Capítulo 37: As garotas mais jovens têm tanta personalidade hoje em dia?
Song Shuhang originalmente só queria segurar a cabeça do delinquente loiro e dar-lhe um leve peteleco no adorável occipital. No entanto, o peso que sentiu no braço naquele momento fez com que acreditasse ser totalmente capaz de girar o homem feito um pião, como se fosse um bastão de madeira.
Será que não valeria a pena experimentar um giro?
Felizmente, manteve a razão e conteve à força o impulso de girar o homem no ar — seria uma cena aterradora, assustando qualquer criança que estivesse por perto.
Agora, Song Shuhang compreendia o que Yu Rouzi devia sentir ao carregar aquela caixa enorme. Para ela, mais de cinquenta quilos talvez fossem tão leves quanto papel.
— Aaaaah! — o delinquente loiro, apanhado pela nuca, levou um susto imenso, debatendo as pernas no ar e gritando de pavor — qualquer pessoa ficaria aterrorizada se fosse erguida pelo crânio de repente.
Por um instante, ele pensou que ascenderia aos céus em pleno dia!
Por mais que se debatesse, o braço que o segurava pela cabeça era como um grilhão de ferro, inabalável. Ele parecia um peixe fisgado, suspenso no ar, cujos esforços para escapar eram vãos e inúteis.
Os companheiros do delinquente loiro ficaram igualmente apavorados e só reagiram depois de alguns segundos imóveis.
— Mas quem diabos é você?! — gritaram alguns dos delinquentes ao redor.
Apesar de não gostarem de provocar estudantes com cara de encrenqueiros como Song Shuhang, também não aceitariam passivamente serem desafiados. Responderam à altura.
— Seu infeliz, vá para o inferno! Quer bancar o herói? Veja se tem coragem para isso! — dois deles investiram ao mesmo tempo contra Song Shuhang. Um avançou com os punhos, enquanto outro puxava uma barra de borracha.
Ambos gritavam insultos para inflar a própria coragem. Era o típico método de luta dos delinquentes: primeiro intimidar o adversário com palavras, depois atacar em grupo. Contra oponentes mais tímidos, bastava o ímpeto para garantir uma vitória fácil e humilhante.
Porém, naquele dia, os insultos eram apenas um modo de esconder o temor. Afinal, estavam diante de alguém que erguera um homem pelo crânio com um só braço — sem forçar a valentia, poderiam travar de medo.
Song Shuhang, ao ouvir insultos à sua família, franziu o cenho. Sempre fora um homem caseiro e detestava profundamente quem lançava ofensas dirigidas aos seus.
— É por isso que não gosto desse tipo de gente — disse, com o semblante fechado. — A boca de vocês é suja demais.
Sem hesitar, usou o delinquente loiro como arma e o lançou com força contra o que empunhava a barra de borracha.
Com um estrondo surdo, ambos colidiram e rolaram pelo chão.
Como estava irritado, Song Shuhang lançou o loiro com metade da sua força — o que, para pessoas comuns, já era muito.
No choque entre os dois, ouviu-se um gemido abafado e o ruído de ossos partindo; ambos tombaram ao chão, contorcendo-se de dor, incapazes de se levantar no momento.
Em seguida, Song Shuhang ergueu a perna com velocidade fulminante e desferiu um chute devastador no delinquente à direita, que vinha com os punhos em riste.
O ataque foi mais rápido que o próprio soco, e a perna é sempre mais longa que o braço — numa briga, quem chuta leva vantagem!
O delinquente gemeu, caindo ao chão e protegendo a virilidade, rolando de dor enquanto as lágrimas escorriam sem controle.
— Ai... Fiquei mais forte. Acho que não controlei bem esse chute. Será que não quebrou tudo? — murmurou Song Shuhang.
Em um piscar de olhos, dos sete delinquentes, três já estavam fora de combate.
