Capítulo 13: E se...
O dormitório da escola é um lugar bastante peculiar; o dormitório feminino é um território proibido para os rapazes, e qualquer tentativa de invasão seria punida com severidade. Por outro lado, o dormitório masculino, para as garotas, é como um jardim de casa: entram e saem à vontade, sem restrição. Assim, quando Song Shuhang trouxe uma moça ao dormitório, não encontrou nenhum obstáculo.
Além disso, era domingo, e a maioria dos colegas havia saído para se divertir ou estava em seus quartos jogando videogame. Quando Shuhang retornou com Yu Rouzi, não despertou a atenção de quase ninguém.
O dormitório de Shuhang ficava no segundo andar e tinha elevador, mas os moradores costumavam usar as escadas. Afinal, subir apenas um andar pela escada era mais rápido que esperar o elevador.
— Precisa que eu ajude a carregar sua mala? — perguntou Shuhang, olhando para o grande volume que Yu Rouzi arrastava. Como homem, era seu dever ajudar uma dama com a bagagem.
— Obrigada, senhor — respondeu Yu Rouzi com um sorriso tímido, empurrando a mala em direção a Shuhang.
Durante o trajeto, Shuhang observou Yu Rouzi puxando a mala; em certos trechos irregulares, ela a erguia com facilidade, como se fosse leve. Por isso, ele supôs que a mala não estivesse cheia, que não seria tão pesada.
Mas ao segurar a alça e tentar levantar, seu rosto ficou vermelho de esforço! Precisou reunir toda sua força para erguer o volume apenas alguns centímetros. Era inacreditável — aquela mala pesava ao menos cinquenta ou sessenta quilos, quase o peso de um homem adulto!
Ele olhou surpreso para Yu Rouzi e suas mãos delicadas. Será que ela era uma dessas garotas surpreendentemente fortes? Caminhou alegremente com uns sessenta quilos sem nem ofegar! E ele, inocente, pensou que ela seria fácil de enganar ou de sequestrar? Com aquela força, quem tentasse fazê-lo teria que preparar um caixão antes.
— Senhor? — perguntou Yu Rouzi, confusa.
— Hum... vamos de elevador — decidiu Shuhang rapidamente. Ele poderia carregar a mala pelas escadas, mas seria exaustivo.
— Está bem — respondeu Yu Rouzi, sem questionar. Como uma boa convidada, ela não interferia nas decisões do anfitrião.
O elevador subiu devagar; naquele horário, quase ninguém o usava, então não precisaram esperar.
...
Ao entrar, encontraram o dormitório vazio. Os colegas só costumavam voltar às três ou quatro da tarde, às vezes só à noite.
O quarto não era grande, acomodava quatro pessoas, mas tinha tudo que era necessário: banheiro, varanda, tábua de lavar e uma pequena cozinha.
— Sente-se um pouco. Gostaria de beber algo? — perguntou Shuhang, enquanto ligava o computador.
Yu Rouzi sentou-se obediente e respondeu: — Chá Verde Espiritual.
— Chá Verde Espiritual? — Shuhang ficou confuso. Seria uma bebida nova? Nunca tinha ouvido falar.
Por um instante, ficou perplexo, mas logo se lembrou da verdadeira identidade daquela bela moça: por trás da juventude e do charme, ela era uma adepta fervorosa de histórias de fantasia e cultivadores! O tal Chá Verde Espiritual certamente era uma invenção dos fãs desse universo.
Shuhang sentiu uma leve dor no fígado.
— Não tenho essas coisas, mas tenho suco de laranja, água mineral, refrigerante e leite. Escolha um deles — sugeriu, temendo que Yu Rouzi pedisse algum chá de dragão ou elixir de fênix.
Yu Rouzi se surpreendeu: nem Chá Verde Espiritual? Para ela, tal chá era o mais comum entre cultivadores para receber visitantes. Tinha pouca energia espiritual, mas seu aroma era intenso e duradouro, tornando-o a melhor opção custo-benefício para servir convidados. Além disso, tomar sozinho também fortalecia um pouco o corpo; não era milagroso como os elixires, mas era infinitamente mais acessível. Todo cultivador deveria ter esse chá em casa, não?
De repente, ela compreendeu! O senhor estava vivendo recluso, ocultando-se entre os mortais — uma prática conhecida como "experiência mundana". Diziam que alguns mestres, para fortalecer o espírito, passavam longos períodos entre pessoas comuns, vivendo como elas. Isso não aumentava o poder, mas firmava a mente e clareava o espírito!
— Então, por favor, me dê suco de laranja. Obrigada — pediu Yu Rouzi com um sorriso doce.
— Certo, aguarde um instante.
