Capítulo 10 Um Pequeno Episódio nas Ruas
Durante muito tempo, Shu Hang ficou pensando, sentia que já ouvira o nome Bairro Luoxin em algum lugar, mas por mais que tentasse lembrar, não conseguia. Agora finalmente sabia: era aqui, no famoso paraíso dos apreciadores da gastronomia!
Mas havia algo estranho: Yu Rouzi, do grupo, tinha dito que o Bairro Luoxin ficava na Cidade J. Este lugar, porém, era na região de Jiangnan. Será que ela havia se confundido com o endereço? Ou talvez tanto a Cidade J quanto Jiangnan tivessem um Bairro Luoxin? Não seria surpreendente, afinal, nomes de cidades e condados raramente se repetem, mas nomes de vilas, bairros e distritos são frequentemente similares. Yu Rouzi certamente pretendia ir ao de Cidade J; dificilmente viria até Jiangnan.
Como estava apenas passeando para relaxar, Shu Hang decidiu não pensar mais nisso. Caminhava e comia ao mesmo tempo, explorando as ruas enquanto saboreava diversas iguarias. Não sabia quanto tempo havia passado, mas ao sentir-se cansado, comprou dois rolinhos de frango crocante e sentou-se em um banco na borda do bairro, destinado ao descanso.
Em frente ao local de descanso, ficava uma grande praça do Bairro Luoxin, movimentada e vibrante. O clima recém começava a esquentar, mas nada podia impedir o desejo das mulheres de se embelezarem. Por toda parte, viam-se blusas de alças brilhantes, tops mostrando o abdômen, minissaias, além de shorts de cintura baixa, sandálias de salto alto e pontas finas. Pescoços delicados, bustos atraentes, cinturas finas e pernas elegantes acrescentavam mil nuances à praça, multiplicando a beleza e o charme.
Sentado ali, era possível admirar uma infinidade de pernas longas reluzindo sob a luz. O local escolhido por Shu Hang era perfeito para observar belas mulheres — ao seu lado, três rapazes estavam seriamente avaliando as pernas das moças.
“Viu ali, no canto inferior da tela eletrônica, aquela de vestido vermelho? Que corpo, que pernas, no mínimo oitenta pontos”, disse o rapaz gordo de óculos grossos, apontando para a figura de vestido vermelho.
“Axu, seu critério precisa de mais prática. Setenta e três pontos, não mais. As pernas são longas, mas ela é um pouco magra demais. E a proporção das panturrilhas é um pouco curta, prejudicando a estética geral”, avaliou o rapaz bonito e radiante ao lado, com postura de especialista.
“É mesmo?” O gordo de óculos coçou a cabeça, observando com atenção e reconhecendo que o amigo tinha razão, embora não fosse fácil perceber sem olhar de perto.
“Acho que merece mais de setenta e sete pontos. Afinal, pernas assim são raríssimas na vida real. Não dá para comparar com celebridades ou modelos da internet”, opinou o rapaz de cabelo curto, recostado de modo preguiçoso.
Ao ouvir tudo isso, Shu Hang não pôde evitar olhar na direção indicada pelo gordo de óculos. Ali, uma mulher de vestido vermelho justo caminhava apressada, usando sandálias de cristal nos pés esguios.
Só quem tem confiança no próprio corpo ousa vestir um vestido tão justo. Shu Hang não era um admirador de pernas, mas admitia que a mulher era realmente bonita; suas pernas eram longas e alvas, e ela claramente cuidava bem delas. Dizem que homens, quando jovens, olham o rosto; depois, o busto; só os maduros apreciam as pernas. Shu Hang sentia que ainda não era um homem maduro — pernas não lhe despertavam interesse. Mesmo diante de tantas pernas brancas, não sentia vontade de avaliá-las como os amigos ao lado.
Não compreendia de forma alguma a obsessão de seus colegas por celebridades estrangeiras de pernas longas. Ora, pernas, todo homem tem. As das mulheres são apenas mais claras e suaves, nada de especial. Se os amigos soubessem desse pensamento, certamente o ridicularizariam.
