Capítulo 42: O Mestre do Templo Apavorado
— Você está certo. Ao optar por ser um cultivador solitário, no início é preciso de muitas coisas do mundo secular. No futuro, sejam equipamentos de treinamento para o cultivo, locais adequados, ou até mesmo ervas medicinais que qualquer pessoa pode comprar, tudo exigirá uma grande quantidade de dinheiro comum. Entre os pilares do cultivo, riqueza, companheiros, métodos e território, a riqueza está sempre em primeiro lugar — disse o alquimista, rindo. Claro, por riqueza, ele não se referia apenas ao dinheiro comum, mas a tesouros naturais, ervas raras, elixires de alta qualidade, armas mágicas e artefatos.
— Não sei como os outros do grupo obtêm seus recursos, mas posso lhe ensinar alguns métodos para ganhar dinheiro. Afinal, para mim, o dinheiro secular já não faz diferença — continuou o alquimista, sorrindo. — Quando conseguir estabelecer sua base de cultivo, vou lhe ensinar a criar alguns elixires que não servem para cultivadores, mas são extremamente úteis para pessoas comuns. Então, eu o levarei a ganhar dinheiro e a voar alto.
Os olhos de Song Shuhang brilharam imediatamente.
— Preciso ajudá-lo em algo, senhor? — Song Shuhang sabia do costume do grupo: sempre há troca, nada é dado de graça. Mesmo ontem, quando Beihe ofereceu-lhe a técnica de base, foi como um adiantamento.
— Haha, já está acostumado com as trocas do grupo? — respondeu o alquimista, rindo. — Na verdade, quando estabeleci esse canal de renda, o objetivo principal não era o dinheiro, mas obter, todos os anos, vinte tipos de ervas especiais do fundo do mar. Bem... daqui a algum tempo, vou lhe ensinar a preparar um desses elixires interessantes. Você ficará responsável por produzir para negociar com eles. Em troca, todos os anos, você me entrega vinte tipos de ervas e quarenta por cento do dinheiro obtido. Os outros sessenta por cento ficam como pagamento pelo seu trabalho. Os detalhes, discutiremos quando você alcançar o estágio de base.
Song Shuhang não fazia ideia de quanto era esse sessenta por cento, mas aceitou com entusiasmo.
Os dois conversavam enquanto caminhavam.
Logo chegaram ao mesmo beco da rua Da Ji, onde Song Shuhang salvou a jovem no dia anterior.
— Hmm? — O alquimista parou abruptamente.
De repente, ele se virou e olhou para o fundo do beco, com um olhar afiado como uma lâmina, capaz de penetrar qualquer alma.
— O que houve, senhor? — perguntou Song Shuhang, intrigado.
Após um instante, o alquimista sorriu e respondeu:
— Nada, apenas alguns parasitas indesejáveis. Sempre que saio, alguém manda jovens me seguir. Uns querem se aproximar para pedir elixires, outros apenas querem me ver buscar ervas raras e tentar pegar algum resto. Por causa desses tolos, sempre que encontro um campo de ervas, até a mais comum eu transplanto; não deixo nada para eles!
Então, o alquimista era como um radar de tesouros ambulante? Sempre encontrava lugares com ervas? Não à toa, havia quem o seguisse para tentar pegar algum resto.
E era evidente que o alquimista nutria uma grande antipatia por esses seguidores.
...
No fundo do beco, uma figura debilitada apoiava-se na parede, com as mãos trêmulas tirando um cigarro e acendendo-o em silêncio. Ele exibia um sorriso amargo característico — um sorriso tão triste, que parecia amargar até quem estivesse a centenas de quilômetros.
Era o mestre do altar, cuja vida poderia render um romance trágico.
— Que presença assustadora... Isso é a diferença de qualidade do verdadeiro qi — murmurou.
No instante em que o alquimista o encarou, ele sentiu que quase morreu.
O mestre do altar seguira os rastros de Song Shuhang até Jiangnan, pois desejava obter o espírito fantasma; tanto Song Shuhang quanto Yuruzi possuíam um.
