Capítulo 89 O Monge Estrangeiro, Brilhando!

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 3608 palavras 2026-01-30 14:22:39

— Hehe, por que eu deveria me preocupar com a minha reputação? Aparência, honra... essas coisas não matam a fome. Além disso... — Song Shuhang apontou para a própria boca, numa posição em que o monge estrangeiro não podia ver, e com um movimento silencioso dos lábios, disse ao líder: — Eu não sou um mestre, sou apenas um estudante universitário comum. As informações que seus subordinados descobriram estão corretas.

Song Shuhang sempre acreditou que mentir era errado.

Mas vivendo neste mundo, é inevitável que às vezes se tenha que mentir, como em casos de mentiras piedosas — impossível evitar por completo.

Ainda assim, Song Shuhang pensava que mesmo as mentiras para o bem, quando chegava o momento de revelá-las, era melhor explicar para os outros. Agir com sinceridade era o princípio básico da confiança entre as pessoas!

O líder tremeu intensamente, a parte superior do corpo estremecendo, e cuspiu sangue de raiva.

— Eu te amaldiçoo... eu te amaldiçoo! Vou me transformar em um espírito vingativo, te perseguirei por toda a eternidade para cobrar a tua dívida! — O líder, num último lampejo de energia, gritou em desespero.

Após o grito, sua vida se extinguiu.

O líder — tombou!

— Será que desta vez morreu de verdade? — Song Shuhang permaneceu onde estava por um tempo, esperando para sentir se havia perigo. Quando se convenceu de que não havia, segurando o talismã, aproximou-se do corpo do líder.

Desta vez, ele estava realmente morto, sem chance de ressuscitar.

Mas por precaução, Song Shuhang ergueu sua espada negra e, numa única investida, decapitou o líder.

Jiang Ziyan havia lhe alertado: os cultivadores têm muitos métodos para escapar da morte, por isso, para garantir que o inimigo está realmente morto, destruir o corpo é o melhor. Se o adversário for um cultivador de segundo nível, cortar a cabeça normalmente resolve.

A espada passou sem deixar marcas, sem sequer tocar o sangue.

Song Shuhang suspirou em silêncio. Em apenas dois dias, já havia decapitado duas pessoas. Desta vez, não utilizou a Meditação Verdadeira, mas se manteve firme apenas com sua força de vontade.

Ele sabia que não poderia depender sempre da Meditação Verdadeira; o caminho do cultivador era longo, e certas coisas ele precisava aprender a enfrentar por si mesmo. Depender excessivamente de ferramentas externas só o tornaria fraco.

E os fracos, aqueles com espírito vacilante, não iriam longe no caminho do cultivo.

O líder foi o segundo cultivador a morrer pelas mãos de Song Shuhang. Assim como o primeiro, o homem de braços longos, embora mortos, suas memórias permaneceriam vivas na mente de Song Shuhang por muito tempo. Não seriam eternos, mas...

O caso do espírito vingativo e do líder estava, por ora, encerrado.

Por algum tempo, ninguém mais tentaria tomar seu espírito.

Com a morte do líder, seus subordinados ficaram como uma tropa sem comando. Isso seria suficiente para deixá-los em caos por um bom tempo, incapazes de causar qualquer alarde.

Além disso, os únicos que sabiam que o líder havia ido à Cidade Universitária de Jiang por causa do espírito de Song Shuhang eram o próprio líder, o homem de braços longos e o assassino que invadiu o quarto de Song Shuhang. Os três estavam mortos, então nenhum dos subordinados conhecia a ligação entre o líder e Song Shuhang.

Mesmo que quisessem vingar o mestre, não saberiam como encontrá-lo tão cedo.

E, com o passar do tempo... esses subordinados deixariam de ser ameaça para Song Shuhang. Então, mesmo que eles não o procurassem, Song Shuhang poderia ir atrás deles!

Ele carecia de alvos para treinar, e essa turma marcada com placas de garras de besta seria perfeita para seus exercícios práticos. Além disso, poderia eliminar inimigos e, talvez, obter algum saque — três vantagens de uma vez!

— No fim, o bem e o mal sempre recebem o que merecem — murmurou Song Shuhang, tirando o elixir de dissolução de cadáveres e derramando um pouco sobre o corpo do líder.

O cheiro penetrante se espalhou... As roupas do líder foram completamente dissolvidas — mas seu corpo não foi afetado pelo elixir.

— Então esse negócio só dissolve o corpo de cultivadores de primeiro nível? Achei que era um tesouro valioso.

Isso era um problema, deixar um corpo despedaçado desse jeito. Mesmo com as câmeras destruídas, o cadáver chamaria a atenção dos policiais.

Song Shuhang ficou preocupado.

Nesse momento, o monge estrangeiro falou:

— Mestre, está preocupado com o cadáver deste sujeito?

— Você pode resolver isso? — Song Shuhang virou-se, sorrindo gentilmente, mantendo-se com ares de sábio.

O monge ergueu o polegar:

— Deixe comigo, mestre! Eu cuido disso, pode confiar!

— Já que você diz isso, então agradeço pela ajuda, vou lembrar deste favor — Song Shuhang relaxou.

— Não diga isso, mestre! Minha vida foi salva por você, isso aqui é só um pequeno serviço! — O monge estrangeiro exalava confiança, como se lidar com cadáveres e problemas no metrô fosse uma trivialidade.

Sua atitude fez Song Shuhang lembrar das organizações misteriosas que apareciam em romances online: Equipe Dragão, Liga dos Cultivadores, essas coisas grandiosas. Talvez aquele monge pertencesse a uma dessas organizações? Talvez tivesse um livrinho vermelho secreto e, caso os policiais aparecessem, bastava mostrá-lo para resolver tudo!

