Capítulo 43: O Elixir do Vale Escondido
Song Shuhang levou o Alquimista para dar uma volta pelo bairro de Daji, visitaram mais de dez apartamentos disponíveis para alugar, mas nenhum deles agradou ao Alquimista. Shuhang também não sabia ao certo que tipo de casa o Alquimista estava procurando.
'Se não der certo aqui, podemos procurar em outros bairros', pensou Shuhang.
Nesse momento, o Alquimista finalmente encontrou uma casa que o satisfez.
Era uma residência novíssima, com três cômodos em cada um dos cinco andares, cercada por um muro e com jardins na frente e nos fundos. A disposição era requintada, era evidente o cuidado e dedicação que o dono havia investido ali.
Era realmente uma ótima casa!
Mas, definitivamente, não parecia ser uma casa para alugar!
“É essa aqui, vamos alugá-la!” O Alquimista gargalhou.
“Espere, senhor! Essa casa não está para alugar, é particular”, exclamou Song Shuhang.
Mas o Alquimista sequer quis ouvir suas explicações. Rindo, arrastou Shuhang até a porta da casa e tocou a campainha.
“Já vai!” ressoou uma voz grave.
Logo a porta se abriu. Um homem de meia-idade, de cabelo bem curto e levemente corpulento, apareceu e olhou para Song Shuhang e o Alquimista.
Ele ficou encarando o volumoso cabelo do Alquimista por um tempo, até perguntar desconfiado: “É entrega?”
“Não, queremos alugar a casa”, o Alquimista foi direto ao ponto.
O homem ficou um pouco desconcertado, seu rosto se contraiu, mas respondeu educadamente: “Desculpe, esta casa é da minha família. Além disso, não gostamos muito de dividir a casa com estranhos, por isso não pretendemos alugá-la.”
“Não gostam de morar com estranhos? Isso é ótimo!” O Alquimista exclamou animado. “Eu também não gosto de dividir o teto com desconhecidos. Então, por que vocês não se mudam e me alugam a casa inteira? O valor do aluguel fica a seu critério, não vou barganhar!”
Era impossível não achar a proposta do Alquimista ofensiva — pedir que o dono saísse da própria casa para alugá-la a ele? O dono teria que dormir na rua? Com um pedido desses, como poderia conseguir alugar a casa?
Como era de se esperar, o dono já estava com as veias da testa saltando e uma expressão nada amistosa: “Desculpe, não preciso desse dinheiro, não vou alugar a casa. Procurem outro lugar, adeus.”
O fato de ter conseguido se controlar até aí mostrava que era um homem educado. Se fosse Song Shuhang, ele mesmo não teria conseguido se segurar, ao menos teria xingado de louco!
“Ei, pense bem! O dinheiro realmente não é problema!” O Alquimista insistiu, sem desistir.
Song Shuhang já conseguia imaginar a cena do dono furioso expulsando-os dali. Rapidamente puxou o Alquimista, decidido a arrastá-lo dali à força.
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Inesperadamente, no fim das contas, o Alquimista e Song Shuhang acabaram se mudando para aquela casa de cinco andares e três cômodos por andar.
“Ah, realmente, uma casa independente como essa é a mais adequada, tem o tamanho certo, e depois de derrubar as paredes do térreo, ficará perfeita para um laboratório de alquimia!” O Alquimista visitava cada andar, satisfeito.
“Mas, na verdade, só precisávamos alugar um quarto...” resmungou Song Shuhang.
No mundo, tudo tem seu preço. Muitas vezes, o motivo de não conseguirmos algo não é porque não está à venda, mas porque não oferecemos o valor suficiente.
Essa casa de cinco andares não era diferente.
Apesar de ter sido projetada com tanto zelo pelo dono para a própria família, bastou o Alquimista oferecer uma quantia irrecusável para que... o homem, antes furioso, mudasse de expressão num piscar de olhos.
Em seguida, o dono entregou alegremente os documentos da propriedade, todas as chaves da casa e do portão, e marcou um horário para irem juntos ao cartório realizar a transferência.
Depois disso, em apenas duas horas, a família do antigo dono já havia se mudado. Que eficiência!
Sim, o Alquimista comprou a casa.
Riqueza é poder!