Mas o de Yuruzi era impossível. Aquela moça viera de longe só para pegar o espírito fantasma, determinada a consegui-lo. Além disso, era poderosa e rica; o mestre do altar sabia que, mesmo se se ajoelhasse e entregasse tudo, ela sequer o olharia. Era impossível obter o espírito dela.
E quanto a tomar à força? Ele nem considerava a hipótese. Sentia que, mesmo dez dele juntos, não seriam páreo para ela.
Já o misterioso "senhor Song" parecia não se importar com o espírito fantasma. De fato, só o aceitou após três pedidos de Yuruzi. Talvez, por ser poderoso, não se interessasse por tal coisa. Assim, talvez houvesse uma chance de negociar.
Com esperança, o mestre do altar mandou seus subordinados seguir Song Shuhang, recolhendo informações, para descobrir o que o senhor Song poderia desejar e, assim, tentar trocar pelo espírito.
Um dia depois, o perfil de Song Shuhang chegou às suas mãos.
Song Shuhang, masculino, dezoito anos. Calouro do curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Jiangnan, turma 43 do Instituto de Design e Fabricação Mecânica, formado na Primeira Escola Linluo.
Atualmente reside na Cidade Universitária de Jiangnan.
Um jovem absolutamente comum, com ficha limpa e reputação de estudante prestativo.
Ao ler o perfil do "senhor Song", o mestre do altar ficou completamente atônito.
Estava enganado? Era uma ilusão? Seria mesmo o currículo de um "cultivador", ou apenas de um estudante universitário comum?
— Esse perfil é falso? — pensou imediatamente.
Passou meio dia analisando o documento. Na foto, o rapaz sorria gentilmente, sem dúvida era o mesmo "senhor Song".
O mestre do altar ficou parado, segurando o perfil, mergulhado em pensamentos turbulentos.
No fim, decidiu seguir Song Shuhang pessoalmente.
Precisava confirmar se as informações estavam corretas: Song Shuhang era um cultivador poderoso ou apenas um mortal?
Se o "senhor Song" fosse apenas um mortal, recuperar o espírito fantasma seria fácil.
Na época, jurou que, se Song Shuhang fosse mortal, o faria sofrer: arrancaria sua pele, extraíria seu espírito e o transformaria em um fantasma vingativo — só assim aliviaria o terror que sentia há dias.
Assim, foi pessoalmente à Cidade Universitária de Jiangnan.
Chegando lá, viu Song Shuhang acompanhado de um rapaz de aparência extravagante.
Seguiu-os com cautela, tentando ao máximo ocultar sua presença. Afinal, sem saber se Song Shuhang era um cultivador ou um simples mortal, precisava agir com prudência.
Sentia-se confiante, pois Song Shuhang e o rapaz não perceberam sua presença.
Decidiu observar Song Shuhang por alguns dias antes de tentar algo, para descobrir se era humano comum ou cultivador.
Mas, justo quando se sentia seguro em seu disfarce, o rapaz extravagante virou-se e o encarou.
Os olhos, envoltos em maquiagem escura, eram afiados como espadas. O olhar era de uma águia majestosa, dominando um bando de perdizes gordas.
Ou, talvez, de um antigo demônio sorrindo ferozmente ao observar formigas entre seus dedos.
Assustador. Quem seria aquela entidade?
O mestre do altar sempre fora cauteloso e, quanto mais tempo vivia, mais cuidadoso e medroso ficava.
Estava apavorado.
Após terminar o cigarro, suas mãos finalmente pararam de tremer.
Por mais medo que sentisse, era preciso enfrentar o desafio.
Apagando o cigarro com força, obrigou-se a manter a calma:
— Só preciso recuperar o espírito fantasma, depois voltarei ao extremo norte para cultivar em paz.
Mas era melhor esperar Song Shuhang se separar daquele rapaz assustador antes de agir.
Mais uma vez, aguardando a oportunidade...