Capítulo 78: Talisman da Armadura, Talisman da Espada, Talisman Quebrador do Mal!
Shuhang procurou um lugar onde não houvesse ninguém e abriu a embalagem do pacote. Dentro da pequena caixa havia uma pilha de talismãs de papel de cor amarela escura; em cada folha, estavam desenhados com tinta dourada e vermelha símbolos e diagramas arcanos. Junto vinha também um bilhete do Mestre dos Talismãs das Sete Vidas, explicando a função daqueles papéis.
Eram vinte talismãs ao todo.
Os cinco primeiros eram chamados “Talismãs de Armadura”, fiéis ao nome: ao serem ativados, liberavam a energia contida no talismã e formavam uma camada protetora junto à pele, capaz de bloquear ataques de cultivadores abaixo do terceiro grau. O modo de uso era simples: bastava pressionar o polegar no centro do diagrama, canalizar o próprio poder espiritual e dizer em voz baixa “Armadura”; imediatamente, a proteção surgiria.
Cada um dos cinco só podia ser usado uma vez, ou seja, se usados com sabedoria, poderiam salvar Shuhang em cinco ocasiões distintas.
Cinco talismãs seguintes eram “Talismãs de Espada”, claramente projetados para o ataque. O método de ativação era idêntico ao anterior, bastando dizer a palavra “Espada”. Ao utilizá-los, uma onda de energia cortante, equivalente a um golpe de um Mestre Guerreiro do pós-terceiro grau, seria disparada, capaz de partir montanhas e rochedos. Se atingisse um cultivador comum do segundo grau sem defesas especiais, dificilmente este sobreviveria inteiro.
Os dez restantes eram Talismãs de Dissipação do Mal.
Segundo o Mestre dos Talismãs das Sete Vidas, como o inimigo era um cultivador das artes sombrias especializado em espíritos malignos, capaz de comandar entidades espectrais de forma imprevisível, era preciso estar prevenido. Criaturas desse tipo são imunes a ataques físicos comuns e algumas possuem habilidades de camuflagem ou invisibilidade, tornando-se adversários assustadores para cultivadores menos experientes.
Com os dez talismãs de dissipação, Shuhang poderia se livrar dessas criaturas malignas.
Ao segurar a caixa, Shuhang sentiu que o Mestre dos Talismãs das Sete Vidas não estava apenas oferecendo ajuda em um momento de necessidade — tratava-se de um apoio completo, como prover roupas, comida, abrigo e transporte em meio ao rigor do inverno.
“Isso sim é uma surpresa maravilhosa”, murmurou ele, apertando os talismãs nas mãos.
Com esse arsenal, ele sentia até mesmo coragem para enfrentar o chefe do culto de igual para igual. É claro que não era tolo a ponto de partir para o confronto direto apenas com os talismãs em punho.
O importante era eliminar o chefe do culto, por qualquer meio necessário.
O fim justificava os meios — contanto que pudesse derrotar o oponente, não importava o método.
Guardou os talismãs cuidadosamente; estava tudo pronto, só faltava a última oportunidade...
**********
Sete e meia da manhã.
Começava oficialmente a abertura da Olimpíada Universitária da Cidade de Jiangnan.
Antes da cerimônia, como de costume, vinham os discursos dos dirigentes da universidade — verdade seja dita, nada jamais mudou tanto, apesar de todos os avanços tecnológicos. Sempre começavam com um “Vou ser breve em minhas palavras”, mas o tal “breve” se prolongava em incontáveis repetições, torturando os estudantes entre êxtase e desespero, até finalmente darem início à competição esportiva.
Às oito e quarenta, teve início a corrida masculina de cinco mil metros.
Cercado por seus três colegas de quarto e mais uns sete ou oito amigos próximos, Shuhang dirigiu-se à pista.
Os amigos sorriam de forma maliciosa; não estavam ali para torcer, mas para ver Shuhang se arrastando, exausto, nos cinco mil metros, torcendo para que ele terminasse vomitando ou com as pernas bambas, pois isso sim seria divertido de assistir.
A corrida de cinco mil metros é realmente ingrata. Cada volta na pista tem quatrocentos metros, sendo necessário completar doze voltas e meia. Não há o entusiasmo do tiro de cem metros, nem a alegria da corrida de revezamento mista. O percurso é longo, o ritmo lento; poucos espectadores — e, pior, quase nenhuma garota na plateia.
Sem garotas assistindo, os rapazes sentem ainda menos ânimo para competir.
Os outros atletas escolheram seus lugares; Shuhang, bocejando, foi para o seu.
“Shuhang, força!” Nesse momento, uma voz cristalina soou: “Volte com o primeiro lugar, hein!”
O tom doce era especialmente agradável.
Shuhang ergueu os olhos e viu a garota que ultimamente vinha se aproximando dele; ela agitava as mãos com entusiasmo, o rosto iluminado por um sorriso juvenil. Junto dela, estavam mais quatro amigas, provavelmente passando por ali depois de assistir a outras provas.
