Capítulo 67: Pequenos Segredos da Força Mental
À frente de Song Shuhang, havia apenas um homem de meia-idade com aparência de trabalhador de escritório, caminhando apressadamente. Ele segurava uma pasta com a mão esquerda, enquanto com a direita procurava o celular no bolso.
No momento em que puxou o celular, Song Shuhang viu um maço de notas enroladas cair ao chão. O homem, porém, não percebeu e continuou seu caminho apressado.
— Ei, senhor, espere um pouco! — Song Shuhang apressou-se até onde as notas haviam caído e as recolheu. Eram cerca de cento e cinquenta unidades, todas amassadas.
Ele sempre foi alguém disposto a ajudar o próximo. Neste mundo entediante e sem graça, ajudar os outros dentro de suas possibilidades era um dos poucos prazeres da vida de Song Shuhang.
Mesmo agora, tendo contato com o empolgante “mundo dos cultivadores”, ele não pretendia abandonar facilmente essa alegria de fazer o bem.
O homem à frente voltou-se confuso ao ouvir o chamado de Song Shuhang.
— Senhor, você deixou cair seu dinheiro! — Song Shuhang ergueu as notas, chamando.
O homem olhou para Song Shuhang e para as notas em sua mão, demonstrando gratidão.
Mas, de repente, como se lhe ocorresse algo, sua expressão mudou de agradecida para assustada.
— Deve ser um golpe, não é? — murmurou ele. — Depois que aprendi a usar a internet, vi justamente casos assim: alguém deixa cair dinheiro na rua ou alguém diz que você perdeu dinheiro, e tudo não passa de uma fraude. Não vou cair nesses velhos truques.
Dizendo isso, apressou o passo e se afastou.
Os ouvidos de Song Shuhang, aprimorados pela prática, captaram claramente aquele murmúrio.
— Senhor, não sou um golpista! É mesmo seu dinheiro, confira no seu bolso! — gritou Song Shuhang.
Porém, o homem ficou ainda mais assustado. De um passo apressado, passou a correr e logo sumiu de vista — “Acha que vai me enganar? Ainda tem muito o que aprender!”
Song Shuhang ficou parado no meio do caminho, com as notas na mão. Sentiu-se, naquele momento, um verdadeiro tolo.
Após alguns instantes, guardou calmamente o maço de notas.
Se outra pessoa não quer algo e você encontra, isso passa a ser seu? Talvez não... Afinal, e se um dia alguém jogar fora a própria esposa em um acesso de raiva e um solteirão a recolher, será que passa a ser dele?
...
...
Sete e meia da manhã.
Era o horário da primeira aula do dia.
A mente de Song Shuhang, no entanto, estava completamente dispersa. Ele ergueu o livro didático grosso para se esconder e, pelo celular, acessou o grupo Nove Províncias Número Um, procurando o texto “Estudo Preliminar sobre a Otimização do Uso da Força Espiritual — Mestre Lua Ébria”.
Na universidade, os professores não se importavam se você prestava atenção ou brincava com o celular durante a aula.
Só não faça como aquele idiota do Tu Bo, que, durante a aula, ficava curtindo publicações e fotos do próprio professor nas redes sociais. Os professores às vezes postam algo para aliviar o estresse da aula, mas receber curtidas de alunos naquele momento só serve para apontar que não estão ensinando direito. Uma estupidez dessas faz qualquer professor perder a paciência, por mais tolerante que seja.
“De fato, como disse o Mestre Farmacêutico, são truques fáceis de aprender”, pensou Song Shuhang ao terminar o artigo do Mestre Lua Ébria.
Por que não experimentar esses pequenos truques de força espiritual enquanto há tempo?
Song Shuhang sempre foi de agir assim que pensava.
A força espiritual dos cultivadores serve principalmente para controlar e guiar a energia interna e externa. Mas ela é um tesouro grandioso, e restringi-la apenas a esse uso é um desperdício.
Cada seita tem seus próprios métodos secretos de desenvolver e aplicar a força espiritual. Alguns desses métodos são tão misteriosos e poderosos que podem superar até mesmo técnicas e artes marciais. Quando toda a energia interna se esgota, mas ainda resta força espiritual, ela pode ser decisiva para a vitória.