“Olha, cem pontos! Cem pontos!” exclamou o gordo de óculos, empolgado, elevando a voz involuntariamente.
“Onde?” perguntou o rapaz radiante. O critério do gordo não era dos melhores, mas ainda tinha algum discernimento. Cem pontos era uma nota que não se dava facilmente.
O rapaz de cabelo curto, intrigado, sentou-se direito, acompanhando o olhar do amigo.
Ainda sob a tela de LED, uma figura graciosa e esguia apareceu na esquina, puxando uma mala enorme sem demonstrar esforço algum.
Seus cabelos negros caíam até a cintura, como uma cascata esvoaçando ao vento. Era alta, e mesmo usando apenas tênis esportivos, suas pernas se destacavam em relação às demais pessoas ao redor. Um passo seu equivalia a dois ou três dos outros.
Era o molde perfeito de protagonista de cinema — mesmo parada entre a multidão, transmitia uma sensação de destaque. Naturalmente, era o foco dos olhares.
A bela de cabelos negros caminhava rápido, logo alcançando a mulher de vermelho recém avaliada pelos rapazes. Tudo o que é perfeito, isolado, talvez não chame tanta atenção; mas quando comparado, brilha ainda mais.
Naquele instante, a mulher de vermelho tornou-se coadjuvante. Ao passar ao lado dela, as pernas das duas revelaram um contraste evidente, realçando ainda mais a beleza da mulher de cabelos negros.
“Axu, não há discussão. Cem pontos, sem dúvida”, o rapaz radiante levantou-se, bateu o pó da roupa e ajeitou o cabelo.
“O que vai fazer?” perguntou o de cabelo curto.
“Vou abordá-la! Uma mulher perfeita assim é única na vida. Seja bem-sucedido ou não, preciso tentar, senão vou me arrepender para sempre”, sorriu, exibindo dentes brancos que brilhavam ao sol. Ele realmente tinha talento para conquistar garotas, era um vencedor nato — bonito e radiante.
Se não conseguisse, nada perderia; se conseguisse, ganharia muito. Uma situação sem riscos, por que não tentar?
Um verdadeiro homem, nessas horas, não teme o constrangimento e deve agir com coragem!
Então, o rapaz radiante se lançou entre as pessoas, tentando alcançar a bela de cabelos negros.
Menos de dois minutos depois, voltou cabisbaixo.
“Falhou? Tão rápido?” perguntou o gordo de óculos, surpreso. Mesmo sabendo que as chances de sucesso eram baixas, seu amigo era um pouco atraente e comunicativo; tão rápido assim? No mínimo, deveria conversar mais com ela.
“Não tive chance. As pernas daquela mulher são tão longas, ela anda tão rápido. Cada passo dela equivale a vários meus. Mesmo correndo, não consegui alcançá-la”, lamentou o rapaz radiante, quase chorando.
O de cabelo curto ficou sem palavras.
Shu Hang quase se engasgou de tanto rir. Aqueles três eram realmente divertidos.
Mas, de fato, as pernas da bela de cabelos negros eram impressionantes.
Hoje em dia, com a internet, há uma infinidade de belas mulheres, e as pessoas já se cansaram desse padrão estético.
Mas o ouro verdadeiro não teme o fogo: uma beleza realmente única sempre atrai olhares.
Como aquela bela de cabelos negros — bastava vê-la uma vez para que a imagem ficasse gravada na memória, impossível de esquecer tão cedo.
Encontrar uma bela mulher era apenas um pequeno episódio em seu passeio.
Após descansar um pouco, Shu Hang levantou-se para continuar explorando.
“Vou comprar algumas guloseimas para levar de volta”, pensou. Quando ficou resfriado, seus colegas cuidaram dele, então, visitando o paraíso da gastronomia, não podia deixar de trazer algo para eles.
Não sabia ao certo o que gostavam, então decidiu comprar um pouco de tudo.