Os quatro restantes engoliram em seco, vendo a moral desabar — estavam acostumados a brigas, mas sabiam reconhecer quando o adversário era uma muralha intransponível. Mesmo se todos estivessem ilesos, talvez não fossem páreo para aquele sujeito, que, além de tudo, usava métodos cruéis. Ao verem o companheiro agonizando e protegendo as partes baixas, sentiram uma pontada de dor no próprio corpo.
Song Shuhang lançou um olhar de soslaio aos remanescentes. Vendo que estavam amedrontados e sem coragem de atacar, perdeu o interesse em continuar a briga e disse, com voz grave:
— Sumam daqui.
Os quatro cerraram os dentes, recolheram os amigos caídos e fugiram rapidamente.
Um verdadeiro homem sabe recuar quando preciso — hoje, bater em retirada era uma questão de sobrevivência. Quando tiverem chance, voltariam para se vingar.
— Dêem-se por avisados! Que nunca mais nos encontre, ou faremos você se arrepender! — gritaram, já a uma distância segura.
Era a velha tática de não perder a pose, mesmo na derrota.
Song Shuhang riu com desdém, estalando os punhos. O som seco ecoou e fez os sete delinquentes acelerarem o passo, sumindo feito relâmpagos.
— Incrível… Serem massacrados assim há tão pouco tempo e não aprenderem nada. Logo vão se meter em outra e apanhar de novo — resmungou Song Shuhang.
Logo depois, voltou-se para a jovem encostada na parede.
Ela permanecia firme, expressão fria, olhar gélido. Não havia qualquer traço de medo em seu rosto, tampouco parecia disposta a agradecer.
— Você está bem? — perguntou Song Shuhang educadamente. Diante de tamanha indiferença, não tinha vontade de insistir; só fez a pergunta por cortesia e pretendia seguir seu caminho.
A garota de cabelos curtos lançou-lhe um olhar gelado.
— Tsc, que intrometido — murmurou, virando as costas e partindo com passos altivos, qual galo orgulhoso.
Song Shuhang ficou sem palavras.
O que foi isso?
As jovens de hoje são todas assim, tão cheias de personalidade?
No fim das contas, era mesmo um bom sujeito. Song Shuhang apenas sorriu de si para si, resignado.
— Ai, esqueci que estou atrasado. Se demorar mais, meus amigos vão acabar indo comer sem mim, aí saio no prejuízo — apressou o passo em direção ao apartamento que Li Yangde alugava fora do campus… Afinal, aproveitar banhos de loja ou refeições grátis era uma de suas especialidades.
…
Apartamento 602, bloco 221D, no bairro Daji — um prédio de apartamentos individuais, com cerca de setenta metros quadrados. Para Li Yangde, um programador caseiro, era o tamanho perfeito.
Tu Bo veio recebê-lo:
— Shuhang, você demorou demais! Não me diga que parou para bancar o herói e salvar alguma garota, pois essa desculpa já está muito batida!
— Acredite se quiser, foi exatamente isso. Salvei uma moça bem bonita, mas cheia de atitude — respondeu Song Shuhang, rindo e dando uma volta pelo apartamento. — Yangde, quanto custa o aluguel aqui?
Também pensava em alugar algo fora do campus e queria saber dos preços.
— Preço para estudante: cinco mil ao ano, água e luz à parte, pagamento à vista — respondeu Li Yangde. Um preço excelente para os arredores da universidade.
— Muito bom mesmo — assentiu Song Shuhang.
Tu Bo interveio:
— Vamos ao restaurante Ashun! Já reservei a mesa. Hoje é dia de aproveitar e comer até não aguentar mais, às custas do Yangde.
— Falando em comida, estou com um apetite incrível hoje — comentou Song Shuhang. Talvez por causa do treino corporal, sentia que poderia devorar um boi inteiro.
E assim, Song Shuhang comeu até se fartar.
Deixou os três colegas de apartamento de boca aberta… Nunca tinham visto Shuhang comer tanto assim.