Capítulo 87: Um caminho para sobreviver? Eu lhe darei um!
No ambiente silencioso do vagão, o som agudo do impacto soou de forma tão abrupta que era impossível ignorá-lo.
O mestre do altar, com o rosto pálido, lançou de soslaio um olhar ao jovem e, em seguida, fixou os olhos no pingente. Sua boca se entreabriu, e ele ficou completamente paralisado.
— Perdão, incomodei vocês dois — disse o jovem, com um leve sorriso no rosto, encarando o mestre do altar com um ar ambíguo. — Preciso me apresentar?
Logo depois, o jovem falou com indiferença:
— Meu nome é Song Shuhang.
Era apenas um nome masculino, simples e educado.
O monge estrangeiro não compreendia por que aquele jovem misterioso se apresentava justamente naquele momento. Mas então, viu o poderoso mestre do altar empalidecer de repente!
A expressão dele era de puro terror, como se tivesse se deparado com o fim do mundo.
Algo interessante estava acontecendo? O monge estrangeiro sentiu-se agitado por dentro.
Percebendo a reação, Song Shuhang baixou ligeiramente o olhar e seu sorriso se acentuou.
Então, deslizou entre os dedos um talismã e murmurou suavemente:
— Dissipar!
Era um talismã de purificação!
Uma onda de energia espiritual violenta e irresistível irrompeu do talismã.
Era uma energia fortíssima, impossível de ser sequer imaginada pelo mestre do altar ou pelo monge estrangeiro, devastando o vagão como um furacão.
Em um instante, toda a energia negativa associada aos espíritos malignos foi varrida do vagão!
Os pequenos fantasmas, libertados pelo mestre do altar para destruir as câmeras de vigilância, foram esmagados pela força espiritual antes mesmo de poderem gritar, dissipando-se em minúsculas partículas de energia no ar.
Nem mesmo o espectro guardião, que protegia o mestre do altar, escapou. Metade de seu corpo, que se espremia no vagão para proteger o mestre, foi dissolvida pela energia feroz.
— Uuuuh! — gemeu o espectro, recuando rapidamente para fora do vagão.
Mas fugir era inútil! O poder do talismã de purificação o perseguiu implacavelmente, expulsando-o até dois vagões de distância!
Quando a força do talismã se dissipou, restava apenas um décimo do corpo espectral, tão enfraquecido que não conseguia sequer se mover, encolhido no vagão.
Tudo aconteceu em um piscar de olhos!
Logo após, o monge estrangeiro sentiu uma luminosidade repentina: a energia negativa que assolava o vagão desaparecera, e a claridade voltou. Os passageiros, antes imersos em alucinações aterradoras, agora exibiam expressões serenas, dormindo profundamente, sem mais sinais de pânico ou tremor.
Uma alegria incontida brilhou nos olhos do monge — usando um velho ditado chinês, sentia-se como quem, ao ver-se encurralado, depara subitamente com uma nova esperança!
Já o mestre do altar empalideceu ainda mais e recuou em desespero.
Ele era um cultivador de artes sombrias, cuja energia espiritual era de natureza fria e sombria. Embora não fosse purificado como um espírito maligno, sofreu terrivelmente no vendaval de energia espiritual. Além disso, estava envenenado; sua situação era deplorável.
Mas o pior de tudo era: por que aquele venerável Song estava ali?
As pernas do mestre do altar tremiam tanto que mal conseguia se manter de pé.
Pelas pistas deixadas pelas quatro substâncias especiais, esse venerável não deveria estar indo para a farmácia Yuanlong? Por que apareceu ali?
Seria tudo parte de uma armadilha do outro lado? Tudo planejado para encurralá-lo naquele pequeno vagão?
No fim, talvez sua recente sorte não passasse do último lampejo de esperança de um moribundo.
Que piada cruel!
…
O sorriso nos lábios de Song Shuhang se aprofundou — agora ele podia confirmar a verdadeira identidade do cultivador sombrio diante de si.
Alguém que, ao ver o pingente espiritual, ficava atônito em vez de surpreso; que, ao ouvir o nome Song Shuhang, entrava em pânico; e que, após o uso do talismã de purificação, empalidecia e só queria fugir. Além disso, havia nele o leve aroma de medicamentos especiais.
Sem dúvida, era o mestre do altar.
Não esperava encontrá-lo justamente no metrô, de saída da farmácia Yuanlong. Que sorte — por pouco não o perdia.
Ainda bem que, naquele dia, conheceu aquela adorável menina e, impulsionado por sua índole gentil, ficou mais três estações com ela. Caso contrário, teria ido em vão à farmácia Yuanlong e não teria encontrado nenhuma pista sobre o mestre do altar.
Procurou por toda parte e, no fim, o destino lhe sorriu sem esforço!
Quem disse que os bons não têm recompensa?
Às vezes, a bondade traz mesmo boa sorte!
