Capítulo 24: Colega Song Shuhang, chegou uma grande encomenda para você
Nove horas da manhã.
Shuhang e sua acompanhante embarcaram no trem-bala em direção à Cidade Universitária da região de Jiangnan. Tiveram sorte: chegaram à Estação do Elefante Negro em J e, exatamente às nove, havia um trem partindo.
A viagem transcorreu tranquilamente.
Ao chegarem à Cidade Universitária de Jiangnan, já era meio-dia em ponto.
“Quer passar lá em casa para conhecer?”, perguntou Song Shuhang por mera cortesia. Assim que as palavras escaparam, lembrou-se de que Yuruozi não era como seus velhos amigos, mas sim uma jovem que conhecera apenas um dia antes. A pergunta soou, de repente, um tanto abrupta.
“Muito obrigada, senhor. Quando tiver oportunidade, com certeza irei visitá-lo. Agora, entretanto, preciso ir para casa rapidamente, firmar o contrato com este espírito. Se eu demorar, talvez meu pai já esteja de volta, e aí não seria nada bom.” Yuruozi sorriu docemente.
Shuhang sorriu também: “Então, até logo. Você pode pegar um táxi diretamente na saída da estação para o Aeroporto de Jiangnan. Vai sozinha numa boa, não é?”
“Não se preocupe, está tudo certo! Já comprei a passagem de volta faz tempo. Assim que chegar ao aeroporto, consigo embarcar sem problemas. Ah, senhor, qual seu endereço para correspondência? Preciso lhe enviar duas caixas de ervas, lembra?” Yuruozi de repente recordou-se da promessa que fizera no início.
Ela era alguém de palavra: o que prometia, cumpria.
“Pode deixar, não se preocupe com isso. Deixa para outra hora.” Sentindo o peso da esfera de gelo em sua mão — aquela que dizia conter um espírito aprisionado —, Song Shuhang pressentiu que as ervas a que Yuruozi se referia talvez não fossem tão simples quanto ele imaginava.
“Por favor, não me faça descumprir minha promessa! Nós, da Ilha Borboleta Celestial, prezamos muito a palavra dada!” Yuruozi insistiu com seriedade.
“Está bem...” Sem conseguir recusar, Shuhang tirou do bolso seu caderno, escreveu o endereço e entregou o papel para Yuruozi.
Ela guardou cuidadosamente a anotação e acenou, despedindo-se.
Shuhang a observou até que se afastasse e só então soltou um suspiro de alívio.
“Enfim acabou. Imagino que dificilmente terei qualquer outro contato com essa moça.” Passou a mão nos cabelos e deu uma risada leve. “Hora de voltar!”
...
Grupo Nove Continentes Número Um.
O Eremita do Rio Norte: “Yuruozi, encontrou o Mosteiro da Lanterna Fantasma?”
Yuruozi da Ilha Borboleta Celestial (online pelo celular): “Encontrei, missão cumprida com sucesso. Agora estou a caminho de casa!”
“Antes, fui parar na Rua Luoxin da região de Jiangnan, mas tive a sorte de topar com um senhor muito habilidoso do grupo, o senhor Song. Ele me ajudou a chegar à Rua Luoxin da cidade J e, graças a ele, encontrei o mosteiro. No fim, com a ajuda dele, consegui realizar a missão!”
“O senhor Song do grupo? Qual o nome taoísta dele?”, perguntou o Eremita do Rio Norte. Song era um sobrenome comum; havia vários com esse nome no grupo.
“Ah!” Yuruozi enviou um emoji de língua de fora. “Perguntei, mas ele não quis me dizer. Depois acabei esquecendo de perguntar de novo, mas sei que seu nome civil é Song Shuhang!”
“Song Shuhang? Esse nome me soa familiar...” O Eremita do Rio Norte pensou, mas não conseguiu recordar onde ouvira. “Ha ha, de qualquer modo, parabéns por completar a missão, Yuruozi.”
Afinal, ele havia prometido ajudar, mas acabou não fazendo muito, o que lhe causava certo remorso.
“Obrigada, senhor! O senhor também me ajudou bastante!” Yuruozi respondeu sorrindo. “Vou embarcar agora. Até logo!”
No avião, Yuruozi desligou o celular e olhou pela janela.
Os veteranos do grupo eram realmente pessoas extraordinárias.
Especialmente o senhor Song — um verdadeiro benfeitor.
O cartão de “boa pessoa”, brilhando intensamente, foi entregue a Song Shuhang mesmo estando separados por montanhas e mares.
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No dia seguinte.
