Capítulo 39: Suplicando pela Misericórdia do Mestre
Diante do olhar atento de todos, a porta da sala de aula se abriu e um homem alto e magro surgiu no umbral, com a mão ainda estendida como se empurrasse a porta. Ele tinha mais de um metro e oitenta de altura, e sua longa cabeleira explodia para cima de maneira selvagem, um penteado tão extremo que se destacaria mesmo entre os mais ousados estilos alternativos.
Seus olhos estavam marcados por olheiras profundas, quase negras—seria isso chamado de maquiagem esfumada? Anos atrás, isso era uma tendência; uma famosa estrela mundial era conhecida por esse estilo marcante.
Todos os presentes na sala fixaram os olhos no homem, sem pestanejar.
Surpreendido por tamanha atenção, ele coçou a cabeça, constrangido, e riu: “Estão em aula? Perdão, não quis atrapalhar vocês.”
"Quem é você?" O pedaço de giz na mão do Professor Smith partiu-se ao meio, e ele agora estava tão irritado que as consequências seriam graves.
“Sem problema, sem problema.” O homem magro acenou: “Só vim procurar uma pessoa. Não vou atrapalhar por muito tempo.”
As veias saltaram na testa do Professor Smith, que já se preparava para repreender o intruso. Mas, ao simples gesto do estranho, o professor percebeu, atônito, que estava completamente imóvel, como se tivesse sido fixado ao assento. Não apenas não conseguia se mover, como também não podia falar ou sequer mexer os olhos. Por fim, até seus pensamentos começaram a se embotar.
O homem então percorreu a sala com o olhar, como quem procura alguém.
Os estudantes olhavam para ele, boquiabertos.
Somente Song Shuhang observava o trinco da porta, que fora arrebentado com o simples gesto de empurrar—um pressentimento inquietante tomou conta dele. Alguém que, com um leve empurrão, conseguia destruir uma fechadura não era uma pessoa comum. Pelo menos, teria que ser um cultivador que já tomara o elixir de fortalecimento corporal.
Seria ele o Alquimista?
Song Shuhang sacudiu a cabeça, tentando afastar a ideia. Não podia ser! O respeitável alquimista do grupo Jiuzhou era reservado e confiável. Como poderia ser esse excêntrico diante dele?
Mas, infelizmente, a vida tem dessas ironias.
“Amigo Song Shuhang, venha logo, sou o Alquimista!” O homem magro fitou Shuhang e irrompeu numa risada, acenando efusivamente.
No mesmo instante, todos os olhares se voltaram para Song Shuhang. Olhares penetrantes e cheios de questionamentos...
Coberto de embaraço, Song Shuhang levou a mão à testa—que situação impossível.
E, além disso, como o Alquimista sabia que ele estava ali, sem sequer ligar antes? Teria ele algum feitiço para localizá-lo?
No fim, Song Shuhang encheu-se de coragem e aproximou-se.
“Professor, preciso faltar a duas aulas”, disse, envergonhado, a Smith.
O professor, imóvel, sequer piscou; sua consciência estava paralisada. Quando voltasse ao normal, pensaria apenas que se distraíra por um instante—nem notaria que um aluno saíra diante de seus olhos.
“Vamos logo, nada de enrolar”, apressou o Alquimista, puxando Song Shuhang pelo braço.
“Tubo, recolhe meu material pra mim, por favor!” Song Shuhang gritou para Tubo, que estava nos fundos da sala, antes de ser levado embora.
Lá atrás, Tubo murmurou, intrigado: “Será que é mais um entregador?”
“Não parece”, respondeu Gao, ajustando os óculos. “Aliás, o último também não parecia.”
No caminho, Song Shuhang perguntou: “Alquimista, como conseguiu me encontrar?”
“Função de localização do celular, oras! Só precisei digitar seu número que já sabia onde você estava. E depois foi só observar quem na sala já passou pelo fortalecimento corporal. Após tomar o elixir, é fácil distinguir você dos outros”, respondeu o Alquimista, orgulhoso.
