Capítulo 18: Encontrando um Velho Amigo em Terra Estranha

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2979 palavras 2026-01-30 14:21:43

Do outro lado da linha, um homem segurava o telefone; seu rosto era indiferente, mas a mão que apertava o aparelho tremia levemente. Sessenta anos haviam se passado e ele sabia que o antigo proprietário do Mosteiro da Lâmpada Fantasma era extremamente poderoso, dificilmente morreria com facilidade. Ainda assim, depois de tanto tempo, talvez aquele dono já não se importasse mais com aquele lugar?

Por isso, começou a agir, arquitetando formas de romper silenciosamente o selo ao redor do Mosteiro da Lâmpada Fantasma, na esperança de tomar para si o que havia lá dentro.

Mas, para sua surpresa, alguém apareceu no fim das contas.

— Maldição! — rosnou o homem entre dentes cerrados.

*********

Ao sair do hotel, Shuhang e Yurouko começaram a passear pelas ruas de Luoxin. Não encontraram velhos conversando em grupo, mas depararam-se com algo ainda mais interessante: cinco bêbados tarados.

No trem, ele não presenciou nenhuma cena de “fatalidade feminina”, mas, ao chegar em Luoxin, acabou envolvido num episódio típico de bêbados que, embriagados, se deixam levar pela luxúria.

Era uma rua pouco movimentada, e os cinco bêbados, cambaleando, barraram o caminho de Song Shuhang e Yurouko. Os olhos deles, avermelhados, fitavam Yurouko com cobiça.

O álcool dá coragem aos heróis, mas também aos covardes. Sob a influência da bebida, não é de se estranhar que alguém faça qualquer loucura: beijar uma porca, morder um cachorro, ou até brigar com um cão.

Nenhum daqueles bêbados jamais vira uma garota tão linda. Ao avistar Yurouko, os olhos deles simplesmente não conseguiam se desviar.

“Caramba, essa mulher parece uma deusa. Se eu pudesse tê-la ao menos uma vez, aceitaria até viver dez anos a menos!” Era o que pensavam, e, encorajados pela embriaguez, cercaram os dois.

Do que temeriam? No máximo, ficariam alguns anos na prisão.

Essa era a ignorância de quem desconhece a lei. Tinham ouvido, vagamente, durante conversas, que forçar uma moça resultaria em alguns anos detidos. Achavam que ainda estavam em tempos antigos, ou talvez pensassem que estavam na Índia.

Hoje em dia, um crime desses pode render prisão perpétua, e, se agravado, basta um amendoim para resolver.

Shuhang, ao ver a cena, não sabia se ria ou chorava. Alongou os músculos, preparando-se para agir.

Sua habilidade de luta era razoável... normalmente conseguia enfrentar três ao mesmo tempo com facilidade, e esses cinco bêbados magrelos eram ainda mais fracos.

Contra adversários assim, ele poderia enfrentar dez sozinho, antes de cair de exaustão!

Mas, quando se preparava para mostrar suas habilidades, um vento cortante passou por seus ouvidos.

Então, diante dele, viu um par de pernas longas se movendo com velocidade fulminante, desferindo chutes como uma borboleta dançando entre flores — um espetáculo belo e, ao mesmo tempo, assustador. O impacto das pernas no ar soava como estalos de chicote.

Os cinco bêbados gritaram de dor, voando pelo ar, caindo ao chão e tremendo descontroladamente, vomitando até perderem a consciência.

Caíram em poucos segundos? Ou menos do que isso!

Shuhang virou-se e viu Yurouko recolhendo as pernas longas — simplesmente impressionante!

Comparado a ela, sua técnica parecia de um amador.

Observando os bêbados desacordados, Shuhang lembrou dos delinquentes que caíram em massa em frente à escola. Supondo, apenas supondo, se Yurouko tivesse usado aquela força naquele dia, talvez teria derrubado aqueles setenta ou oitenta delinquentes em poucos minutos.

Mas, naquela ocasião, ela ainda estava no avião.

Será que foi mesmo aquela Su Dezesseis do Clã Su do grupo que fez aquilo? Será que todos do grupo possuíam força de combate além dos limites?

— Não os matou, né? — perguntou Shuhang, preocupado.

— Fique tranquilo, senhor, sei me controlar. No máximo, eles ficam desacordados por dois dias, depois acordam. Esse tempo é ideal — se fosse três dias, sem comer ou beber, poderia ser arriscado —, respondeu Yurouko.

A resposta o fez perceber algo: talvez os delinquentes desacordados há tanto tempo também só não haviam despertado porque os dois dias ainda não se passaram.

— Vamos, senhor — disse Yurouko, sorrindo.

Shuhang assentiu, um tanto atordoado, e seguiu Yurouko para longe da cena.

**********

Quando ambos se afastaram, de um canto na mesma rua, um homem de passos firmes aproximou-se dos cinco bêbados caídos.

