu Wu Xiaorui com um sorriso, dissipando o constrangimento de Zhang.

— Você tem razão, Wu. Nunca imaginei que o erro seria meu, e de forma tão absurda — lamentou De Terceiro após longo silêncio.

— Não é um grande erro. Todos nós, tentando sobreviver, acabamos por vezes descuidando da família. Aproveite para compensá-la agora. Eu vou indo, e numa próxima oportunidade, farei questão de agradecer você como merece — disse Wu Xiaorui, percebendo que já não era útil ali e despedindo-se de De Terceiro.

Hoje não era um bom dia para sair de casa. Wu Xiaorui temia que algo mais pudesse acontecer. Já que não havia nada urgente na rua, preferiu retornar e descansar em seu lar.

Por mais que chamasse em casa, ninguém respondia. Nem mesmo a sogra, que adorava implicar com ele, estava por perto.

Mas para a mãe de Luo, ao saber que Wang Hai não havia feito nada contra Wu Xiaorui, certamente não teria coragem de permanecer em casa. Segundo Wang Hai, Wu Xiaorui agora não era alguém com quem se pudesse brincar. Sem certeza do que fazer, a sogra optou por esperar um tempo antes de encarar Wu Xiaorui novamente.

Com a casa vazia, Wu Xiaorui voltou ao próprio quarto e encontrou a cama meticulosamente arrumada por Luo Tianyi, ainda exalando o delicado perfume dela.

Sem ninguém por perto, deitou-se sem medo de ser descoberto. Aproximou-se com cuidado, sentou-se à beira da cama e, antes de se acomodar, deu um leve tapa no próprio pé, sentando-se em seu lugar habitual.

Já vira tudo de Luo Tianyi, mas mesmo assim pensamentos indecentes lhe cruzaram a mente. Repreendeu-se em silêncio, e então pegou o livro de práticas de energia.

Apesar de saber que o livro já não lhe era útil, sempre que o abria sentia uma excitação singular. Ficava ainda mais curioso sobre a relação entre seus olhos e os antigos manuscritos.

Se bastasse olhar para um texto antigo e absorvesse automaticamente o conteúdo, poderia aprender tudo o que quisesse. Só de pensar, Wu Xiaorui sentia o coração acelerar.

Após o almoço, finalmente ouviu vozes vindas do andar de baixo.

Surpreendeu-se ao perceber que a família estava toda reunida. Pelo conteúdo da conversa, sentiu-se irritado: saíram para um grande banquete sem sequer avisá-lo. Com o estômago já vazio e roncando, só pôde suspirar deitado na cama.

— Mãe! Mãe, o que houve? — ouviu-se de repente.

— Querida, o que está sentindo? Onde dói? — As conversas e risadas deram lugar a gritos de preocupação. Wu Xiaorui sentou-se rapidamente, tentando prestar atenção ao que se passava lá embaixo.

— Tianyi, não fique parada, chame logo uma ambulância! — a voz do pai de Luo soou alarmada.

Percebendo a gravidade, Wu Xiaorui guardou o livro e desceu correndo.

— O que aconteceu? — perguntou ao ver a sogra, já pálida e inconsciente, dirigindo-se a Luo Tianyi.

— Não se meta, vá embora! Não quero ver você aqui! — Luo Tianyi, longe de aceitar a preocupação de Wu Xiaorui, o repreendeu duramente.

— Tenho certeza de que isso é culpa sua! — acusou.

Wu Xiaorui sentiu-se injustiçado. Mal vira a família durante o dia e agora, diante de um problema, era apontado como culpado.

— Ela parece ter sido envenenada. Talvez tenha comido algo errado, ou algum caso de intoxicação alimentar. Mas para ter certeza, só com exames no hospital — avaliou o pai de Luo, após um exame rápido, visivelmente preocupado.

Wu Xiaorui concordou com o diagnóstico; afinal, o sogro tinha vasta experiência clínica e sua análise coincidia com o que ele próprio percebera.

Parecia estar relacionado ao que ela ingeriu durante a refeição. No estômago dela, Wu Xiaorui notou a presença de vitaminas, que tomava devido a feridas na boca.

Mas esses medicamentos não causariam tal quadro. O problema central foi o consumo excessivo de frutos do mar, especialmente camarão, o que provocou uma reação química com os medicamentos, gerando uma grande quantidade de toxinas que agora se espalhavam pelo corpo.

— Receio que não haja mais tempo. Se esperarmos pela ambulância, talvez não consigamos salvá-la — alertou Wu Xiaorui, preparando-se para agir.

— Saia daqui! Se não vai ajudar, ao menos não amaldiçoe! — Luo Tianyi o empurrou, tomada pela angústia.

Luo Tianyi não compreendia, mas o pai sabia: haviam acabado de comer, e logo em seguida a mãe perdera a consciência. Se as toxinas se espalhassem, nem mesmo ele poderia revertê-las no hospital.

— Você tem algum método? — o pai de Luo ignorou a hostilidade da filha. Para salvar a esposa, estava disposto a qualquer coisa.

Vendo o desespero dos familiares, Wu Xiaorui deixou escapar um leve sorriso no canto dos lábios.