Capítulo 73: O problema acabou por chegar!
À medida que a noite caía, no dormitório, Song Shuhang já havia subido cedo para descansar em sua cama. Tu Bo, Li Yangde e Gao Moumou estavam entretidos jogando um antigo jogo de combate em equipes. Esses três, quando jogavam juntos, não tinham escrúpulos: usavam o computador de Song Shuhang para criar uma conta e infiltravam um personagem no time adversário. Dois deles então abriam uma loja clandestina, aproveitando para humilhar jogadores desconhecidos.
Song Shuhang balançou a cabeça com desprezo, pegou o celular e entrou no grupo "Jiuzhou Número Um" para atualizar as mensagens. Era raro, mas hoje o grupo estava silencioso; nem mesmo Beihe Sanren disse algo. Os cultivadores eram sempre ocupados, exceto Beihe Sanren.
— Ah, Shuhang, consegui as informações sobre os ingredientes medicinais que você pediu. Entre todas as farmácias registradas no sistema nacional de medicina tradicional da região de Jiangnan, só uma vende o que você procura, e mesmo assim apenas um dos ingredientes. Também já postei nos fóruns, amanhã devem surgir respostas. Depois te mando todos os endereços de uma vez — disse Li Yangde, enquanto, sem vergonha, minimizava o jogo e ativava um pequeno programa de trapaça que ele próprio havia criado.
Precisa de trapaça até para loja clandestina? Pode ser mais descarado?
Song Shuhang riu: — Valeu, camarada Yangde!
— Camarada é o seu avô — respondeu Li Yangde, irritado.
Logo, a partida terminou, e os três trapaceiros ainda perderam!
— Droga, o time adversário também tinha loja clandestina — exclamou Tu Bo.
Song Shuhang lembrava desse jogo desde o ensino fundamental, já era bem antigo. Quem ainda jogava era experiente e astuto, com habilidades excepcionais e táticas, além de uma falta de ética sem fundo.
— Não dá, vamos mudar de servidor. Como tem tanta gente desonesta hoje em dia? — reclamou Gao Moumou.
Você ainda sabe que abrir loja clandestina é desonesto?
Shuhang, deitado na cama, observava os colegas mudarem de servidor e perguntou: — Tu Bo, você ainda tem aquela arma de choque que modificou semestre passado?
— Tenho sim. Já fiz várias melhorias, está bem potente agora — Tu Bo ficou animado ao falar de suas invenções.
Ele sempre gostou de modificar coisas, desde motocicletas até apontadores laser.
Song Shuhang perguntou: — Pode me emprestar daqui alguns dias? E tem como aumentar ainda mais a potência? Quanto mais forte, melhor.
— Dá pra melhorar, mas tem limite, afinal é um produto civil. Mas, e aí, alguém te irritou? Vai dar um choque de cem mil volts? — Tu Bo perguntou, curioso.
— Sim, me irritou profundamente. Estou até pensando em jogar o corpo no Mar do Leste — Song Shuhang riu. — Daqui alguns dias vou acompanhar minha irmã numa expedição nas montanhas, dizem que é tipo uma floresta tropical. Acho que levar algo para defesa pessoal é mais seguro.
Exceto quando estava diante de Zhao Yaya, Song Shuhang nunca ficava vermelho ao mentir.
Ao ouvir isso, Tu Bo logo pensou — ele sabia que Zhao Yaya nunca teria interesse em aventuras nas montanhas. Então, seria aquela irmã de pernas longas que encontraram da última vez?
Imediatamente, Tu Bo associou à Yu Rouzi, aquela garota que adorava aventuras. Da última vez, inclusive, levou Song Shuhang a J City para procurar o Templo da Luz Fantasma.
Ele até largou o jogo, virou-se e perguntou: — É a irmã que foi com você a J City?
— Ela mesma — respondeu Song Shuhang. Quem começa uma mentira, precisa de outras para sustentá-la.
— Shuhang, me leva nessa expedição! E se não se importar, pode começar a me chamar de cunhado. Não me incomoda nem um pouco! — Tu Bo disse sério.
Enquanto falava, seu personagem foi morto no jogo.
