Capítulo 12 O telefone de Mestre Song também ficou sem bateria

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2879 palavras 2026-01-30 14:21:39

A jovem de cabelos negros parecia ter pouco mais de vinte anos, enquanto ele tinha acabado de completar dezoito. Será que realmente aparentava ser tão mais velho? Parecia um homem maduro?

E... título de cultivador? Ele logo se lembrou dos nomes extravagantes usados no grupo de mensagens: coisas como Mestre Verdadeiro da Montanha Amarela, Eremita do Rio do Norte, Senhor da Caverna XX, Senhor do Palácio XX... Isso lhe deu uma dor de cabeça ainda mais forte.

— Hum, me chame apenas de Song Shuhang. E quanto ao título de cultivador... melhor não comentar sobre isso — respondeu Song Shuhang. Não queria ser visto como alguém com delírios de grandeza.

— Ah? Me desculpe, senhor. Esqueci por um instante — disse Yu Rouzi, constrangida. Como cultivadora, era costume não mencionar títulos diante dos outros; ela se deixou levar pela empolgação e esqueceu disso.

— E também não me chame de senhor — tossiu Song Shuhang. Sentia que sua tosse, que vinha melhorando, estava prestes a piorar.

— Ah — respondeu Yu Rouzi suavemente, mas por dentro ficou um pouco desanimada: esse senhor parecia difícil de abordar. Bom, nem todos do grupo eram tão simpáticos quanto o Eremita do Rio do Norte.

Além disso, ele estava ali, no bairro Luoxin, mas não participava das conversas no grupo; talvez fosse uma pessoa fria, sem intenção de ajudar. Pensando nisso, ela ficou ainda mais desanimada.

Enquanto Yu Rouzi se perdia em pensamentos, Song Shuhang acrescentou:

— Pode me chamar apenas de Song Shuhang.

— Ah? — Yu Rouzi hesitou — Não seria inadequado?

— Pode me chamar de Song Shuhang, ou, se preferir, de Shuhang, Xiao Hang, Xiao Song, como quiser — afirmou Song Shuhang, decidido.

Se Yu Rouzi continuasse a chamá-lo de senhor, ele se sentiria muito envergonhado. Afinal, estavam no mundo real!

— Song Shu... senhor — Yu Rouzi começou, mas achou estranho e acrescentou “senhor”.

Ainda assim, ela relaxou e sorriu, aliviada. Parecia que ele era uma boa pessoa, não um daqueles senhores frios. Quem sabe, talvez ele a ajudasse.

Song Shuhang esfregou o rosto, completamente derrotado:

— Tudo bem, pode me chamar como quiser.

— Song Shuhang, você veio me ajudar? — perguntou Yu Rouzi, animada.

— Vamos conversando enquanto caminhamos — sugeriu Song Shuhang, pegando o grande saco ao seu lado. Com os dois e a mala enorme, estavam atrapalhando a passagem; melhor encontrar um lugar tranquilo para conversar.

Yu Rouzi imediatamente seguiu Song Shuhang em silêncio.

— Vi as mensagens do grupo. O lugar para onde você vai é o bairro Luoxin da cidade J, certo? — perguntou Song Shuhang.

— Sim, o bairro Luoxin da cidade J. Espere, Song Shuhang, então... — Yu Rouzi, perspicaz, percebeu pelo tom dele a verdade, e ficou com o rosto preocupado — Este não é o bairro Luoxin?

— Este é, de fato, o bairro Luoxin, mas é o da região sul, não o da cidade J — suspirou Song Shuhang.

O rosto de Yu Rouzi ficou imediatamente vermelho, desta vez de vergonha. Após um tempo, ela perguntou baixinho:

— Song Shuhang, você sabe como chegar ao bairro Luoxin da cidade J?

— Nunca fui lá, mas você pode usar o GPS, certo? — Song Shuhang sorriu gentilmente.

Yu Rouzi bateu levemente na cabeça, pegou o celular e começou a deslizar o dedo... Só que mal havia começado, o celular tocou uma música agradável e depois escureceu.

Yu Rouzi ergueu os olhos para Song Shuhang, com os olhos grandes e brilhantes:

— Song Shuhang, meu celular está sem bateria.

Song Shuhang sentiu uma pontada no fígado, pensando que aquela bela moça era um pouco desajeitada. Mas, ainda assim, entregou seu celular:

— Use o meu.

— Obrigada, Song Shuhang — Yu Rouzi pegou o aparelho com alegria e mexeu nele.

De repente, o celular tocou uma música forte, e a tela escureceu.

Yu Rouzi, mais uma vez, ergueu os olhos para Song Shuhang, agora com lágrimas nos olhos:

— Song Shuhang, seu celular também está sem bateria.

