Capítulo 29: Correndo sob o pôr do sol, ali jaz minha juventude perdida

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2633 palavras 2026-01-30 14:21:52

Mas, nas últimas etapas em que fracassei, acabei recorrendo totalmente ao meu instinto para refinar, sem seguir a receita passo a passo! Então, afinal, tive êxito ou fracassei?

Song Shuhang coçou o queixo e ficou olhando para o líquido medicinal por um bom tempo.

E se eu experimentasse? De qualquer forma, é o fruto de mais de três horas e meia de esforço árduo.

Ele hesitou por um instante, mas logo tomou uma decisão. O desejo de confirmar a existência da “cultivação” superou o medo do desconhecido líquido.

No máximo, uma lavagem estomacal no hospital resolveria.

Claro, Song Shuhang não era imprudente. Primeiro, pegou o celular e deixou na tela o número do colega de quarto, Tu Bo, pronto para discar. Se algo desse errado, bastaria um movimento no dedo para ligar para ele.

Pensou em deixar o telefone de emergência na tela, mas temeu que, caso não conseguisse falar ao telefone, a atendente do pronto-socorro achasse que era uma brincadeira e aí sim estaria perdido. Melhor ligar para um amigo próximo; se algo soasse estranho, mesmo um grito bastaria para chamar atenção imediatamente.

— Vamos lá, só um gole... Não deve matar ninguém, certo? — murmurou para si mesmo.

Por fim, pegou uma colher, soprou para esfriar. Que tristeza, quarenta e cinco tipos de ervas e, no fim, só sobraram cinco colheres de pasta medicinal.

O valor dessas cinco colheres deve ultrapassar facilmente dez mil em ouro.

— É mingau de gergelim, é mingau de gergelim — repetiu para si, como se pudesse se hipnotizar, fechou os olhos, prendeu a respiração e engoliu tudo de uma vez.

Para sua surpresa, embora o cheiro fosse insuportável, ao entrar na boca exalava um aroma medicinal inexplicável.

Contudo, logo sentiu duas sensações na garganta... dor e ardência!

Era uma sensação de queimar impossível de descrever, como se a pasta, antes fria, explodisse ao descer pela garganta, liberando um calor avassalador, quase como se fosse explodir por dentro.

Pronto, agora era caso de lavagem estomacal.

Uma mão apertou a garganta, a outra se preparou para discar para Tu Bo!

Antes mesmo que conseguisse mexer o dedo, aquela sensação explosiva sumiu de repente!

Melhor dizendo, o líquido explosivo transformou-se numa onda de calor acolhedora, que desceu até o estômago. Sentia o abdômen aquecido, confortável a ponto de querer soltar um gemido.

Mas, sendo um homem, gemer seria constrangedor. Segurou-se com esforço.

Ainda não tinha acabado. O calor, concentrado no baixo-ventre, espalhou-se pelos meridianos, ramificando-se para todos os membros. Se antes o conforto estava só no abdômen, agora era no corpo todo, um prazer absoluto.

Song Shuhang não aguentou mais e, abrindo a boca, quis gemer de alívio.

Só que, ao abrir a boca, sentiu como se ela estivesse selada, incapaz de emitir som algum!

E, justo nesse momento, sentiu uma urgência que precisava ser expelida.

Fez força, abriu a boca ao máximo, tentando soltar o som do abdômen pela garganta!

Prendeu o ar, forçou... e...

Pruuuuu!

Um barulho alto, mas não saiu pela boca. Saiu por baixo. Depois de tanto esforço, tudo o que conseguiu foi soltar um pum.

Ainda bem que, liberando por baixo, também liberou por cima. Deu então um grande arroto.

Esse arroto parecia dissipar toda a energia acumulada no corpo.

É sabido que, ao longo dos anos, com o acúmulo de toxinas, as pessoas sentem como se houvesse uma fogueira presa no peito, e de vez em quando a garganta fica seca ao respirar.

