Capítulo 62: Sim, eu te enganei!

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2729 palavras 2026-01-30 14:22:18

Lin Tao sabia que inevitavelmente chegaria o momento de deixar a escola. Se aquele sujeito de mais de dois metros de altura viesse atrás dele, querendo lhe mostrar o tamanho do próprio punho, só lhe restaria reservar com antecedência um leito de hospital perto da janela, bem ventilado e com uma boa vista, antes mesmo de descobrir qual modelo de panela aquele punho se assemelhava.

Por isso, ele se acovardou de vez, forçando um sorriso amargo enquanto acompanhava Song Shuhang e Nan Haomeng até o terraço do dormitório.

Atrás, os colegas de quarto, embora curiosos, não ousaram perguntar nada diante do porte colossal de Nan Haomeng, temendo se envolver nos problemas de Lin Tao.

Queriam ajudar Lin Tao, mas sentiam-se impotentes.

...

Assim como no dormitório de Song Shuhang, o terraço também estava trancado. Song Shuhang não tinha a chave...

Mas isso não era problema, afinal, ali não era seu dormitório.

Diante dos olhos arregalados de Nan Haomeng e Lin Tao, Song Shuhang segurou o cadeado, puxou com leveza, e o cadeado, junto com os parafusos, cedeu facilmente.

Foi como arrancar uma folha.

Aquilo já não era mais força humana, parecia uma fera em forma de gente.

Lin Tao sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha.

Ao pisar no terraço, Song Shuhang falou em tom grave:

— Agora, diga-me, quem pediu para você investigar sobre mim?

— Eu não conheço aquele sujeito — respondeu Lin Tao com um sorriso forçado, já esperando essa pergunta, justamente a que mais temia, pois não sabia a resposta.

Assim que terminou de falar, viu o semblante de Song Shuhang se fechar.

Apavorado, Lin Tao tentou remediar, forçando a memória:

— Espere, consigo lembrar o rosto dele. Era bem mais alto do que eu, por volta de um metro e oitenta e três; magro, com braços muito longos, notavelmente maiores que os de uma pessoa comum, parecendo um gibão. Como usava grandes óculos escuros, não consegui ver o rosto direito. Os lábios eram grossos, quase como uma salsicha inchada.

— Só isso? — O rosto de Song Shuhang parecia um vulcão prestes a explodir.

— Tem mais! Embora ele tentasse disfarçar, percebi pelo jeito de falar que tinha um sotaque típico da região próxima à Cidade J e ao sul do Rio. Morei lá na infância, então sou sensível a esse sotaque.

Cidade J, vizinha ao sul do Rio — a região do Bairro Luoxin.

Será que era mesmo por causa do “fantasma espiritual”? Song Shuhang começou a ter quase certeza disso.

— Fora isso, não sei de mais nada. E também não revelei muita coisa sobre você. Só falei do seu endereço, alguns amigos próximos e alguns parentes diretos. Tudo informações que seus colegas de escola já sabem, ou que são fáceis de achar na rede interna. O resto, nem consegui encontrar. Ah... esta foi a recompensa que ele me deu, estou devolvendo tudo agora... — Lin Tao, aflito, tirou do bolso um maço de notas vermelhas, na esperança de ser perdoado.

Ao ver o dinheiro, o último fio de razão de Song Shuhang se rompeu.

Por essa quantia miserável, Lin Tao entregou informações pessoais a um desconhecido, colocando-o em risco de morte. E, se não resolvesse logo, até seus familiares poderiam acabar correndo perigo.

Maldição!

Song Shuhang agarrou Lin Tao pela gola e o puxou com força, cerrando o punho direito e desferindo um soco brutal em seu rosto.

Era um golpe proibido na arte marcial, chamado de “Soco da Amizade Desfeita”.

Lin Tao voou pelo ar, cuspindo sangue e dentes quebrados. O rosto inchou quase instantaneamente.

E isso porque Song Shuhang conteve a maior parte da força. Do contrário, aquele soco furioso teria deixado Lin Tao gravemente ferido, acamado e incapaz de cuidar de si.

Agora, perder alguns dentes e sair com o rosto inchado já era sinal de muita contenção.

