Capítulo 5: É Preciso Confiar na Ciência!

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2866 palavras 2026-01-30 14:21:32

Após o almoço, Song Shuhang dirigiu-se à loja de aluguel de livros próxima para aproveitar a leitura. Ele gostava de ler ali, não por economizar o dinheiro do aluguel, mas por puro prazer — sentia-se especialmente satisfeito quando se acomodava num canto da estante, mergulhado nos livros. Naturalmente, para evitar a antipatia do proprietário, depois de passar metade do dia lendo, ele sempre alugava um ou dois volumes para levar consigo — afinal, tudo na vida deve ser feito com moderação, para garantir que o fluxo seja constante! Assim, evitava ser expulso da loja.

Afinal, lojas grandes como aquela, que não se limitavam a romances e ofereciam uma variedade de gêneros, eram cada vez mais raras. Se fosse colocado na lista negra, ele dificilmente encontraria outro estabelecimento tão bom nas proximidades da Universidade do Sul.

Diz-se que o nome de uma pessoa é importante, e Song Shuhang realmente apreciava livros, aceitando todos os tipos sem restrições. Romances, obras literárias, clássicos, até mesmo tratados teóricos áridos que davam dor de cabeça — tudo lhe agradava.

Ultimamente, ele vinha lendo sobre técnicas de direção e regras para motoristas, preparando-se para tirar a carteira enquanto o curso de seu primeiro ano de faculdade ainda era leve. Fazer o exame na universidade era bem mais barato do que fora dela, uma economia de milhares de reais.

O tempo dedicado à leitura passava rapidamente. Em pouco tempo, já eram cerca de três horas da tarde.

"Que rápido... Preciso voltar. Ainda tenho que passar no supermercado para comprar alguns lanches para a madrugada, afinal, sábado à noite é dia de batalhas até amanhecer," murmurou Song Shuhang, rindo consigo mesmo.

Com isso, pegou um livro qualquer e foi até o balcão para formalizar o aluguel. O balcão ficava perto da saída e, naquele dia, o toldo de proteção estava quebrado, fazendo com que a dona da loja se abrigasse numa área sombreada, fugindo do sol abrasador.

"Que calor, já dá para sentir o verão chegando," Song Shuhang comentou, protegendo os olhos com a mão enquanto olhava para o céu límpido, entregando o livro à proprietária.

Ela era uma típica beldade do Sul, delicada como se feita de água. Também gostava de ler, passando horas com um volume nas mãos. Seu modo de vestir mostrava que tinha uma vida confortável; administrar aquela loja era apenas um hobby.

Sentada silenciosamente, lendo, era um quadro digno de admiração. Muitos jovens comuns frequentavam o local só para apreciar aquela cena, mudando seus interesses e transformando-se de rapazes irreverentes em aspirantes a literatos.

Dizem, no entanto, que essa face serena era apenas o "modo pacífico" da dona... Onde há um modo pacífico, certamente existe um modo "PK" ou até mesmo "furioso". Mas, em meio ano frequentando ali, Song Shuhang nunca presenciou tal transformação.

"Pronto, lembre-se de devolver em dois dias. Cada dia extra custa um real a mais," disse ela, finalizando o procedimento de aluguel e dispensando Song Shuhang com um gesto apressado.

Apesar do pouco tempo de convivência, aquele jovem que passava horas lendo de graça — mas sempre alugava um ou dois livros no final — já deixara uma forte impressão na proprietária. Se ele não tivesse esse bom senso, ela já o teria expulsado com uma vassoura.

"Hehe," sorriu Song Shuhang, pegando o livro e atravessando o limiar da loja.

BOOM!

Neste instante, um trovão ensurdecedor explodiu. Todos na loja se assustaram, e Song Shuhang, que estava saindo, quase perdeu o equilíbrio, por pouco não caindo de cara no chão.

"!!!"

"Que diabos!"

"Trovão em céu claro?"

Entre murmúrios e exclamações, Song Shuhang olhou para cima e percebeu que o céu, antes límpido, começava a mudar. No horizonte, uma massa de nuvens negras se formava rapidamente, cobrindo aquela parte do céu e anunciando uma tempestade iminente.

"Parece que vai chover de repente. Diziam que a previsão do tempo era pouco confiável anos atrás, que era preciso interpretar ao contrário: se dizia que ia fazer sol, era bom levar guarda-chuva. Achei que, com o passar dos anos, isso tivesse mudado, mas parece que ainda não é confiável," pensou Song Shuhang, suspirando.