O artigo do Mestre Lua Ébria otimiza três truques básicos para o uso inicial da força espiritual.
O primeiro consiste em expandir a força espiritual ao redor ou em um ponto específico, funcionando como uma espécie de “radar” para detecção.
Outro método mantém a força espiritual constantemente ativa em baixo nível, permitindo um estado de alerta contínuo — e, além disso, ajudando a ocultar a própria presença.
Claro, manter a força espiritual ativa sem cessar não é fácil, especialmente durante o sono; dominar esse método exige muito treino.
Por fim, há o truque de liberar toda a força espiritual de uma vez, envolvendo e pressionando o oponente, criando uma intimidação espiritual — útil apenas contra adversários mais fracos. Se o outro tiver uma força espiritual superior, a intimidação vira motivo de riso; para ele, é como sentir uma brisa leve, sem pressão alguma.
Detecção, alerta, opressão — esses são os truques otimizados pelo Mestre Lua Ébria, acessíveis mesmo para cultivadores em estágio inicial.
E são fáceis de aprender, como quem aprende a usar um computador e logo consegue jogar.
“Vou aproveitar para experimentar agora”, pensou Song Shuhang, sentindo-se animado.
Afinal, exceto pela última técnica de opressão, as outras duas — detecção e alerta — não afetariam terceiros, nem durante a aula.
Decidido, Song Shuhang pôs-se a praticar a “Meditação do Verdadeiro Eu”. Em sua mente, sua essência sentou-se em posição de lótus, reunindo toda sua força espiritual.
Em seguida, seguindo as dicas do Mestre Lua Ébria, começou a expandir sua força espiritual aos poucos.
Na primeira tentativa de usar a “detecção espiritual”, Song Shuhang não conseguiu focar a energia em um único ponto; ela se espalhou em todas as direções até o limite máximo.
No auge da expansão, sua força espiritual cobriu um raio de cinco metros, formando um círculo irregular.
De olhos fechados, ele passou a captar, vagamente, tudo o que estava dentro desse alcance.
No entanto, só conseguia perceber objetos grandes, de tamanho igual ou superior ao de um livro; criaturas pequenas como formigas ou baratas ainda estavam fora de seu alcance.
Além disso, as imagens das pessoas em sua percepção eram abstratas, como se fossem fotos de baixíssima resolução, com rostos borrados, difíceis de reconhecer.
“Será que é porque minha força espiritual ainda é muito fraca?” pensou Song Shuhang. Talvez, quando ela fosse cem ou mil vezes maior, conseguiria distinguir claramente os rostos das pessoas. Quem sabe, com mais poder, até conseguiria ver através das coisas?
Enquanto pensava, os colegas num raio de cinco metros começaram, sem motivo aparente, a sentir um calafrio.
— Será que esfriou? Que sensação estranha de frio e mal-estar...
— Tenho a impressão de que alguém me observa com olhos malignos...
— Sinto como se estivesse completamente exposto.
— Eu também senti isso, é horrível — sussurrou uma colega, apertando o casaco ao corpo, desconfortável.
Song Shuhang rapidamente recolheu a “detecção espiritual”, constrangido.
Para quem já sabe usar o computador, jogar é fácil; mas para ser um mestre, é preciso tempo e dedicação. O mesmo valia ali: aprender os truques era simples, mas dominá-los exigia esforço.
Depois de recolher a força espiritual, Song Shuhang sentiu certo esgotamento mental. Sua força espiritual, recém-formada no dia anterior, ainda era fraca e não suportava o uso intenso da detecção por muito tempo.
Após alguns minutos de descanso, sentindo-se um pouco recuperado, ele tentou o truque do alerta.
Esse era ainda mais fácil de executar. Estimulando a força espiritual, Song Shuhang sentiu-se num estado peculiar.
Tudo ao seu redor — a brisa que entrava pela janela, o calor dos colegas próximos, até as vibrações do ar quando alguém falava — tornava-se perceptível.
Porém, esse estado durou menos de dez segundos, pois uma perturbação interna desfez a ativação da força espiritual.