Lin Tao ficou atordoado, demorando para começar a chorar de dor. Mas, com metade dos dentes faltando e o rosto desfigurado, até seu choro soava estranho e abafado.

— De hoje em diante, é melhor apagar de vez tudo que sabe sobre mim. Caso contrário, da próxima vez não será só um soco — avisou Song Shuhang, limpando o sangue do punho. — E quanto ao seu rosto e dentes, arrume uma desculpa para os outros. Pode dizer que caiu, bateu, tanto faz. Só não volte a se meter comigo. Espero não ter que vê-lo de novo.

Não haveria outra chance. Se acontecesse novamente, Song Shuhang não sabia do que seria capaz. Até um santo só tolera três vezes.

Song Shuhang e Nan Haomeng foram embora.

Lin Tao ficou chorando no terraço, cercado por notas espalhadas pelo chão. Será que aquele dinheiro daria para colocar metade dos dentes de volta? Dentista está caro hoje em dia.

...

— Diga lá, Shuhang, você não tem medo de o Lin Tao ir contar para a direção que você bateu nele até deixá-lo aleijado? E aí a escola te expulsar ou algo do tipo? — Nan Haomeng perguntou, de repente.

— Não estou nem um pouco preocupado — respondeu Song Shuhang, surpreendentemente calmo.

Por algum motivo, essa calma deixou Nan Haomeng com um mau pressentimento.

— Porque eu nunca admitirei que fiz isso. E... — Song Shuhang olhou para Nan Haomeng. — Sabe por que fiz questão de você vir comigo?

— Como assim? Não fui eu que quis te acompanhar? — Nan Haomeng começou a desconfiar.

— Diga, entre nós dois, quem chama mais atenção? — Song Shuhang falou tranquilamente.

— Você me armou uma armadilha? — Nan Haomeng gritou indignado.

— Armei, sim. Ficou bravo? — Song Shuhang confirmou com um aceno de cabeça.

Bravo nada! No fim, só eu apanho mesmo. Não tenho chance contra você...

Rosnando, Nan Haomeng deu meia-volta e correu de volta ao terraço, achando melhor reforçar a ameaça a Lin Tao para que ele não fizesse nenhuma besteira.

**********

No céu, o sol brilhava incansável, derramando calor e luz. Num tempo tão quente, todos desejavam que o sol tirasse folga por uns dias.

Aproveitando que ainda não havia aula, Song Shuhang foi até a casa do Mestre dos Remédios.

Tinha muitas perguntas para fazer ao ancião.

Naquele momento, no pequeno pátio da casa peculiar de três blocos e cinco andares, estava estacionado um antigo Volkswagen Santana, daqueles quadrados de autoescola de décadas atrás. Esse modelo já havia sumido das ruas há muito tempo, devido à idade e ao desgaste.

Quem diria que ainda havia alguém dirigindo aquilo? Song Shuhang duvidava que tal carro ainda pudesse circular legalmente.

“Tem visita?”, pensou ele, pegando a chave para abrir a porta.

Mas antes que pudesse entrar, a porta se abriu por dentro.

Uma mulher de cabelos longos até os ombros saiu. Pequena, mal chegando a um metro e meio, mas exalava uma presença forte — a cada passo, parecia uma tigresa patrulhando a floresta.

Ela lançou um olhar de relance a Song Shuhang, seguiu até o velho Santana, abriu o porta-malas e tirou de lá um forno de alquimia de quase um metro cúbico.

Em seguida, ergueu a perna e desferiu um chute no forno, que emitiu um lamento metálico de dor.

A jovem claramente estava de mau humor, e seu temperamento parecia péssimo.

“O nível de raiva já extrapolou todos os limites...”, Song Shuhang sentiu um calafrio e achou mais prudente manter distância.

Quando ele se preparava para entrar silenciosamente e procurar o Mestre dos Remédios, um ruído estranho soou atrás de si.

Então, o forno que acabara de ser chutado começou a inchar como se fosse inflado, e em questão de segundos ficou do tamanho do carro.

Crescer com um chute?

Seria uma técnica de compressão de volume?

Mil e uma artes, infinitos poderes. Nada é impossível para um cultivador!