Mas, nesse momento, após o arroto, Song Shuhang sentiu que os órgãos internos tinham sido lavados, um frescor que o atravessava. Cada respiração era como se estivesse numa floresta ao amanhecer, o ar fresco penetrando e refrescando os pulmões.

Com o arroto, o poder medicinal explodiu de vez por todo o corpo, uma onda de energia irrompeu de dentro, sem cessar!

A energia continuava a explodir dentro de si!

Song Shuhang começou a sentir coceira por todo o corpo, a fadiga das três horas e meia de refino já desaparecera sem deixar rastro.

— Este líquido de fortalecimento corporal é real! — agora tinha certeza de que o líquido negro que engolira era o autêntico líquido de fortalecimento.

A força crescia sem parar dentro dele, o calor explodia, inundando o corpo, quase a ponto de fazê-lo explodir.

Nesse momento, Song Shuhang lembrou que, nos romances de fantasia, sempre que o protagonista tomava um elixir milagroso, acabava praticando algum exercício ou técnica para absorver a energia.

Mas ele não sabia nada de artes marciais.

Lembrava vagamente de quando, na escola primária, o professor de educação física tentara ensinar tai chi, mas tudo que retinha era “uma melancia grande, corta ao meio, metade para você, metade para ele”.

E duvidava muito da autenticidade daquele tai chi, talvez fosse uma versão adaptada da editora XX.

— Tenho que gastar essa energia, senão vou acabar explodindo como nos romances de fantasia! — sentiu necessidade de se mover.

— E se eu der uma corrida? — Olhando para o sol escaldante lá fora, achou que não era uma boa ideia, mas a energia dentro de si precisava ser extravasada.

Cerrou os dentes e correu para o campo da escola.

Correu, correu, e a cada passo ficava mais rápido. Quanto mais corria, melhor se sentia, as pernas pareciam até flutuar.

Quase num sprint, chegou à pista de corrida do campo.

O calor era intenso, ninguém em sã consciência se exercitaria ali sob o sol, nem os mais enérgicos, que preferiam jogar basquete na sombra.

Na pista ampla, apenas ele corria, livre, como um cavalo selvagem, acelerando mais e mais.

No fim, sentiu que não conseguia mais controlar os pés.

A cada curva, parecia até estar derrapando.

Quase sem esforço, completou três voltas correndo no máximo, mil e duzentos metros, sem sentir cansaço. Pelo contrário, à medida que o calor se dissipava, sentia-se cada vez mais leve.

O exercício era tão intenso que até o colar de gelo em seu peito não conseguia manter a temperatura corporal. O suor escorria de cada poro, logo encharcando a roupa.

Mas, que sensação maravilhosa!

A cada gota de suor, sentia-se mais leve. A cada expiração pesada, sentia o corpo mais fresco.

O líquido de fortalecimento corporal não era algo que se tomava e depois dormia para sentir o efeito; todo praticante, ao beber, precisava de técnicas ou exercícios para potencializar o efeito.

Song Shuhang não tinha artes marciais, para ele, correr era o melhor exercício.

Deu voltas e mais voltas, sem se cansar.

No começo, ainda contava quantas voltas dava, depois perdeu a conta.

Com o estado em que estava, enquanto a energia explodisse dentro de si, sentia que poderia dar a volta ao mundo correndo.

Então, continuou correndo, voltas e mais voltas, até que o poder medicinal se estabilizasse.

Quando percebeu, não sabia mais quantas voltas tinha dado, trinta? Quarenta? Ou mais.

Por fim, parou.

Mesmo após tanto tempo correndo em velocidade máxima, respirava normalmente, sem nenhum sinal de fadiga.

Felizmente, a energia que explodia em seu corpo agora se acalmava, restando apenas uma porção suave de poder medicinal no baixo-ventre, fortalecendo o corpo de forma gradual.

Com a roupa encharcada, Song Shuhang a tirou, segurando-a na mão.