Song Shuhang viu sua imaginação ser despedaçada. Não era um feitiço de rastreamento à distância, mas sim o simples GPS do celular.
Mas, pensando bem, não era preciso ele autorizar no próprio aparelho para alguém rastreá-lo? Será que o Alquimista também era um hacker habilidoso, capaz de invadir o sistema e forçar a localização?
“Aliás, não esperava que o senhor fosse tão estiloso”, comentou Song Shuhang.
“Estiloso? Em que sentido?”, perguntou o Alquimista, confuso.
“Por exemplo, seu cabelo explosivo.”
“Ah, isso? É que ontem voei do Norte até o Sul do país com minha espada, cruzando dois estados. O vento lá em cima é forte, sabe? Acabei ficando assim”, riu, envergonhado.
Song Shuhang permaneceu em silêncio por um instante, depois questionou: “E essa maquiagem esfumada?”
“Maquiagem? Ah, isso! Meu aprendiz vive falando daquela moça famosa, Avril, que usa esse estilo. Mas o que tenho são só olheiras mesmo. Como alquimista, passo noites em claro preparando elixires, às vezes semanas sem comer, beber ou dormir. Com o tempo, as olheiras ficam profundas. Talvez, quando eu avançar de nível, elas sumam”, disse o Alquimista, gargalhando.
Song Shuhang sentia-se tomado por um turbilhão de emoções. Comparado à persona lacônica do grupo online, o Alquimista real era falante e expansivo, sempre rindo alto—a imagem respeitável foi por água abaixo.
...
No dormitório masculino.
“Então é aqui que você mora? E a sala de alquimia?”, perguntou o Alquimista.
“A sala... Bem, o mais próximo é ali”, Song Shuhang apontou para a cozinha.
“Mas isso é uma cozinha”, disse o Alquimista, massageando as têmporas. “Ah, é verdade, você comentou que prepara o elixir no fogão elétrico, só poderia ser na cozinha.”
Ah, a cozinha... O Alquimista suspirou, tomado por um súbito desalento.
Logo, porém, recompôs-se.
“Amigo Shuhang, poderia preparar novamente o elixir para que eu observe?”, pediu ele.
No dia anterior, ao simular o processo descrito por Shuhang, o Alquimista notara detalhes interessantes. Mas, por ser apenas uma simulação, faltavam certezas. Por isso, queria ver com os próprios olhos.
“Agora?”, Song Shuhang olhou o relógio—já passava das nove e meia, metade da terceira aula.
“Problema?”, indagou o Alquimista.
“É que falta pouco para o fim das aulas da manhã. Em uma hora e meia, será hora do almoço”, explicou Song Shuhang.
“Ah, quase esqueci que pessoas comuns precisam comer. Que incômodo, não? Se fôssemos cultivadores, bastaria um comprimido e pronto”, resmungou o Alquimista. Após um instante, perguntou: “E à tarde, você tem tempo livre? Podemos preparar o elixir juntos?”
“À tarde... Tenho aula”, respondeu Song Shuhang—embora pudesse pedir dispensa, até já tinha o atestado pronto.
“Aula? Quase esqueço que você é estudante. Quem será seu professor à tarde?”, perguntou o Alquimista, como se fosse algo trivial.
Essa pergunta deixou Song Shuhang inquieto.
“Com todo respeito, senhor, eu confio na sua integridade, mas... o senhor não pretende mandar meu professor para o hospital, não é?”, perguntou Song Shuhang, sério—trazendo à mente o desastre causado por Yu Rouzi.
“Haha, você pensou nisso também? Ótima ideia! Se seu professor for para o hospital, você teria a tarde livre, não é? Não se preocupe, posso controlar bem—basta machucar a perna”, respondeu o Alquimista, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Song Shuhang sentiu um calafrio. Mandar o professor para o hospital assim, sem pestanejar? Nossos professores também têm sentimentos, por favor, seja piedoso, venerável Alquimista!