Capítulo 25: Duas caixas de ervas medicinais!
Ao conhecer Yu Rouzi pela primeira vez, o que mais chamava a atenção de qualquer pessoa eram suas pernas longas. No entanto, após algum tempo de convivência, quando alguém pensava nela, a imagem que vinha à mente era o seu sorriso tímido e corado, repleto de uma doçura encantadora.
Naquele momento, Tu Bo e outros dois rapazes se levantaram e caminharam apressados até Song Shuhang, perguntando:
— Shuhang, aconteceu alguma coisa?
Eram seus três colegas de quarto, que, ao verem um homem alto e forte vir procurá-lo, sentiram-se preocupados e ao mesmo tempo curiosos.
— Não é nada sério, só vim receber duas encomendas. Vou lá assinar o recebimento — respondeu Shuhang sorrindo, então voltou-se para Sima Jiang:
— Como vai, Jiangzinho? Onde estão as caixas?
O homem de terno teve um leve espasmo nos lábios ao ouvir o apelido, que já não era usado há muitos anos. Não esperava voltar a escutá-lo, ainda mais saindo da boca de um jovem.
Apesar disso, sorriu abertamente:
— Já estão na porta do seu quarto, só esperando sua conferência.
— Então vamos lá? Tenho quinze minutos de intervalo entre as aulas — disse Song Shuhang.
Sima Jiang caiu na gargalhada:
— Era exatamente isso que eu queria ouvir!
No corredor do segundo andar do dormitório masculino, na porta do quarto deles, quatro homens de terno preto montavam guarda ao lado de duas caixas de tamanho 80x80 centímetros, com expressões sérias.
Shuhang, surpreso, comentou:
— O serviço de entrega de vocês é sempre tão eficiente assim?
Com esse atendimento, como as outras transportadoras conseguiriam sobreviver?
— Nosso serviço sempre foi de primeira, mas o cliente desta vez é especial, então caprichamos ainda mais — respondeu Sima Jiang com uma risada forte.
— Obrigado pelo esforço de vocês — agradeceu Song Shuhang, aproximando-se das caixas e conferindo as guias de remessa.
Como suspeitava, o nome no remetente era “Yu Rouzi”, embora o endereço estivesse em branco.
Essas duas caixas deviam conter os ingredientes para o “Elixir Simplificado de Purificação Corporal” que Yu Rouzi prometera a ele.
— Deseja abrir para conferir? — perguntou Sima Jiang educadamente.
Na verdade, não era preciso abrir. Mesmo que as caixas estivessem cheias de tesouros, Sima Jiang jamais ousaria bisbilhotar.
— Não é necessário. Se houver algum problema, entrarei em contato diretamente — disse Song Shuhang, mostrando o cartão de visitas que tinha em mãos.
— Naturalmente. Se estiver tudo em ordem, por favor, assine aqui — pediu Sima Jiang, apontando para a guia.
— Certo — respondeu Song Shuhang, assinando rapidamente seu nome.
— Então, até logo, Song Shuhang. Desejo-lhe uma vida feliz — despediu-se Sima Jiang, acenando antes de se afastar com os quatro homens de preto.
Shuhang achou que, no fundo, aqueles cinco não pareciam entregadores, mas sim personagens de um filme de ação.
Ao abrir a porta do quarto, ele comentou:
— Esqueci de pedir ajuda para carregar as caixas, será que são pesadas?
Ele se lembrava bem da caixa de Yu Rouzi, temendo que essas também fossem extremamente pesadas.
No entanto, ao erguê-las, percebeu que não eram pesadas. Carregou uma de cada vez até sua cama.
Com a porta fechada, não resistiu e abriu uma das caixas. Dentro, havia várias caixinhas de madeira, delicadas e bem trabalhadas, organizadas em quatro camadas, cada camada com quatro caixas pequenas. Ao todo, trinta e duas caixinhas.
Ao abrir cuidadosamente uma delas, deparou-se com mais de quarenta tipos diferentes de ervas medicinais.
