Capítulo 99 – Por que os antigos mestres utilizam aplicativos de mensagens para se comunicarem?

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2514 palavras 2026-01-30 14:22:46

Falando nisso, eu fiquei tanto tempo mostrando meu rosto na frente daquele trapaceiro... Ele deve se lembrar de mim, certo? Quem sabe quando ele vai reunir o bando dele para vir atrás de mim na Cidade Universitária? Song Shuhang sacudiu a carteira cheia de dinheiro na mão, torcendo para que eles realmente viessem, assim ele poderia aproveitar para praticar os fundamentos do boxe direto na prática.

Combates reais sempre aprofundam a compreensão das técnicas. Embora, como cultivador, treinar com pessoas comuns fosse um pouco vergonhoso... mas, por ora, ele ainda não tinha um adversário à altura. Melhor é se tornar mais forte logo e procurar um oponente digno para treinar, não?

...

Depois de comer qualquer coisa para forrar o estômago, Shuhang foi até a casa do Alquimista, como de costume, ajudar o sênior a aperfeiçoar a Poção de Fortalecimento Corporal.

Desta vez, o Alquimista adicionou mais duas ervas comuns à receita, o que aumentou ligeiramente a quantidade final da poção. Quando terminaram o processo, já passava das quatro da tarde.

— Ótimo, meus pensamentos nos últimos dias estavam corretos. Em mais dois dias, consigo concluir a melhoria desta nova fórmula — disse o Alquimista, satisfeito. Depois, entregou a Shuhang a porção obtida da poção e uma pílula fedorenta.

— Obrigado, sênior — agradeceu Song Shuhang, recebendo os dois tesouros e recostando-se na cadeira para recuperar-se do cansaço do preparo.

— Além disso, amanhã pedirei à Ziyan que traga um artefato de controle de fogo. Vou te dar um tempo para se familiarizar com ele. Antes de eu deixar a região de Jiangnan, quero que tente preparar a nova fórmula com um caldeirão — disse o Alquimista, rindo.

Quando a fórmula da poção estivesse pronta, ele partiria de Jiangnan, por isso era bom aproveitar para fazer Shuhang se acostumar ao caldeirão.

— Sem problemas. Mas... o sênior vai partir tão cedo? — Shuhang ficou feliz em colaborar. Na verdade, só de ficar por perto do Alquimista, já aprendia muita coisa sobre alquimia, e esse conhecimento era um verdadeiro tesouro!

— Já estou aqui faz tempo. Se ficar mais, muitos virão atrás de pílulas, e isso é um aborrecimento sem fim — respondeu o Alquimista, anotando os dados do experimento no caderno, sem sequer levantar a cabeça. — E então, teve alguma dificuldade no cultivo nesses dias?

— Não, tudo correu bem — respondeu Shuhang, afinal, estava ainda na etapa mais básica da fundação de cem dias.

— Que bom. Lembre-se: se tiver qualquer problema, pergunte imediatamente no grupo. Não tente resolver tudo sozinho, ou pode por fim ao seu caminho como cultivador — advertiu o Alquimista com cautela.

— Sim, vou me lembrar, sênior. Ah, queria perguntar: quando os monges budistas realizam o ritual de libertação de almas, isso fortalece o corpo deles? — Shuhang se lembrou do monge estrangeiro do metrô.

Apesar de cada ritual oferecer apenas um pequeno fortalecimento físico, ainda era muito mais eficaz do que simplesmente correr.

— Agora que mencionou, é verdade, a cada alma libertada, o budista recebe um pouco do poder do mérito. No primeiro nível, isso realmente fortalece o corpo. Mas, para cultivadores de níveis superiores, não faz diferença. Por quê? Está com inveja e pensando em raspar a cabeça para entrar no budismo? No clima atual de busca por harmonia na sociedade, virar monge não é má ideia — brincou o Alquimista.

— Por favor, sênior, não brinque. Ainda quero arrumar uma namorada na faculdade — Shuhang fez um gesto de recusa, rindo. — Só queria saber se o Taoísmo tem algum método parecido de libertação de almas. Será que também fortalece o corpo?