— Bêbados são fracos demais, nem servem para testar a força real do adversário — suspirou ele.

Atrás do homem, um sujeito de preto ajoelhou-se, dizendo em voz baixa:

— Mestre, quer que mandemos alguns homens para testar?

— Não é necessário. Eles, bêbados, são apenas civis, por isso ela pegou leve. Se fossem dos nossos, não haveria misericórdia. Cada um dos meus homens custa caro para treinar, até o mais comum exige investimento de mais de cem mil dólares. Não são descartáveis — respondeu o mestre, sério.

Aquela mulher mal teve que se esforçar para derrubar os cinco bêbados, e já se podia notar sua força. Aqueles chutes que cortavam o ar e o controle dos movimentos não eram coisa de um artista marcial iniciante.

Ela já era uma cultivadora de qi!

Não era alguém que seus subordinados pudessem enfrentar.

E, além dela, havia um “senhor” ao seu lado, cuja força era insondável, difícil de avaliar até para ele próprio.

Aquele homem poderia exterminar todos os seus melhores homens com facilidade, não importando quantos fossem.

Na verdade, ele estava assustado.

— Só nos resta aguardar a oportunidade — murmurou o mestre.

No fundo, já havia perdido a esperança de obter o tesouro do Mosteiro da Lâmpada Fantasma — restava apenas um resquício de teimosia.

Yurouko e Shuhang continuaram vagando por Luoxin por mais algum tempo. Chegaram a encontrar um idoso de cerca de cinquenta anos, mas ninguém conhecia o Mosteiro da Lâmpada Fantasma.

Shuhang sentia dor de cabeça; não esperava que encontrar um templo seria tão difícil.

— Yurouko, tem certeza de que o Mosteiro da Lâmpada Fantasma fica no bairro Luoxin da Cidade J?

— Absoluta. E não errei o nome, tenho certeza! Fantasma de fantasma, lâmpada de lanterna! — respondeu ela, convicta. — Minha mãe esteve aqui quando estava grávida de mim. Na época, só podia observar o mundo exterior graças à magia do meu pai, então só me lembro da placa de madeira do Mosteiro da Lâmpada Fantasma.

A primeira parte fazia sentido para Shuhang, mas o resto já era demais para ele. Percebeu que seus pensamentos definitivamente não estavam no mesmo nível que os dela.

— Tem algum outro detalhe do local? Fica no topo de uma montanha? Meio do morro? Ou perto de um rio? — perguntou ele.

— Não é na montanha, deve ser em terreno plano. Fora isso, não lembro de mais nada — disse Yurouko, envergonhada.

— Alguma notícia do senhor Beihe?

Yurouko pegou o celular, conferiu e sorriu:

— O senhor Beihe apareceu!

No grupo Nove Continentes, Canal Um:

Mestre Beihe: “Yurouko, já encontrou o Mosteiro da Lâmpada Fantasma?”

— Ainda não, senhor. O senhor tem novidades? — respondeu ela, animada.

Mestre Beihe: “Desculpe, perguntei a alguns colegas, mas todos que conheço estão no leste do país e ninguém sabe nada sobre a Cidade J.” Em seguida, enviou um emoji de sorriso constrangido. “Aliás, apareceu um sujeito muito encrenqueiro por aqui e ainda estou tentando me livrar dele. Acho que não poderei ajudar mais por enquanto.”

— Não se preocupe, senhor, cuide dos seus assuntos — Yurouko respondeu com um sorriso.

Ao ver a mensagem, Shuhang só pôde pensar que o Mestre Beihe era realmente um homem pouco confiável. Quando não precisava dele, estava sempre online; quando precisava de verdade, logo surgia algum problema.

— Senhor Song, vamos contar só conosco! — Yurouko fez um gesto de incentivo.

Restava confiar apenas nos dois mesmos, então Shuhang começou a planejar o próximo passo.

Enquanto conversavam, uma fileira de faróis ofuscantes se acendeu à frente. Várias motocicletas coloridas avançavam em alta velocidade, os roncos dos motores ecoando pela rua — eram, claramente, motos turbinadas.

— Gangue de motoqueiros? Em pleno século XXI? — murmurou Shuhang, puxando Yurouko para a calçada.

Ao ouvir “gangue de motoqueiros”, os olhos de Yurouko brilharam.

— Vamos derrubá-los? — perguntou, animada.

— O quê? — Shuhang não entendeu.

— Não é para colocar esse tipo de gente na prisão? Se batermos neles, podemos entregá-los à polícia! — Yurouko esfregava as mãos, pronta para agir.

Ele ficou sem palavras diante de tamanha lógica.

Mas, no fim, Yurouko não agiu.

Quando as sete ou oito motos passaram por eles, uma delas freou bruscamente, girou de maneira elegante e parou ao lado de Shuhang.

O capacete se abriu, revelando um rosto bonito, de sobrancelhas marcantes e olhos brilhantes.

— Shuhang! O que você está fazendo por aqui?