Capítulo 60: Medo Retardado e Prazer

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2899 palavras 2026-01-30 14:22:17

— Entre.

A voz do líder do altar soou grave e baixa.

No entanto, do lado de fora da porta, ouviu-se apenas um baque surdo, seguido de silêncio absoluto.

O líder franziu o cenho. Com um gesto ágil, puxou de dentro de seu casaco uma lâmina curta. Aproximou-se cautelosamente da porta, espreitando através do olho mágico.

Do lado de fora, viu seu subordinado, aquele que enviara em missão, encostado contra a porta, imóvel. Atrás dele, nenhum sinal de outra pessoa.

Teriam conseguido?

Ainda assim, o coração do líder se apertou num pressentimento inquietante. Rapidamente abriu a porta, os músculos tensos, pronto para o combate.

Assim que a porta se abriu, o corpo do subordinado caiu pesadamente sobre ele.

Com um puxão, arrastou o homem para dentro do quarto. Lançou outro olhar atento para o corredor, certificando-se de que não havia mais ninguém.

— O que aconteceu? — indagou com firmeza, encarando o subordinado em suas mãos.

Mal as palavras deixaram seus lábios, sentiu o peso do corpo aumentar. O homem estremeceu num espasmo e desabou, inerte, no chão.

O líder logo pousou os dedos no pulso do subordinado. Nenhum sinal de vida, o sangue e a energia vital dispersos — morto, completamente morto, sem sequer uma palavra.

Com o cenho cerrado, examinou o cadáver. Não havia feridas, nenhum indício de luta, exceto por manchas de sangue no lenço que cobria o rosto.

Cuidadosamente, usou a lâmina para erguer o tecido. Viu então o rosto lívido e arroxeado do homem, os olhos arregalados e cheios de sangue, a boca escorrendo um líquido pútrido e avermelhado.

O sangue exalava um odor fétido; quando o líder, sem querer, inalou um pouco, sentiu-se tonto de imediato.

— Veneno!

O subordinado morrera envenenado, e que veneno terrível! Ele corria por todo o seu sangue, transformando-o em puro veneno. Agora, somente o cheiro já era letal.

O líder imediatamente ingeriu um antídoto e canalizou sua energia para expulsar as toxinas do corpo.

Se apenas as toxinas dispersas eram assim tão letais, quão aterrorizante seria o veneno original?

— Então aquele Song Shuhang não é um mero mortal…

Malditos sejam todos esses boatos: "calouro da Universidade de Jiangnan", "acabou de fazer dezoito", "pais vivos, pessoa gentil". Nada disso era verdade.

Especialmente essa história de "gentil": como alguém capaz de usar um veneno tão cruel poderia ser de natureza dócil?

Essas informações só serviram para encobrir a verdadeira identidade de Song Shuhang. Era certo, ele estava se temperando no mundo secular!

Droga, por que essa provação precisa ser tão realista? É de enlouquecer!

— Maldição, o veneno não sai! — O líder cerrou os dentes; as toxinas haviam-se instalado profundamente, difíceis de expulsar. Para se livrar delas por completo, teria de se isolar e entrar em meditação.

Mas agora não havia tempo.

Esse estúpido subordinado, contaminado pelo veneno, ainda veio até aqui — um aliado tão inútil só poderia servir de guia para o inimigo! Talvez Song Shuhang já estivesse no encalço, vindo em sua direção.

Não era seguro permanecer ali.

Rapidamente, o líder recolheu seus pertences. Antes de sair, espalhou um líquido corrosivo sobre o cadáver, destruindo-o para não deixar rastros.

Feito isso, tapou o nariz e a boca, saltou pela janela do hotel e, sob a proteção da noite, afastou-se com alguns pulos largos.

Com o plano comprometido e o veneno ainda circulando, teria de pensar em outra maneira de se aproximar daquele "senhor Song" e trocar pela alma espiritual.

A noite… ainda era longa.

Na escuridão, havia quem festejasse, quem se afligisse, quem se angustiava… retratos infinitos da vida!

**********

Seis de junho, cinco da manhã.

Song Shuhang abriu os olhos, sentindo-se revigorado.

Assim que despertou, franziu o cenho: após o aprimoramento físico, seu olfato era muito mais aguçado que o de uma pessoa comum, e no ar pairava um leve cheiro de sangue.

Além disso, a porta do quarto estava aberta — algo que nunca acontecia em junho. Ele e os outros três colegas de quarto jamais dormiam com a porta aberta, justamente porque era a época em que mosquitos atacavam com furor. Só quem quisesse servir de banquete para os insetos faria tal coisa.