“Não se prenda a detalhes. O mais importante é que agora temos um laboratório adequado e podemos começar a preparar a poção de fortalecimento corporal”, disse o Alquimista, rindo. Ele tirou um pequeno frasco de porcelana do bolso e entregou uma pílula a Song Shuhang.
Song Shuhang pegou a pílula, intrigado.
“Esta é uma Pílula de Sustento, serve como alimento. É um dos elixires indispensáveis para os cultivadores. No futuro, quando você se aprofundar na prática, poderá passar meses, anos ou até décadas em reclusão. E, mesmo assim, cultivadores também precisam se alimentar. É aí que entra esta pílula: basta mantê-la na boca e seu efeito se dissolve aos poucos. Esta é da qualidade mais baixa, mas para você, basta uma para suprir um mês de refeições”, explicou o Alquimista com um sorriso.
“Obrigado, senhor.” Song Shuhang sentiu-se aquecido por dentro. O Alquimista, que parecia tão desligado, era, na verdade, atencioso e cuidadoso — ele até lembrava que Shuhang não havia almoçado.
“Não precisa agradecer, fique com ela um tempo na boca. Quando estiver satisfeito, vamos preparar a poção”, disse o Alquimista.
Song Shuhang colocou a Pílula de Sustento na boca e logo sentiu um aroma delicioso se espalhar. A fome desapareceu completamente e, em pouco tempo, teve até vontade de arrotar de tão satisfeito.
“Quando se sentir cheio, retire a pílula, para não exagerar. Além disso, enquanto não for completamente consumida, pode ser usada de novo. Guarde bem, pode ser útil no futuro.” O Alquimista acrescentou que os elixires que ele faz têm validade de séculos, não há perigo de estragar.
Ao ouvir isso, Shuhang tirou a pílula da boca e a guardou novamente. Ainda bem que não a engoliu, pois estava imaginando se seria como nos seriados, em que ao engolir uma dessas, ficaria um mês sem precisar comer nem beber.
Pelo visto, se engolisse, teria morrido de tanto comer.
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Fogão elétrico, sem problemas.
Panela de fondue, ok.
Quarenta e cinco tipos de ingredientes para a poção de fortalecimento corporal, já separados em ordem e quantidade ao lado de Song Shuhang.
“Repita exatamente o que fez da primeira vez, pode começar”, disse o Alquimista. “Não se preocupe, não precisa ter medo de errar, tenho bastante desses ingredientes.”
Song Shuhang sorriu timidamente e fechou os olhos, relembrando todo o processo de sua primeira tentativa. Como havia sido ontem e era a primeira vez em sua vida, lembrava-se perfeitamente de cada etapa.
“Primeiro, adicionar água.” Despejou uma concha de água na panela.
Depois colocou as fatias de ginseng e deixou cozinhar por cinco minutos.
Em seguida, acrescentou bagas de goji, cozinhando por mais cinco minutos.
Ao chegar no terceiro ingrediente, a ‘Erva do Orvalho da Manhã’, Shuhang parou de marcar o tempo. Passou a observar cuidadosamente as mudanças dos ingredientes na panela. Após um instante, aumentou a potência do fogão elétrico.
O Alquimista, coçando o queixo, observava atento cada movimento de Song Shuhang, mantendo-se em silêncio para não atrapalhar.
“Mesmo já tendo me preparado, ainda é difícil associar os movimentos do jovem Shuhang com um verdadeiro alquimista”, refletiu o Alquimista.
Felizmente, ele era um alquimista aberto às novidades.
Se algum alquimista mais tradicional visse Song Shuhang usando uma panela de fondue e um fogão elétrico para fazer alquimia, certamente ficaria indignado.
“Aliás, é preciso começar a planejar a modernização dos fornos alquímicos. Pelo menos para elixires que não exijam fogo alquímico ou chamas especiais, os equipamentos modernos tornam o controle da temperatura muito mais fácil”, pensou o Alquimista.
Como Song Shuhang ali na frente, bastava apertar alguns botões para ajustar o fogo perfeitamente. Isso era impossível nos fornos antigos, mesmo com artefatos de controle de fogo.
Naquele momento, com a ajuda da Pérola de Gelo, Song Shuhang mais uma vez entrou num estado de concentração extrema. Para ele, nada mais existia além da poção que estava preparando.
O olhar do Alquimista se encheu de admiração.
Apesar de não ser mais tão jovem, talvez Song Shuhang tivesse um dom natural para a alquimia!