Quatro de junho, terça-feira. Calor escaldante!
Cidade Universitária de Jiangnan. Na grande sala de aula, quatorze ventiladores giravam furiosamente, mas só conseguiam espalhar rajadas de vento quente, tornando o ambiente ainda mais entorpecente.
O professor já estava encharcado de suor e até falava com menos energia.
Shuhang sentava-se ereto na sala. Surpreendentemente, apesar do calor, sentia a mente límpida.
Em todos os anos de estudante, era a primeira vez que assistia a uma aula com tanta facilidade. O conteúdo do professor bastava ouvir uma vez para gravar; conseguia raciocinar, deduzir e aprender rapidamente os pontos principais.
Ainda tinha energia de sobra para divagar, enquanto acompanhava a explicação.
Ao lado, uma colega que antes sentava três cadeiras distante foi se aproximando, cada vez mais, até quase colar seu corpo curvilíneo ao dele. A fragrância suave de seu perfume pairava no ar.
Mas não era o charme de Shuhang que havia aumentado de repente. O fato era: enquanto todos suavam, dele emanava uma aura fresca, quase como um ar-condicionado humano. Era impossível não querer se aproximar.
Discretamente, Shuhang olhou para a esfera pendurada em seu pescoço: a “esfera de gelo seladora de almas” presenteada por Yuruozi no dia anterior. Usando-a, ele não só ficava livre do calor, como uma camada protetora fresca se formava ao redor.
Além disso, sentia a mente mais lúcida, o raciocínio ágil. Palavras de inglês que antes precisava repetir três ou quatro vezes para memorizar, agora bastava ver ou ouvir uma vez para não esquecer.
Isso... era realmente uma dádiva para estudantes! Com ela, dominar a escola tornava-se fácil.
Era algo que ultrapassava a explicação da ciência.
Lembrou-se da cena em que Yuruozi selou o espírito na esfera.
“Será que isso existe mesmo?”, murmurou Song Shuhang. Esse artefato enigmático o fazia acreditar ainda mais na existência do “cultivo”.
Será que realmente havia um espírito selado dentro dessa esfera?
O cultivo era mesmo apenas lenda?
Imortais voando nas nuvens realmente existiam?
Mover montanhas e reverter mares — seria possível?
Uma enxurrada de perguntas tomou conta da mente de Shuhang.
Se tudo isso fosse real... então as pessoas do grupo Nove Continentes Número Um seriam mesmo seres divinos?
Nunca desejou tanto quanto hoje abrir o grupo, ver a conversa dos membros, buscar mais provas.
Por que a aula não termina logo? Queria que acabasse.
...
...
Triiiiim!
O sinal do intervalo tocou.
Os estudantes comemoraram animados, apressando-se para sair daquele forno e respirar um pouco no corredor.
A única que relutava em sair era a moça ao lado de Song Shuhang — sentia-se tão confortável com o frescor ao redor dele, melhor até que ar-condicionado. Mas, não sendo sua namorada, não podia ficar junto após o término da aula.
Quem sabe tentar ser a namorada dele? Lançou um olhar furtivo para Shuhang. Ele não era do tipo que chamava atenção, mas tinha um certo charme masculino. O coração dela batia mais forte. No calor do verão, dormir abraçada a um homem tão geladinho seria o melhor travesseiro do mundo...
“Com licença, o estudante Song Shuhang está aqui?” De repente, uma voz retumbante ecoou na porta.
O timbre poderoso silenciou toda a sala.
Shuhang levantou os olhos e viu um sujeito corpulento de terno. O rosto hostil tentava esboçar um sorriso amigável, mas de modo desajeitado.
Não o conhecia.
Levantou-se e acenou: “Sou eu. Em que posso ajudar?”
“Ha ha, sou da Entrega Colheita Farta. Dois grandes pacotes para Song Shuhang chegaram via entrega expressa aérea, enviados durante a noite. Por serem de um remetente muito importante, só podem ser entregues com sua assinatura pessoal.” O homem sorriu, entregando-lhe um cartão de visitas com ambas as mãos.
Shuhang aceitou o cartão e leu:
Grupo de Entregas Colheita Farta S.A., Sima Jiang!
Um cartão simples, sem informações de cargo, apenas o nome da empresa e o do entregador.
Em tempos como esses, até entregadores têm cartão de visitas?
Shuhang guardou o cartão, intrigado. Que tipo de encomenda precisava ser enviada por avião, direto para ele?
Enquanto pensava, a imagem do sorriso tímido de Yuruozi lhe veio à mente.