Pensando assim, Song Shuhang deu alguns passos e pegou a pequena caixa preta do líder.

Seu instinto dizia que havia algo valioso ali.

Com a caixa em mãos, retornou ao lado da família da menina, sentando-se ali.

Calculando o tempo, os passageiros logo despertariam do desmaio.

...

...

Naquele momento, o monge estrangeiro se aproximou do cadáver do líder, uniu as mãos:

— Só quando todos forem salvos, alcançarei a iluminação; enquanto houver sofrimento, não me tornarei Buda.

Era o grande voto de Ksitigarbha, que parecia agradar muito ao monge.

Logo, ele sentou-se em posição de lótus ao lado do corpo do líder e começou a recitar o Sutra da Salvação de Ksitigarbha. Com o cântico, uma luz intensa de mérito envolveu-o novamente.

Próximo ao corpo e nos vagões à frente, alguns espíritos começaram a ser salvos pelo monge.

À medida que os espíritos eram conduzidos, uma força misteriosa dividia-se em três e recaía sobre o monge.

De repente, sua luz de mérito tornou-se mais sólida; seu poder espiritual expandiu-se; seu corpo físico também se fortaleceu!

Song Shuhang arregalou os olhos — salvar almas, além de tudo, dava esse efeito? Fortalecendo corpo, mente e mérito simultaneamente!

Não era tão eficiente quanto tomar elixir de fortalecimento ou praticar técnicas de base.

Mas era cem vezes melhor que correr ou fazer exercícios comuns!

— Devo perguntar ao Mestre Farmacêutico se existe método semelhante entre os cultivadores taoístas, capaz de aumentar o poder espiritual e físico — pensou Song Shuhang.

Agora ele entendia melhor por que, antigamente, tantos monges virtuosos surgiam. Realizavam rituais de salvação de almas, sem cobrar nada, e até procuravam almas para salvar. Se não lhes permitissem ajudar, ficavam frustrados. Provavelmente eram verdadeiros discípulos da tradição budista.

Enquanto refletia, os passageiros começaram a acordar.

Todos lembravam de um pesadelo terrível, mas a segunda metade do sonho parecia ter se tornado pacífica.

— O que aconteceu?

— Lembro que o monge voltou ao vagão, e depois tudo ficou escuro, não sei de mais nada.

— Onde está o monge?

Entre conversas confusas, logo perceberam o monge estrangeiro... e, ao lado dele, o corpo do líder, esquartejado em cinco partes.

Silêncio... espanto.

Logo, gritos de terror.

— Tem um morto! Tem um morto!

...

...

— Aaaah! — Os passageiros próximos à porta correram para abri-la manualmente, e sem se importar com o que havia do lado de fora, saíram gritando.

Alguns vomitaram de imediato, outros desmaiaram novamente.

Se fosse apenas um cadáver comum, todos estariam acostumados com notícias e não se assustariam tanto. Mas dessa vez era diferente: alguém esquartejado em cinco partes! Um horror.

Ao mesmo tempo, gritos vinham do vagão à frente. Lá estavam os corpos de dois subordinados do líder, devorados por espíritos, em estado deplorável. Isso também fez os passageiros fugirem em pânico.

Ao lado de Song Shuhang, o pai de camisa branca, a mãe jovem e a menina também despertaram.

O pai não correu de imediato, mas olhou para Song Shuhang com respeito e perguntou baixinho:

— Jovem, podemos sair agora?

Sentia que aquele rapaz era alguém especial; lembrava do momento em que Song disse “é tarde”, e pediu que ficassem ao seu lado. Depois, todos desmaiaram...

— Podem sair, o resto não nos diz respeito — Song Shuhang sorriu, pegando a caixa preta e saindo do vagão, evitando cuidadosamente as câmeras.

Antes de entrar novamente na área monitorada, teria que disfarçar bem a caixa preta.

Não podia subestimar a tecnologia atual; talvez a polícia encontrasse pistas graças àquela caixa!

O pai de camisa branca pegou a filha e também saiu, misturando-se à multidão em pânico, rumo à plataforma distante.

Antes de partir, lançou um olhar cauteloso à caixa preta nas mãos de Song Shuhang.

Lembrava que, quando chegaram juntos, Song não carregava aquela caixa... Mas, sendo esperto, não faria qualquer comentário sobre o assunto.

...

...

No metrô caótico,

Os funcionários esforçavam-se para acalmar os passageiros, evitando tragédias maiores.

Logo, a polícia chegou.

Em seguida, os jornalistas também apareceram.

Na televisão do metrô, começou a transmissão ao vivo do acidente.

Nas imagens, os policiais prendiam um monge estrangeiro careca.

— Sim, fui eu quem fez tudo. Os três mortos fui eu que matei, admito. Não tive cúmplices, podem ficar tranquilos, só eu! Não vou resistir, podem me prender! Mas... o acidente do trem não tem nada a ver comigo, de verdade! — O monge falava um mandarim impecável, e deixou-se algemar, com expressão generosa.

Sim, ele foi preso.

Não havia livrinho vermelho, nem Equipe Dragão, nem forças especiais.

Apesar de sua confiança, no fim, sua solução era assumir toda a culpa como bode expiatório?

Antes de entrar no carro policial, diante das câmeras, o monge ergueu o polegar, mostrando os dentes brancos.

Ping! Os dentes refletiram a luz do sol, brilhando intensamente!

— Mestre, nunca revelarei sua identidade; assumirei tudo sozinho!

Naquele momento, o monge irradiava uma luz tão intensa quanto a de um santo, impossível de encarar diretamente.