Se não me engano, ela se chama Lu Fei...
Shuhang riu e fez um sinal de positivo para ela.
Imediatamente, os colegas de quarto e os outros rapazes aproveitaram para provocar.
Tu Bo e Gao, em uníssono, imitaram a voz de Lu Fei: “Shuhang, força! Volte com o primeiro lugar, hein!” Os demais seguiram o coro, agudos.
Shuhang retribuiu mostrando os dois dedos do meio: “Por que vocês ainda não morreram?”
Nesse momento, um colega robusto de pele escura olhou para ele com um sorriso frio: “Ha, primeiro lugar? Bonitão, acha que corrida de cinco mil metros se ganha só com o rosto bonito?”
Enquanto falava, exibia suas pernas musculosas — resultado de longos treinos de corrida. Já o rapaz ao lado, magro e de aparência delicada, dificilmente aguentaria mil metros, quem dirá cinco mil.
“Bonitão? Tá falando de mim?” Shuhang perguntou, tocando o rosto. Graças ao elixir fortalecedor, sua pele estava mesmo mais clara e macia.
Então era verdade que ser bonito dava trabalho!
Ele assentiu para si mesmo e respondeu: “Tá com inveja da minha pele?”
“Inveja do seu traseiro, só se for! Eu, invejar esse seu rostinho?” O rapaz de pele escura sentiu as veias da testa latejarem de raiva.
“Haha, não liga, não. Esse cara só está com ciúmes porque você tem garota torcendo para você. Aliás, você também foi obrigado pelo pessoal da turma a vir competir?” Do outro lado, um colega de rosto arredondado, claramente alguém acostumado a ficar em casa, perguntou sorrindo: “Sou Yang Shangfa, da computação.”
“Mais ou menos. Como ninguém quis participar, acabei ficando com a vaga, já que estava de licença. Meu nome é Song Shuhang”, respondeu ele também sorrindo.
“Igual eu, companheiros de infortúnio!” Yang Shangfa quase se emocionou às lágrimas.
Enquanto conversavam, o professor responsável pela largada falou com voz grave: “Atenção, preparados...”
Todos os competidores assumiram posição de partida.
“Seu bonitinho, vou te mostrar o que é uma corrida de cinco mil metros. Desta vez, vou te deixar para trás por uma rua inteira!” rosnou o colega robusto.
“Uma rua? Uma rua tem pelo menos oitocentos metros, ou mais de duas voltas?” Shuhang pensou um pouco e aconselhou gentilmente: “Desista, é impossível.”
Yang Shangfa não conteve o riso.
O colega de pele escura quase quebrou os dentes de raiva.
‘Bang!’
O tiro de largada soou.
O rapaz robusto arrancou com tudo, em velocidade de cem metros rasos. Sua resistência era excelente, muito acima da média dos universitários. Nessas competições, podia disparar logo à frente, criando uma distância desanimadora, e depois apenas mantê-la até o fim, sempre na liderança.
“Hmph, arregale os olhos, bonitinho. Dizer que vou te deixar para trás por uma rua é pouco — se eu quiser, te deixo quatro voltas atrás!” pensou ele, satisfeito.
Em corridas longas, todos costumam manter ritmo; ninguém sai em disparada. Por isso, logo ele se distanciou dos demais.
“E aí, bonitinho, já bateu o desespero?” Cheio de confiança, virou a cabeça para ver onde o rival tinha ficado — provavelmente comendo poeira no final do grupo.
No entanto, ao virar, viu que o tal bonitinho estava logo atrás, a apenas um metro de distância, acompanhando cada passo seu.
Ele estava mesmo acompanhando o ritmo de arrancada?
“Você é burro? Vai me seguir nesse ritmo de arrancada? Com sua resistência, mal deve aguentar uma volta”, murmurou o robusto.
“Arrancada?” Shuhang pareceu surpreso, depois sorriu gentilmente: “Não, estou só correndo num ritmo normal. Não se preocupe comigo. Você parece tão forte, não imaginava que era tão atencioso.”
Preocupar com coisa nenhuma! O rapaz quase explodiu de raiva.
“Quero ver até onde aguenta! Espero que não caia depois da primeira volta!” rosnou, acelerando ainda mais.
Esse bonitinho não entende nada de corrida — mas, de qualquer forma, não vou deixá-lo me ultrapassar. Preciso deixá-lo bem para trás!
Ele voltou a acelerar, correndo mais cem metros em disparada, até sentir que estava no limite planejado. Era a hora de reduzir o ritmo.
Com certeza, já deixara aquele amador para trás.
Virou-se para conferir.
Desta vez, seus olhos quase saltaram das órbitas — o bonitinho, que deveria estar comendo poeira, continuava logo atrás, sempre a um metro de distância.
Era como um figurante de novela que deveria morrer, mas sobrevivia a cada novo capítulo.
“Impossível... estou alucinando?” murmurou o rapaz robusto.