Capítulo 99 – Por que os antigos mestres utilizam aplicativos de mensagens para se comunicarem?
Falando nisso, eu fiquei tanto tempo mostrando meu rosto na frente daquele trapaceiro... Ele deve se lembrar de mim, certo? Quem sabe quando ele vai reunir o bando dele para vir atrás de mim na Cidade Universitária? Song Shuhang sacudiu a carteira cheia de dinheiro na mão, torcendo para que eles realmente viessem, assim ele poderia aproveitar para praticar os fundamentos do boxe direto na prática.
Combates reais sempre aprofundam a compreensão das técnicas. Embora, como cultivador, treinar com pessoas comuns fosse um pouco vergonhoso... mas, por ora, ele ainda não tinha um adversário à altura. Melhor é se tornar mais forte logo e procurar um oponente digno para treinar, não?
...
Depois de comer qualquer coisa para forrar o estômago, Shuhang foi até a casa do Alquimista, como de costume, ajudar o sênior a aperfeiçoar a Poção de Fortalecimento Corporal.
Desta vez, o Alquimista adicionou mais duas ervas comuns à receita, o que aumentou ligeiramente a quantidade final da poção. Quando terminaram o processo, já passava das quatro da tarde.
— Ótimo, meus pensamentos nos últimos dias estavam corretos. Em mais dois dias, consigo concluir a melhoria desta nova fórmula — disse o Alquimista, satisfeito. Depois, entregou a Shuhang a porção obtida da poção e uma pílula fedorenta.
— Obrigado, sênior — agradeceu Song Shuhang, recebendo os dois tesouros e recostando-se na cadeira para recuperar-se do cansaço do preparo.
— Além disso, amanhã pedirei à Ziyan que traga um artefato de controle de fogo. Vou te dar um tempo para se familiarizar com ele. Antes de eu deixar a região de Jiangnan, quero que tente preparar a nova fórmula com um caldeirão — disse o Alquimista, rindo.
Quando a fórmula da poção estivesse pronta, ele partiria de Jiangnan, por isso era bom aproveitar para fazer Shuhang se acostumar ao caldeirão.
— Sem problemas. Mas... o sênior vai partir tão cedo? — Shuhang ficou feliz em colaborar. Na verdade, só de ficar por perto do Alquimista, já aprendia muita coisa sobre alquimia, e esse conhecimento era um verdadeiro tesouro!
— Já estou aqui faz tempo. Se ficar mais, muitos virão atrás de pílulas, e isso é um aborrecimento sem fim — respondeu o Alquimista, anotando os dados do experimento no caderno, sem sequer levantar a cabeça. — E então, teve alguma dificuldade no cultivo nesses dias?
— Não, tudo correu bem — respondeu Shuhang, afinal, estava ainda na etapa mais básica da fundação de cem dias.
— Que bom. Lembre-se: se tiver qualquer problema, pergunte imediatamente no grupo. Não tente resolver tudo sozinho, ou pode por fim ao seu caminho como cultivador — advertiu o Alquimista com cautela.
— Sim, vou me lembrar, sênior. Ah, queria perguntar: quando os monges budistas realizam o ritual de libertação de almas, isso fortalece o corpo deles? — Shuhang se lembrou do monge estrangeiro do metrô.
Apesar de cada ritual oferecer apenas um pequeno fortalecimento físico, ainda era muito mais eficaz do que simplesmente correr.
— Agora que mencionou, é verdade, a cada alma libertada, o budista recebe um pouco do poder do mérito. No primeiro nível, isso realmente fortalece o corpo. Mas, para cultivadores de níveis superiores, não faz diferença. Por quê? Está com inveja e pensando em raspar a cabeça para entrar no budismo? No clima atual de busca por harmonia na sociedade, virar monge não é má ideia — brincou o Alquimista.
— Por favor, sênior, não brinque. Ainda quero arrumar uma namorada na faculdade — Shuhang fez um gesto de recusa, rindo. — Só queria saber se o Taoísmo tem algum método parecido de libertação de almas. Será que também fortalece o corpo?