— Deve ter, mas minha especialidade é alquimia. Não conheço muito das técnicas dos Cinco Elementos. Pergunte no grupo, talvez algum sênior conheça um método taoísta de libertação de almas — sugeriu o Alquimista, sorrindo. Sua seita sempre foi voltada para alquimia, e ele nunca precisou dessas técnicas, pois durante a fundação, as pílulas de energia vital eram fornecidas à vontade.

Shuhang assentiu em silêncio, mas não tinha pressa quanto a isso.

— Ah, sênior, durante a luta com o líder do culto, encontrei um monge estrangeiro — Shuhang contou resumidamente o ocorrido no metrô.

— Fiquei curioso com ele. Achei que teria algum método eficiente para resolver o problema do corpo do líder do culto no metrô. Mas, no final, ele simplesmente assumiu a responsabilidade — Shuhang comentou, entre divertido e contrariado.

— Ah, que sujeito interessante — o Alquimista riu. — Mas acho que você não precisa se preocupar. Se ele assumiu a culpa com tanta naturalidade, deve ter meios de se livrar depois. Atualmente, o mundo secular está se desenvolvendo rápido, e o mundo dos cultivadores penetra cada vez mais no dos comuns. Aposto que logo ele estará livre.

Com essa explicação, Shuhang sentiu-se mais tranquilo. Esperava que o monge estrangeiro estivesse bem.

Deveria ficar bem... A imagem do sorriso do monge, mostrando os dentes brancos ao ser preso, voltou à mente de Shuhang.

...

O Alquimista continuava a anotar rapidamente em seu caderno.

Shuhang aproveitou para achar um canto e praticar a Técnica Fundamental do Boxe Vajra e o Sutra da Meditação do Verdadeiro Eu. Na escola, tinha que procurar um lugar escondido e ainda corria o risco de ser visto.

Ali, na casa do Alquimista, era o local mais seguro para praticar.

Ao terminar, guiou o fluxo de energia vital até o ponto do coração, respirando fundo e sentindo-se revigorado.

Nesse momento, o Alquimista já havia terminado suas anotações. Ele fez um gesto de aprovação:

— Muito bom, já consegue controlar bem a quantidade de energia vital que guia até o ponto do coração. Sua fundação de cem dias está próxima de ser completada.

— Hehe — Shuhang sorriu timidamente.

O Alquimista, aproveitando um momento de folga, começou a explicar a Shuhang alguns conhecimentos fundamentais sobre cultivo e pontos de atenção importantes.

Durante a conversa, Shuhang finalmente fez uma pergunta que há tempos o incomodava:

— Sênior... tem uma coisa que sempre quis perguntar.

— O que é?

— Por que vocês usam aplicativos de bate-papo para se comunicar? Achei que, com as artes imortais, existisse algum tipo de transmissão de voz à distância ou outro método secreto de comunicação. Não seria mais elegante, seguro e reservado? — Shuhang perguntou. Pelo menos assim, não aconteceria o que ocorreu com ele, de entrar acidentalmente no grupo.

— Precisa perguntar? É porque é simples e prático! Estamos em pleno século XXI, por que usaríamos artes secretas limitadas à distância, se há ferramentas de comunicação modernas? Com um grupo de bate-papo, podemos conversar por texto, voz, vídeo, tudo fica registrado para consulta, ainda tem joguinhos para passar o tempo, tipo fazenda, caça-níqueis... Já os feitiços de transmissão à distância têm limite de alcance e, se usados por muita gente ao mesmo tempo, viram uma bagunça. Se fosse você, o que escolheria? — rebateu o Alquimista.

— ...

— É como comparar os tijolões antigos com os smartphones de hoje. Ambos servem para comunicação à distância, mas, se pudesse escolher, você sairia por aí com um tijolão pesado ou com um aparelho leve e multifuncional? Se escolher o tijolão, só posso dizer que gosta mesmo de complicar a vida.

— Sênior, faz todo sentido o que disse — Shuhang suspirou, sem palavras.

— Aliás, não esqueça de melhorar sua fazenda virtual. Esperar seus frutos amadurecerem está demorando séculos. E, se tiver tempo, trate de aprender a dirigir logo. Suas pílulas de energia vital estão acabando, então não recuse a oferta do Norte. Aceite a dura realidade — o Alquimista fechou o caderno e aconselhou Shuhang com seriedade.

Shuhang apenas ficou em silêncio.