Capítulo 20 – Espírito Fantasma

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2716 palavras 2026-01-30 14:21:44

— Como você soube disso, mocinha? — perguntou o avô Tu Bo, curioso. — É verdade, depois que aquele Esfolador Amarelo construiu a grande tumba, assim que penduraram a lápide, sete dias depois ele morreu. E então, um após o outro... Em menos de um ano, todos os mais de dez membros da família do Esfolador Amarelo morreram, não restou um só. Todo mundo no distrito diz que isso foi coisa do outro mundo. Aquele sujeito realmente construiu uma tumba para enterrar a própria família.

— Porque no Templo da Lanterna Fantasma havia um espírito prestes a se formar. Por isso, um mestre comprou o templo e selou o local, justamente para impedir que o espírito causasse tragédias. Só que alguém demoliu o templo e construiu uma tumba sobre ele. Isso é mexer com quem está quieto... O espírito consegue rastrear o dono da tumba e seus familiares pelo rastro deixado na lápide, sugando sua energia vital. Morrer toda a família ainda é sorte — respondeu Yu Rouzi. Essas eram informações que não precisavam ser mantidas em segredo diante de pessoas comuns, então ela falou abertamente.

O avô Tu Bo ficou em silêncio por um longo tempo, olhando para Yu Rouzi, e disse apenas duas palavras:

— Superstição!

— Jovens, é preciso acreditar na ciência. O conhecimento é poder. Não sigam essas crendices sobre fantasmas e espíritos! — O avô Tu Bo realmente era um idoso moderno.

— Pfft... — Shuhang não conseguiu conter o riso.

No entanto, depois de rir, sentiu um leve calafrio no peito.

Será mesmo apenas superstição? Pode ser tanta coincidência assim?

Yu Rouzi ficou um pouco constrangida, às vezes ela era bem tímida.

Felizmente, o avô Tu Bo não se demorou nesse assunto. Era um velho que gostava de conversar, sabia de assuntos diversos, dos mais variados lugares.

Shuhang e Yu Rouzi ficaram na casa do avô Tu Bo até as nove da noite, todos satisfeitos com a visita.

Pegaram emprestada uma motocicleta de Tu Bo e voltaram para o hotel.

— É melhor descansar cedo — sugeriu Shuhang, sentindo-se esgotado física e mentalmente depois de um dia inteiro. Despediu-se de Yu Rouzi e foi para seu quarto repousar.

Yu Rouzi acenou sorrindo docemente.

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No meio da noite

— Senhor, acorde. Acorde. — No meio do sono, Song Shuhang sentiu uma mãozinha fria batendo em seu rosto.

— Hm? Só mais um pouquinho, estou tão cansado... — murmurou Song Shuhang, afastando com força o que estava em seu rosto.

— Senhor, acorde logo, está quase na hora — insistiram as mãozinhas, agora apertando suas bochechas.

Elas estavam frias como gelo.

Sonolento, Shuhang abriu os olhos e viu uma belíssima moça ao lado da cama, esfregando vigorosamente seu rosto... Era Yu Rouzi.

Dizem que pensamos em alguém durante o dia e sonhamos à noite. Como passou o dia inteiro ao lado de Yu Rouzi, seria por isso que sonhava com ela agora, apertando seu rosto?

Que sonho estranho! Justo quando sonho com uma bela mulher, ela aparece para esfregar a minha cabeça?

Que sonho inútil! Vá embora e me deixe continuar dormindo, estou exausto.

Shuhang fechou os olhos, decidido a dormir.

— Senhor, acorde! Não está sonhando! — Yu Rouzi apertou suas bochechas com força, agora com um ar zangado.

Song Shuhang finalmente acordou.

Não era sonho! Era de madrugada, Yu Rouzi havia entrado em seu quarto.

O mais estranho: só ele tinha o cartão do quarto, como ela entrou? E estavam no vigésimo terceiro andar!

Olhou o relógio: onze da noite.

Moça, aparecer no meu quarto a essa hora da noite pode dar margem a muitos mal-entendidos...

— O que foi? — tentou manter a compostura, perguntando. Conseguia manter a calma só graças ao coração forte que herdara da família!

— Vamos até o Templo da Lanterna Fantasma — respondeu Yu Rouzi. — À meia-noite é mais fácil encontrar o espírito.

O quê? Espírito?

Moça, você viajou até a cidade J só para procurar o Templo da Lanterna Fantasma e caçar um espírito?

Que situação absurda!