Gao Moumou gritou: — Morreu, Bo! Você morreu, que tragédia!
Li Yangde ajustou os óculos e completou: — Bo, gravei o áudio agora. Pelo tom, aquela irmã não é Zhao Yaya, mas... se eu mandar pra ela, vai ser fatal.
E então?
— Paga uma rodada, Bo — Li Yangde e Gao Moumou disseram juntos, ajustando os óculos.
Trair colegas era a especialidade de Li Yangde, tanto no jogo quanto na vida real.
— Vocês não têm coração! Por que fui conhecer vocês dois? — Tu Bo reclamou cobrindo o rosto.
Nesse momento, o telefone de Song Shuhang tocou.
Ao verificar, era Zhao Yaya. Que coincidência.
— É Zhao Yaya — Song Shuhang riu. — Tu Bo, vou te chamar de cunhado agora, aceita?
Tu Bo sentiu um frio na espinha, quase chorou: — Irmão, eu te chamo de irmão, serve?
Song Shuhang atendeu o telefone sorrindo: — Irmã, tão tarde, o que houve?
— Não posso ligar sem motivo? — Zhao Yaya respondeu ofegante. — Venha me ajudar, estou na antiga Rua Liu Ma, fora da Cidade Universitária de Jiangnan, perto da porta dos fundos do Estúdio de Fotografias Sasa, você sabe onde é?
Song Shuhang franziu a testa, mas logo voltou ao normal: — Entendi, precisa que eu leve algo?
— Não, só preciso que carregue uma pessoa. Venha rápido — respondeu Zhao Yaya.
— Chego já — Song Shuhang desligou, vestiu uma camisa preta de mangas longas, procurou algo debaixo da cama e perguntou: — Vou sair, querem que eu traga algo?
— Traz um lanche! — gritou Tu Bo.
— E uma garrafa grande de Coca bem gelada!
— OK! — Song Shuhang acenou, pegou a carteira e sumiu na noite.
...
Assim que saiu do dormitório, o semblante de Song Shuhang escureceu.
A ligação era do número de Zhao Yaya e a voz parecia dela, mas não era. Song Shuhang conhecia a voz dela melhor que ninguém, incluindo os maneirismos, ritmo e até hábitos de fala que ela mesma não percebia.
A voz do telefonema era mais grave, com entonação diferente ao fim de cada frase, um pouco rouca e seca.
Não era Zhao Yaya, mas usaram o celular dela e imitaram a voz para atraí-lo. Se o interlocutor dissesse que não tinha má intenção, você acreditaria?
Seria o cúmplice do assassino? Depois de falhar contra ele, agora atacava pessoas próximas?
Esses malditos... enfim, vieram!
Song Shuhang correu até a antiga Rua Liu Ma.
Ele não foi direto ao Estúdio de Fotografias Sasa, mas ao Edifício Guoxin, a duzentos metros dali, subindo pela janela do corredor no sétimo andar.
Dali, tinha vista privilegiada para o estúdio, e Song Shuhang ativou seu poder mental, usando a técnica de vigilância para aguçar os sentidos e esconder sua presença.
Desde que começou a cultivar a técnica de fortalecimento corporal, seus olhos rivalizavam com uma luneta. Mesmo à noite, enxergava com clareza HD a duzentos metros.
A antiga Rua Liu Ma já foi uma movimentada rua de pedestres, mas com a criação da Nova Rua Liu Ma, perdeu seu brilho e movimentação. Após o anoitecer, só algumas lojas ficavam abertas, e poucos pedestres passavam.
O Estúdio de Fotografias Sasa ficava ao sudeste da rua, e além dos postes, só as luzes do estúdio iluminavam a área, praticamente deserta.
Song Shuhang logo avistou Zhao Yaya, sentada entre o estúdio e um bosque, encostada em um banco de pedra à beira da vegetação, olhos fechados, adormecida.
Ao lado dela estava um homem magro e alto.
Ele tinha cerca de um metro e oitenta e três, magro, com braços mais longos que o normal. Usava óculos escuros grandes, lábios grossos, parecendo inchados como uma salsicha.
Em suas mãos, brincava com um celular feminino.