Droga, Song Shuhang só então lembrou que, ao sair de casa, seu celular tinha apenas seis por cento de bateria. Depois de quase três horas ligado e ainda usando a internet, acabou sem energia.

Pegando de volta o celular, constrangido, Song Shuhang perguntou:

— Yu Rouzi, você está com pressa para chegar ao Templo Lanterna Fantasma?

— Não exatamente, mas quanto mais rápido, melhor. Se eu demorar, pode acontecer algo — respondeu Yu Rouzi, suavemente. Se ela se atrasasse, seu pai voltaria da casa do Senhor da Espada Selvagem, e ela seria pega e levada de volta.

Esse era o motivo pelo qual ela tinha ignorado as mensagens do Senhor da Espada Selvagem. Se o pai voltasse, ela não poderia fugir.

— Então, que tal ir ao meu dormitório? Lá posso pesquisar o caminho no computador e você pode carregar o celular. Mas fica a mais de vinte minutos daqui, tudo bem? — sugeriu Song Shuhang.

Song Shuhang era um homem íntegro, com um rosto amigável e, no fundo, um bom coração.

Por isso, não conseguia simplesmente deixar Yu Rouzi sozinha. Na verdade, tirando os que não gostam de mulheres, quantos homens seriam capazes de abandonar uma beleza dessas?

— Dormitório? É o lugar onde você vive escondido? — Os olhos de Yu Rouzi brilharam — Vinte minutos de caminhada não é nada!

— Então, vamos? — perguntou Song Shuhang.

Yu Rouzi assentiu energicamente, pegou a enorme mala e seguiu atrás dele.

Que garota fácil de convencer, pensou Song Shuhang, um pouco melancólico. Parecia que bastariam dois pirulitos para levá-la consigo.

...

Dizem que, quando homens e mulheres trabalham juntos, o esforço é menor.

Normalmente, um homem e uma mulher fazendo algo juntos têm mais energia. Porém... Song Shuhang, após caminhar pouco mais de cinco minutos ao lado de Yu Rouzi, já estava ofegante, sentindo-se exausto.

Ele olhou para Yu Rouzi e lembrou da conversa dos amigos na praça: “Aquela moça tem pernas longas, anda rápido, cada passo dela vale por vários meus. Precisei quase correr, mas não consegui alcançar.”

Ter pernas longas realmente era uma vantagem! Cada passo dela valia por dois dele!

Yu Rouzi já estava tentando andar devagar, mas Song Shuhang ainda precisava quase correr para acompanhá-la. Como não se cansar?

— Song Shuhang, você está ofegante? — Yu Rouzi perguntou, intrigada. Não deveria ser possível; só tinham caminhado cinco minutos, como um cultivador experiente poderia estar cansado?

— Calma, vamos devagar, não estamos com pressa — disse Song Shuhang, ajustando a respiração.

— Ah — Yu Rouzi assentiu, ainda sem entender. Sentia que o estado daquele “senhor” estava estranho, como se tivesse uma condição física ruim.

Mas era uma moça educada, respeitava a privacidade dos outros. Já que Song Shuhang não quis falar, ela não perguntaria, para não incomodar.

Assim, ela ajustou o passo, encurtando o alcance das suas pernas longas para acompanhar Song Shuhang.

Song Shuhang finalmente sentiu um alívio.

Já tinham saído do bairro Luoxin, afastando-se cada vez mais.

Coincidentemente, atrás deles, os três amigos que haviam dado notas às belas pernas na praça também deixavam o bairro, carregando sacolas.

— Ei! Cem pontos, ali está mais um cem pontos! — gritou, animado, o gordinho Axu, apontando para Yu Rouzi.

O rapaz bonito se animou:

— Onde? Desta vez vou alcançá-la!

— Você não tem chance — comentou o rapaz de cabelo curto, preguiçosamente — Ela já está acompanhada de um homem.

O rapaz bonito viu Song Shuhang ao lado de Yu Rouzi e desanimou:

— Ela já tem dono, que droga!

— Mesmo com dono, a pá pode ser mais cruel. Basta saber manejar a pá, não há muro que não caia. Vá em frente! — Axu riu.

— Não tenho interesse em roubar o lugar de outros — respondeu o rapaz bonito, surpreendentemente honesto.

De repente, ele fixou o olhar nas costas de Song Shuhang:

— Ei, vocês não acham aquele cara familiar?

— É normal achar familiar. Quando estávamos na praça dando notas à moça cem pontos, ele estava sentado ao nosso lado — explicou o rapaz de cabelo curto.

— ... — Axu.

— ... — O rapaz bonito.

Ele estava sentado ao nosso lado, ele estava sentado ao nosso lado... Essa frase ecoou na mente do rapaz bonito.

O rapaz bonito se ajoelhou:

— Ele é o lendário Deus da Conquista?