— Deve ter, mas minha especialidade é alquimia. Não conheço muito das técnicas dos Cinco Elementos. Pergunte no grupo, talvez algum sênior conheça um método taoísta de libertação de almas — sugeriu o Alquimista, sorrindo. Sua seita sempre foi voltada para alquimia, e ele nunca precisou dessas técnicas, pois durante a fundação, as pílulas de energia vital eram fornecidas à vontade.
Shuhang assentiu em silêncio, mas não tinha pressa quanto a isso.
— Ah, sênior, durante a luta com o líder do culto, encontrei um monge estrangeiro — Shuhang contou resumidamente o ocorrido no metrô.
— Fiquei curioso com ele. Achei que teria algum método eficiente para resolver o problema do corpo do líder do culto no metrô. Mas, no final, ele simplesmente assumiu a responsabilidade — Shuhang comentou, entre divertido e contrariado.
— Ah, que sujeito interessante — o Alquimista riu. — Mas acho que você não precisa se preocupar. Se ele assumiu a culpa com tanta naturalidade, deve ter meios de se livrar depois. Atualmente, o mundo secular está se desenvolvendo rápido, e o mundo dos cultivadores penetra cada vez mais no dos comuns. Aposto que logo ele estará livre.
Com essa explicação, Shuhang sentiu-se mais tranquilo. Esperava que o monge estrangeiro estivesse bem.
Deveria ficar bem... A imagem do sorriso do monge, mostrando os dentes brancos ao ser preso, voltou à mente de Shuhang.
...
O Alquimista continuava a anotar rapidamente em seu caderno.
Shuhang aproveitou para achar um canto e praticar a Técnica Fundamental do Boxe Vajra e o Sutra da Meditação do Verdadeiro Eu. Na escola, tinha que procurar um lugar escondido e ainda corria o risco de ser visto.
Ali, na casa do Alquimista, era o local mais seguro para praticar.
Ao terminar, guiou o fluxo de energia vital até o ponto do coração, respirando fundo e sentindo-se revigorado.
Nesse momento, o Alquimista já havia terminado suas anotações. Ele fez um gesto de aprovação:
— Muito bom, já consegue controlar bem a quantidade de energia vital que guia até o ponto do coração. Sua fundação de cem dias está próxima de ser completada.
— Hehe — Shuhang sorriu timidamente.
O Alquimista, aproveitando um momento de folga, começou a explicar a Shuhang alguns conhecimentos fundamentais sobre cultivo e pontos de atenção importantes.
Durante a conversa, Shuhang finalmente fez uma pergunta que há tempos o incomodava:
— Sênior... tem uma coisa que sempre quis perguntar.
— O que é?
— Por que vocês usam aplicativos de bate-papo para se comunicar? Achei que, com as artes imortais, existisse algum tipo de transmissão de voz à distância ou outro método secreto de comunicação. Não seria mais elegante, seguro e reservado? — Shuhang perguntou. Pelo menos assim, não aconteceria o que ocorreu com ele, de entrar acidentalmente no grupo.
— Precisa perguntar? É porque é simples e prático! Estamos em pleno século XXI, por que usaríamos artes secretas limitadas à distância, se há ferramentas de comunicação modernas? Com um grupo de bate-papo, podemos conversar por texto, voz, vídeo, tudo fica registrado para consulta, ainda tem joguinhos para passar o tempo, tipo fazenda, caça-níqueis... Já os feitiços de transmissão à distância têm limite de alcance e, se usados por muita gente ao mesmo tempo, viram uma bagunça. Se fosse você, o que escolheria? — rebateu o Alquimista.
— ...
— É como comparar os tijolões antigos com os smartphones de hoje. Ambos servem para comunicação à distância, mas, se pudesse escolher, você sairia por aí com um tijolão pesado ou com um aparelho leve e multifuncional? Se escolher o tijolão, só posso dizer que gosta mesmo de complicar a vida.
— Sênior, faz todo sentido o que disse — Shuhang suspirou, sem palavras.
— Aliás, não esqueça de melhorar sua fazenda virtual. Esperar seus frutos amadurecerem está demorando séculos. E, se tiver tempo, trate de aprender a dirigir logo. Suas pílulas de energia vital estão acabando, então não recuse a oferta do Norte. Aceite a dura realidade — o Alquimista fechou o caderno e aconselhou Shuhang com seriedade.
Shuhang apenas ficou em silêncio.