Antes era fácil, bastava interpretar a previsão do tempo ao contrário; agora, é preciso apostar se ela será precisa ou não.

Com esses pensamentos, ele pegou o livro alugado, decidido a voltar ao dormitório antes que a chuva começasse.

Mas antes que pudesse dar o segundo passo, outro trovão estrondou, fazendo seus ouvidos zumbirem.

Song Shuhang recuou o pé.

No horizonte, a região de nuvens negras torcia-se de maneira estranha. Serpentes de relâmpago saíam das nuvens, tecendo uma rede elétrica, com estrondos incessantes.

Song Shuhang já vira tempestades, mas nunca presenciara uma concentração de relâmpagos como aquela — parecia o fim do mundo, com raios caindo em blocos, e não em flashes isolados.

O som era diferente. No Sul, o trovão costumava vir em um estrondo seguido de ecos. Agora, era como se uma série de fogos de artifício explodisse: estrondos e estalidos, tão intensos que abafavam até os ecos.

Se fosse um castigo divino, que pecado seria necessário para atrair tamanha fúria dos céus?

O que mais intrigava Song Shuhang era que as nuvens negras não se espalhavam, permanecendo confinadas ao horizonte, explodindo sem se expandir.

Por cerca de dez segundos, a tempestade rugiu sem cessar.

Dava a impressão de que uma tempestade ainda mais intensa estava por vir.

"Que azar!" suspirou Song Shuhang. "Talvez eu devesse aproveitar para ler mais um pouco?"

Geralmente, uma chuva forte vinha e passava rápido; mas se demorasse, talvez desse tempo de ler mais um livro.

Com esse pensamento, ele voltou para a loja, disposto a ficar mais um pouco.

Parecia que o destino queria brincar com Song Shuhang.

Assim que ele voltou à loja, o trovão cessou abruptamente!

As nuvens e relâmpagos desapareciam ao mesmo tempo. Era como se uma mão gigantesca estivesse pintando o céu e, insatisfeita com o resultado, apagasse tudo de uma só vez.

O céu voltava a ser límpido, banhado de sol. Parecia que todo aquele estrondo e relâmpagos não passara de uma ilusão.

Alguém murmurou: "O que foi isso?"

"Será que alguém realmente foi punido pelo trovão?"

"Superstição! Raios são fenômenos naturais..."

Ao lado de Song Shuhang, um menino levantou a mão, segurando um gibi infantil, e ergueu a outra para o céu, exclamando com bravura: "Ah, quero que este céu não cubra mais meus olhos, que esta terra não enterre meu coração! Quero que essas nuvens desapareçam sem deixar vestígios!"

Song Shuhang não pôde evitar um sorriso, imaginando que, quando aquele garoto crescesse e lembrasse dessa cena, sentiria tanta vergonha que teria vontade de se esconder. E essa memória embaraçosa iria persegui-lo por toda a vida, surgindo inesperadamente para provocar constrangimento.

Ele sabia bem como era, por experiência própria.

Por algum motivo, ao ver o garoto, Song Shuhang lembrou-se do grupo de amigos excêntricos do "Grupo Número Um de Jiuzhou".

"Cidade H, provação do trovão de três níveis."

As mensagens do grupo vieram à sua mente.

Ao calcular a localização do horizonte, parecia que a área da tempestade era justamente onde ficava a cidade H.

Mesmo com seu coração forte, Song Shuhang sentiu um aperto.

Não podia ser... Será verdade?

A previsão dizia sol, mas de repente surgira uma tempestade de trovões.

"Ha ha ha, impossível! Como poderia existir tal coisa como provação celestial? Deve ser coincidência!" pensou Song Shuhang.

Mas, uma vez que a dúvida surgiu, era impossível descartá-la: será que existe mesmo coincidência assim? Aqueles relâmpagos eram estranhamente intensos, não pareciam um fenômeno natural.

Cidade H, provação... Essas palavras ecoavam em sua mente.

Song Shuhang sacudiu a cabeça, tentando expulsar a ideia.

Sua visão de mundo, construída em dezoito anos, dizia para acreditar na ciência e rejeitar a superstição; aquelas nuvens eram apenas um fenômeno natural, nada de provação celestial!