Capítulo 9: Outro Bairro de Luo Xin

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 3023 palavras 2026-01-30 14:21:37

Na região de Jiangnan, com o jeito bondoso de Song Shuhang, ele jamais recusaria um pedido tão simples quanto mostrar o caminho para alguém. No entanto, naquele momento, mesmo que quisesse ajudar, não teria condições. A cidade universitária ficava a duas horas de carro do aeroporto de Jiangnan, uma região que, apesar de ser apenas uma cidade de nível distrital, tinha uma área considerável.

Além disso, Shuhang não conhecia bem a cidade de J, muito menos ouvira falar do Templo da Lanterna Fantasma. Tudo o que sabia era que a cidade de J era vizinha da região de Jiangnan e bastante famosa em todo o país. Era um importante centro religioso, repleto dos mais variados credos, formando um caleidoscópio de crenças. Durante os festivais religiosos, os peregrinos eram tantos que chegavam a lotar a cidade até não caber mais ninguém.

Os templos lá eram inúmeros; encontrar um templo pequeno em meio a tantos não seria tarefa fácil.

“Agora que penso, o nome Bairro Luoxin me soa familiar... Onde será que já ouvi isso?” murmurou Shuhang, enquanto mordiscava um pãozinho e balançava-se na cadeira de balanço. Tentava puxar pela memória a razão daquela sensação de familiaridade com o nome ‘Bairro Luoxin’.

A memória humana tem dessas coisas: certas lembranças surgem sem aviso, mas quando tentamos recuperá-las de propósito, elas fogem como peixes escorregadios.

“Devo ter ouvido esse nome em alguma notícia”, resignou-se Shuhang, desistindo de espremer mais o cérebro por isso.

**********

Yurouzi arrastava sua mala enorme até o ponto de táxi. Não demorou nada para que vários táxis parassem rapidamente ao seu redor — afinal, um rosto bonito é sempre um trunfo, não importa onde. Se não fosse por sua beleza, só o tamanho da mala já faria muitos motoristas desistirem antes mesmo de perguntar o destino.

“Moça, para onde vai?”, perguntou o motorista do táxi vermelho que chegou primeiro. Era um homem de rosto quadrado, falando com um forte sotaque da região de Jiangnan.

“O senhor sabe onde fica o Templo da Lanterna Fantasma?”, perguntou Yurouzi com voz suave, contrastando com sua aparência jovial e animada — o que a tornava ainda mais encantadora.

O motorista pensou por um longo tempo e depois balançou a cabeça: “Templo da Lanterna Fantasma? Nunca ouvi falar.”

Ao ver o motorista negar, Yurouzi sentiu o coração apertar, o rosto corando de decepção.

Felizmente, o motorista logo perguntou: “Sabe em qual bairro fica?”

“Sei sim, é no Bairro Luoxin!” respondeu ela rapidamente.

“Ah, o Bairro Luoxin eu conheço bem, moro lá. Mas, moça, será que você não se confundiu com o nome do templo? Eu moro lá há anos e nunca ouvi falar desse templo”, respondeu o motorista, sincero.

Por causa do trabalho, ele conhecia a região como a palma da mão, especialmente o bairro onde morava. Exagerando um pouco, podia dizer que já havia pisado cada centímetro daquela terra, mas nunca ouvira falar em Templo da Lanterna Fantasma.

“Ah?” Yurouzi ficou ainda mais vermelha, mas logo decidiu: “Então, por favor, me leve até o Bairro Luoxin mesmo assim!”

Ela planejava perguntar aos moradores quando chegasse lá. Se não houvesse jeito, teria que ligar para o pai — mas essa era sua última opção, só usaria em caso extremo.

“Moça, tem pressa? Se não estiver com muita urgência, pode ir de ônibus, sai bem mais em conta. De táxi, vai ficar caro, são mais de duas horas de viagem”, explicou o motorista.

Não era má vontade, mas a corrida seria cara, ainda mais se a passageira não tivesse ideia do valor, o que poderia gerar confusão ao chegar ao destino.

“Não tem problema, só me leve, por favor”, respondeu Yurouzi com um sorriso tímido. Dinheiro não era um problema para ela.

O motorista confirmou e ficou radiante; aquela corrida lhe renderia um bom dinheiro.

“Então suba, coloque a mala no porta-malas”, disse ele, abrindo o porta-malas e saindo do carro para ajudar com a bagagem.

Afinal, a mala era enorme, e como aquela mocinha teria força para levantar aquilo sozinha?

Mas, ao se virar, ficou boquiaberto: viu a garota aparentemente frágil erguer a mala enorme com uma mão só — isso mesmo, erguer, não arrastar, nem abraçar, nem levantar com esforço, mas simplesmente segurá-la como se fosse um pratinho leve, colocando-a facilmente no porta-malas.