Logo, Shuhang trouxe um copo grande de suco de laranja da geladeira.
— Obrigada, senhor — agradeceu Yu Rouzi.
— Não há de quê — respondeu Shuhang. Ela era uma boa moça, educada e gentil, embora um pouco fantasiosa. Sentou-se diante do computador e conectou-se à internet.
Abriu o mapa online com destreza e digitou: Cidade J, bairro Luoxin.
Em pouco tempo, o mapa mostrou a localização do bairro Luoxin na Cidade J.
— Verifiquei, fica um pouco longe daqui — explicou Shuhang.
Se tivesse vindo do aeroporto da região sul, levaria cerca de cinco horas de táxi até o bairro Luoxin. Mas Yu Rouzi havia errado o destino. Felizmente, a Cidade Universitária de Jiangnan fazia fronteira com Cidade J, então não era um desvio tão grande, apenas uma mudança de rota.
Agora, partindo da Cidade Universitária, o trajeto de carro até o bairro Luoxin levaria três horas e meia, isso sem considerar o estado das estradas. Na prática, as condições eram ruins e o tempo real seria próximo de cinco horas.
Yu Rouzi se aproximou, vendo a distância no mapa, e não pôde evitar mostrar surpresa:
— Senhor, será que o táxi consegue mesmo chegar lá?
— Até consegue, mas poucos motoristas aceitariam — explicou Shuhang.
Em seguida, detalhou para Yu Rouzi:
Cinco horas de viagem é muito tempo. Embora os táxis na região sul possam operar entre cidades próximas, a maioria tem troca de turno. Uma viagem de dez horas ida e volta exigiria vários motoristas — mesmo com dinheiro, não seria fácil.
— Então, o que fazemos? — perguntou Yu Rouzi.
— Vamos de trem rápido. Há uma estação perto do bairro Luoxin, chamada Estação Elefante Negro. E próxima à Cidade Universitária, também tem uma estação. O trem é mais rápido que o táxi, leva no máximo duas horas — explicou Shuhang.
— Quando partimos? — os olhos de Yu Rouzi brilharam.
— Não é urgente, podemos comprar os bilhetes online para hoje mesmo. Verifiquei, o trem parte da Cidade Universitária às quatro da tarde e chega à Estação Elefante Negro. Basta entrar na estação às três e meia.
Espera aí! Quando partimos? Nós?
Será que ela achava que eu iria acompanhá-la até o bairro Luoxin na Cidade J? Eu tenho aula amanhã! Sou apenas um estudante, não posso sair assim de repente!
— Então, senhor, vamos comprar os bilhetes online logo. Precisa do meu documento? — Yu Rouzi ficou radiante, achando maravilhoso ter encontrado alguém tão prestativo.
— Hum... nós? — Shuhang tossiu, hesitante. — Quer dizer, são dois bilhetes? Um para mim e um para você?
— Ah? O senhor não vai comigo? — Yu Rouzi ficou surpresa e logo corou de vergonha.
Ela havia se empolgado tanto que assumiu, sem perguntar, que Shuhang a acompanharia à Cidade J. Percebeu a falta de educação.
— Senhor, fui muito indelicada, tomei decisões sem consultar sua opinião. Poderia me acompanhar ao bairro Luoxin na Cidade J? Eu... não sou muito boa com direções, temo não encontrar o Templo da Lanterna Fantasma — pediu Yu Rouzi.
Shuhang suspirou e recusou:
— Gostaria de ajudar, mas temo que não posso.
O trem das quatro chegaria às seis e meia. Não sabia quanto tempo Yu Rouzi levaria para resolver seus assuntos e, certamente, não voltaria antes do almoço do dia seguinte. E ele tinha aula à tarde!
Yu Rouzi ficou visivelmente abatida; era uma moça que deixava transparecer seus sentimentos:
— O senhor não tem tempo?
— Sim, tenho aula amanhã à tarde — respondeu Shuhang.
Ao ver o rosto desolado de Yu Rouzi, quase ajoelhada, Shuhang pensou se não havia sido duro demais ao recusar. Será que feriu aquele coração delicado?
— Se... quero dizer, se não for urgente, na próxima sexta-feira eu poderia acompanhá-la à Cidade J. Sou estudante, só tenho folga aos sábados e domingos — acrescentou.
Próxima sexta-feira? Yu Rouzi ainda estava triste. Embora não tivesse pressa de um ou dois dias, cinco já era demais. Seu pai gostava de brincar, mas não ficaria dez dias no Templo da Lanterna Fantasma.
De repente, teve uma ideia, seus olhos brilharam:
— Senhor Song, e se você não tiver aula amanhã à tarde... supondo apenas, poderia me acompanhar à Cidade J?