Ele achava que Yu Rouzi tinha algo importante para tratar no templo... Jamais imaginou que alguém atravessaria o país apenas para “caçar um espírito”.

Mas não tinha como resistir às excentricidades de Yu Rouzi.

— Tudo bem, tudo bem, já estou me levantando... Mas, Yu Rouzi, poderia me dar um pouco de privacidade? — pediu Shuhang, sorrindo sem graça. Não tinha o hábito de dormir nu, mas só estava de cueca, não queria aparecer assim diante de uma moça.

Além disso, pensando bem, não tem medo de ser surpreendida no quarto de um homem a essa hora da madrugada?

Bem... talvez Yu Rouzi realmente não tenha. Com aqueles chutes que derrubaram cinco bêbados de uma vez, se Shuhang se exaltasse, ele é que sairia perdendo.

Yu Rouzi piscou e assentiu, virando-se de costas para ele.

Shuhang ficou sem palavras.

Deixou para lá, levantou-se resignado e vestiu o pijama rapidamente. Depois foi ao banheiro trocar de roupa e lavar o rosto para espantar o sono. Afinal, já estava acompanhando Yu Rouzi até a cidade J; agora, que fosse até o fim, custasse o que custasse.

— Vamos de moto? — perguntou.

— Sim — respondeu Yu Rouzi, segurando a enorme mala.

— Não vai ser um problema carregar essa mala enorme? — questionou Shuhang.

Yu Rouzi ergueu a mala com uma só mão, como se fosse uma pena: — Não se preocupe, não ocupa espaço.

Shuhang sentiu os joelhos fraquejarem.

...

O barulho estrondoso da moto cortou a noite, perturbando os que dormiam, e Shuhang acelerou para sair logo da região do hotel.

Seguindo as indicações do avô Tu Bo, logo encontraram o bosque. Não era difícil, só não sabiam que ali antes era o Templo da Lanterna Fantasma, pois agora era apenas um cemitério.

Mais adiante, a moto não passava, então tiveram que seguir a pé.

— Precisa de ajuda? — perguntou Shuhang.

— Fique tranquilo, senhor. Um espírito desses não pode comigo. Resolvo isso rapidinho, só preciso que fique de olho para mim — respondeu Yu Rouzi, sorrindo.

Enquanto conversavam, os dois chegaram ao local onde a família Huang Da Gen estava enterrada.

A enorme tumba em forma de cadeira era um modelo bem popular há cinquenta ou sessenta anos. Não se sabe se Huang Da Gen já previa a desgraça da família; fez a tumba tão grande que cabiam todos os quatorze membros das quatro gerações.

Era madrugada, o cemitério estava sinistro.

Shuhang apertou o casaco contra si, pensando: “Será que vou ver um fantasma mesmo?”

Do outro lado, Yu Rouzi já começava a agir.

Ela abriu a grande mala, de onde saiu um brilho suave. Shuhang pôde ver várias placas de jade empilhadas, mais de uma centena!

Havia também um grande sino roxo-dourado, que parecia de metal, mas não era exatamente de cobre nem de ouro. Dava a impressão de ser algo muito valioso!

Yu Rouzi soprou levemente, os cabelos negros se agitaram mesmo sem vento, e ela parecia uma guerreira pronta para o combate!

Depois, retirou da mala várias hastes de metal prateado, que fincou ao redor da grande tumba, formando um círculo. Pareciam igualmente caras. Em seguida, tirou fios de papel talismã e os enrolou ao redor das hastes.

Não parou por aí: pegou pós de diversas cores e os espalhou pelo cemitério. Não se sabia o que eram, mas, ao serem lançados, brilhavam suavemente, formando um espetáculo bonito.

Shuhang sentou-se numa pedra limpa, observando Yu Rouzi ocupada nas tarefas.

Sem perceber, o sono o tomou, e seus olhos começaram a ficar pesados.

Não se sabe quanto tempo passou.

Quando Shuhang abriu os olhos, ainda sonolento, viu Yu Rouzi dançando graciosamente sobre a tumba... Dançar no cemitério, no meio da madrugada — que passatempo peculiar!

E ao lado da moça, pareciam flutuar duas luzes azuladas, como se acompanhassem sua dança, formando uma cena deslumbrante. Pena que o cenário fosse um cemitério, tornando tudo um tanto sinistro.

Deveria registrar essa bela cena?

Shuhang levou a mão ao bolso para pegar o celular. Não há como negar: ele tinha nervos de aço...

Ainda meio grogue, deixou o celular cair sem querer.

A luz da tela iluminou vagamente algo estranho aos seus pés!