Será que a mala era só grande, mas leve? Pensando nisso, ele sentiu o carro baixar um pouco atrás. Com anos de experiência, sabia avaliar o peso pelo comportamento do carro — e aquela mala devia ter pelo menos uns sessenta quilos, talvez mais, equivalente a um homem adulto.

Será que ela treinava levantamento de peso? Que força sobrenatural, pensou o motorista, engolindo em seco. Ainda bem que era um homem de bem, pois se algum mal-intencionado se aproximasse daquela moça, seria facilmente derrotado.

Yurouzi, alheia ao espanto que causava, colocou a mala e voltou a passos leves para o banco traseiro do táxi.

“Moça, você é forte, hein? Segure-se bem!”, disse o motorista sorrindo, e acelerou, levando o táxi vermelho rumo ao Bairro Luoxin.

……

……

Grupo Nove Continentes, Chat Um

Yurouzi da Ilha Lírio Espiritual (online pelo celular): “Sênior Beihe, estou indo para o Bairro Luoxin, mas o motorista não conhece o Templo da Lanterna Fantasma. Quando chegar lá, vou perguntar para os moradores, talvez alguém saiba.”

“Certo, já perguntei a algumas pessoas, mas por enquanto ninguém conhece. Se souber de algo, aviso você”, respondeu Beihe, o Eremita.

“Obrigada, sênior”, Yurouzi respondeu com um sorriso, cerrando o punho em determinação. Com o retorno do Eremita, sentiu-se um pouco mais tranquila — afinal, era a primeira vez que viajava sozinha. Antes, sempre estava com o pai ou não se afastava muito da Ilha Lírio Espiritual.

Sentia-se animada.

……

……

Song Shuhang, por sua vez, ainda não vira essa conversa... Estava entediado e foi para a livraria ler de graça. Pegou novamente o tomo grosso que havia alugado na última vez, mas ainda não terminara de ler. Para ele, livros só tinham sabor quando lidos assim, de graça — era como comparar comer macarrão instantâneo cru com o cozido, sabores totalmente diferentes.

Antes de sair, levou o telefone sem pensar muito — ele geralmente não tinha o hábito de levar celular consigo.

Hoje em dia, os aparelhos têm cada vez mais funções e, por isso, ficam cada vez maiores; já não se encontra mais um telefone simples só para chamadas. Por ser tão grande, Shuhang usava o celular quase como telefone fixo.

“Sete por cento de bateria, deve ser suficiente.”

Não era muito, mas, para receber chamadas ou mensagens, deveria durar a tarde inteira.

Com esse pensamento, pegou o celular, a pilha de livros alugados e foi para a livraria curtir seu passatempo.

……

O tempo voou.

Cerca de uma hora e meia depois.

“Estranho, será que acordei de mau jeito hoje?” Shuhang, desconfiado, recolocou o livro grosso na estante — não conseguia se concentrar! Não importava se era romance, manual de direção, quadrinhos ou clássicos, nada captava sua atenção. Era a primeira vez que passava por isso.

“Que estranho”, murmurou, suspirando, enquanto pegava qualquer livro para devolver no balcão.

Sem conseguir se concentrar, não fazia sentido ficar ali. Pensou um pouco e decidiu dar uma volta pelos arredores da universidade, para espairecer.

Falando nisso, não podia deixar de mencionar o paraíso gastronômico que ficava perto da cidade universitária — o Paraíso dos Comilões.

Hora de comer algo gostoso!

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O Paraíso dos Comilões era uma rua de comidas famosa e movimentada, a dois quarteirões da cidade universitária, uma caminhada de mais de vinte minutos — distância que não impedia em nada quem gosta de comer.

Ali, voava de tudo, menos aviões; andava de tudo, menos cadeiras de quatro pernas. Satisfazia todos os apetites possíveis.

Há tempos o local era chamado de ‘Paraíso dos Comilões’ ou ‘Paraíso Gastronômico’; o nome original, poucos lembravam.

Como se chamava mesmo?

Shuhang olhou para o letreiro do bairro — “Bem-vindo ao Bairro Luoxin”, sete letras douradas brilhando sob o sol.

Ah, sim, era Bairro Luoxin. Um belo nome, pensou ele, entrando no bairro.

Deu dois passos e parou, voltando rapidamente para debaixo do letreiro, encarando aquelas sete letras douradas.

Bem-vindo ao Bairro Luoxin!

Não estava enganado, era mesmo o Bairro Luoxin.

Song Shuhang ficou sem palavras.