Embora aquela situação não estivesse nos planos — o confronto com o mestre do altar ocorrera antes do previsto —, Song Shuhang gostava dessa reviravolta.
O que deveria fazer agora?
Aproveitar todos os seus recursos: três talismãs, uma espada voadora invisível e... a identidade de venerável Song!
O importante era manter uma postura imponente, um ar dominante!
Tinha de sustentar sua imagem de mestre poderoso; se preciso, poderia intimidar o outro com sua mera presença. Se fraquejasse, o mestre do altar poderia perceber e, num instante, acabar com ele.
Em resumo, era hora de encenar.
E precisava fazer com perfeição. Se falhasse, as consequências seriam imprevisíveis.
Embora pensasse em mil coisas internamente, Song Shuhang mantinha-se impassível por fora e disse, em tom calmo:
— Pronto. Agora que nos livramos dessas impurezas, podemos conversar melhor.
Seu ar tranquilo dava a impressão de que afastar os espíritos malignos do vagão fora tão simples quanto soprar uma pluma.
…
Conversar melhor, sobre como vou morrer? pensava o mestre do altar, dominado apenas por um pensamento: fugir.
É inegável que, às vezes, a primeira impressão é determinante. O mestre do altar estava convencido de que Song Shuhang era um mestre venerável, e não duvidava disso! Sendo um cultivador prudente e covarde, era especialista em fugas; conhecia incontáveis métodos de escapar de situações de perigo.
Aquele venerável Song era insondável, poderoso, e cruel — mestre em venenos. Agora, enfraquecido e envenenado, não via qualquer chance de vitória, só de fuga.
Enquanto houver vida, há esperança!
Porém, mal esse pensamento se formou, viu o jovem Song Shuhang sacar algo invisível e intangível.
Era algo que seus olhos não viam, mas ele conseguia sentir o perigo e a lâmina afiada.
Essa sensação ele conhecera muitos anos antes, junto a um poderoso cultivador — era uma espada voadora! Aquelas que podiam tirar a vida de alguém a milhares de quilômetros de distância num piscar de olhos.
Lembrava-se de quando tinha apenas o primeiro nível de cultivo e, por sorte, acompanhava alguns mestres numa exploração de uma antiga relíquia. Tomado pelo nervosismo, precisou urinar num canto, e, nesse momento, um dos mestres invocou sua espada voadora, que, num instante, decapitou o inimigo e retornou. O processo foi tão rápido que ele nem terminara de urinar.
Diante de um tesouro assim, era impossível escapar; seus passos de recuo cessaram.
…
‘É como imaginei: mesmo invisível a olho nu, ao segurar a espada voadora e direcionar a intenção ao inimigo, cultivadores de segundo nível ou mais conseguem sentir sua presença’, pensou Song Shuhang, aliviado.
Percebendo que o mestre do altar pretendia fugir, resolveu intimidá-lo com a espada voadora — não podia deixá-lo escapar, pois seria impossível encontrá-lo depois, perdido entre a multidão.
Ao mesmo tempo, apertava em segredo um talismã de espada; se o mestre do altar tentasse fugir, atacaria de imediato. No entanto, preferia evitar essa alternativa, pois não tinha certeza se um único talismã seria suficiente para derrotá-lo.
Felizmente, o mestre do altar se deixou intimidar pela aura da espada.
Song Shuhang exibiu um sorriso enigmático:
— Ora, quer fugir? Acha mesmo que pode escapar das minhas mãos?
Que vergonha... ao se auto-intitular “minhas mãos”, Song Shuhang sentiu um arrepio percorrer-lhe as costas.
— Venerável Song, fui tolo e não o reconheci, perturbando-o. Peço-lhe, por favor... mostre-me uma saída — suplicou o mestre do altar, amargurado, sem opção de fuga.
Não havia escapatória... era nisso que ele acreditava.
Talvez aquela “saída” custasse um preço inimaginável — e nem sabia se realmente existia.
— Uma saída? Hahaha! — Song Shuhang riu alto... enquanto, por dentro, sua mente se agitava, traçando inúmeros planos em segundos.
— Já não te dei oportunidades o suficiente? — retrucou Song Shuhang.
O mestre do altar foi tomado pelo arrependimento — ele mesmo, tomado pela ganância, subestimara aquele “venerável” e o provocara repetidas vezes.
— Mas posso te dar uma última chance — Song Shuhang apoiou as mãos na espada voadora, emanando uma aura de mestre. Olhou o mestre do altar de cima e, em tom gélido, continuou:
— Não quero que espalhem por aí que oprimo os mais fracos, manchando minha reputação sem motivo.
[O que está diante de mim é apenas uma formiga, só uma formiga, uma formiga!] Song Shuhang continuou a encará-lo, com um olhar absolutamente impassível.
O mestre do altar sentiu que, naquele momento, os olhos do Venerável Song eram como os de uma divindade ancestral, observando uma pequena formiga com desdém. Apavorante!