— Seriam Tupo e os outros que voltaram? — Song Shuhang se perguntou.

Mas, ao olhar ao redor, não viu sinal de nenhum dos colegas.

Pela porta do quarto, divisou que a porta de vidro para o terraço também estava aberta.

— Teremos tido um ladrão? — O coração de Song Shuhang apertou. Não seria a primeira vez que o dormitório masculino sofria um furto, ainda mais no segundo andar, sempre o preferido dos larápios.

Preocupado, saltou da cama. Tinha sido descuidado demais! No armário estavam os ingredientes para vinte e uma doses de "líquido de fortalecimento corporal", coisas que nem dinheiro comprava.

Se alguém os tivesse roubado, só lhe restaria chorar no banheiro.

Ao se levantar, o olhar de Song Shuhang fixou-se no chão — ali, havia uma lâmina sem cabo, afiada e reluzente.

Era uma faca fina e cortante, sem empunhadura, feita para ser usada entre os dedos ou em conjunto com outros utensílios. Para manuseá-la, era preciso habilidade; um amador não conseguiria. Certamente não era uma faca de cortar frutas, mas sim uma arma de matar sem deixar rastro.

Ladrões não teriam nem necessidade nem capacidade de usar uma arma tão singular.

E, com o cheiro de sangue no ar… o invasor não era um mero ladrão!

Não viera por dinheiro, mas por sangue.

Mas quem seria o alvo?

Só podia ser ele… O dormitório estava vazio, além dele. Os três colegas eram apenas estudantes comuns, improvável que atraíssem um assassino.

Era ele quem estavam tentando matar.

O coração de Song Shuhang disparou.

Pegou a lâmina no chão, mil pensamentos tumultuando em sua mente, incapaz de se acalmar.

Pensar que, enquanto dormia como uma pedra, alguém estivera ali pronto para matá-lo… um calafrio percorreu-lhe a espinha. Não sabia por que não o tinham eliminado, mas estivera à beira da morte!

Ainda que tivesse iniciado sua fundação, dois dias antes era apenas um estudante comum. Diante de uma tentativa de assassinato, era impossível manter a calma dos cultivadores veteranos.

Contudo, permitiu-se confusão apenas por três respirações, antes de acalmar-se à força com a técnica da "Meditação do Eu Verdadeiro".

— Desde que escolhi me tornar um cultivador, até a morte deixou de me assustar.

Ao pronunciar essas palavras, sua determinação como cultivador se fortaleceu ainda mais. Naquele instante, a "Meditação do Eu Verdadeiro" ressoou dentro dele, elevando-o a um novo nível. Sua consciência irradiou uma aura transcendente. Já não era um mero mortal, mas um cultivador.

Ao abrir os olhos novamente, Song Shuhang pousou a mão sobre o peito.

O coração ainda batia acelerado, mas não era medo.

Era um sentimento de… prazer!

A tentativa de assassinato, o risco iminente de morte, deixaram-no… animado!

Mesmo sendo a vítima, aquela experiência, que jamais ocorreria no "roteiro" de um estudante comum, trouxe-lhe diversão e alegria.

Por um instante, Song Shuhang quase duvidou de sua própria sanidade.

— Se alguém realmente quer minha cabeça, talvez… tenha ligação com quem investigava minha vida anteontem na universidade.

Pensativo, brincava com a lâmina entre os dedos, fazendo-a dançar como uma borboleta.

Ao ouvir de Zhuge Yue que alguém pesquisava sobre ele, já havia cogitado a identidade do interessado.

— Posso descartar os delinquentes do colégio. São só estudantes comuns, vivendo numa sociedade regida por leis. Não iriam contratar um assassino por causa de um desentendimento — se fossem tão audaciosos, o mundo já teria sido dominado por eles.

— Também não deve ser alguém seguindo o Farmacêutico. Quem o persegue geralmente quer algo dele. Só se for um louco extremo pensaria em me sequestrar para chantagear o Farmacêutico. Mas essa chance é mínima.

— Sobra apenas o caso de Yu Rouzi… — Song Shuhang puxou o pingente e contemplou a "Pérola de Gelo Seladora de Almas".

Dela emanavam ondas de frescor, clareando-lhe a mente, tornando-o mais ágil e criativo.

Na história de Yu Rouzi, havia algo que agora, ao recordar, lhe chamava muito a atenção.