Reconheceu algumas, como ginseng, goji, pedra yangqi, aroma de donzela; outras nunca tinha visto, mas só de sentir o aroma já se sentia revigorado, como se o corpo inteiro fosse purificado pelo cheiro medicinal. Devia ser aquelas ervas lendárias que só existiam em romances de fantasia, como o ramo de soberano fresco ou as fatias de bambu do sol ardente.
Olhando para as duas caixas de ingredientes, Shuhang ficou atônito…
Só com o ginseng das duas caixas já teria uma fortuna considerável. E aquelas ervas raras, como orvalho celestial, ramo de soberano, bambu do sol ardente, provavelmente valiam cem vezes mais do que o ginseng.
Mas não era o valor que o deixava impressionado.
Havia apenas um pensamento em sua mente: seriam esses os ingredientes para preparar o “Elixir Simplificado de Purificação Corporal”?
Bastaria usar essas ervas e seguir o método ensinado pelo farmacêutico do grupo “Nove Continentes Número Um” — cozinhar tudo lentamente, controlando o fogo — e obteria o elixir?
E quais seriam, de fato, os efeitos desse elixir? Seria mesmo capaz de transformar o corpo, como nos contos de cultivadores imortais?
— Talvez, com essas ervas e a receita do farmacêutico, eu consiga descobrir se a cultivação é real ou não! — pensou Song Shuhang.
Esse pensamento cresceu em sua mente como fogo em palha seca, impossível de conter.
Ele não se considerava alguém teimoso. Se o elixir realmente tivesse efeitos miraculosos, então ele acreditaria na existência do cultivo.
E, uma vez convencido disso, o que deveria fazer em seguida?
— Esta tarde estou livre. São quarenta e cinco tipos de ervas, cada uma leva cerca de cinco minutos para preparar, então em três ou quatro horas consigo terminar. Uma tarde será suficiente para tentar! — decidiu Song Shuhang.
Ele era alguém de ação, que colocava logo em prática o que decidia.
— Para preparar o elixir, antes de mais nada preciso de um… caldeirão? —
Mas um caldeirão de alquimia não se encontra em lojas comuns; talvez em sites de compras online, mas o que se acha por lá certamente é brinquedo de criança.
Ou seja, se quisesse preparar o elixir ainda hoje, teria que encontrar um substituto.
Song Shuhang foi até a pequena cozinha procurar algo útil.
Logo avistou uma panela própria para cozidos… uma panela de fondue.
Porém, ao pensar um pouco, descartou a ideia:
— Não, isso é muito diferente de um caldeirão de alquimia.
Ele nunca tinha visto um caldeirão de verdade, mas imaginava que fosse parecido com o dos filmes. De qualquer forma, deveria ser um forno, não uma panela de fondue.
Deixou a panela de lado e continuou buscando na cozinha.
Depois de algum tempo, não encontrou nada adequado.
Panela elétrica de arroz, chaleira, frigideira, panela de pressão… nada servia como substituto.
A panela de pressão até parecia resistente, mas não dava para abrir durante o cozimento, e a receita exigia adicionar uma erva a cada cinco minutos.
No fim das contas, a única opção possível era mesmo a panela de fondue. Song Shuhang olhou para ela, resignado.
— De qualquer forma, só vou usar para cozinhar, talvez funcione? — pensou, coçando o queixo. Com trinta e duas porções de ingredientes, se falhasse uma vez, ainda teria chance de tentar de novo.
Seria um desperdício, já que as ervas pareciam muito valiosas.
— Vale a pena tentar. Se não tentar, nunca vai dar certo. Se tentar e fracassar, ao menos ganho experiência — decidiu Song Shuhang.
Então, tentaria naquela tarde mesmo!
Esperava apenas que seus colegas de quarto não se incomodassem com ele mexendo na cozinha; ou talvez fosse melhor procurar um lugar mais reservado para tentar.
Por ora, precisava voltar e assistir à última aula da manhã.
Shuhang abriu seu baú, colocando cuidadosamente as caixinhas de ingredientes dentro. O tamanho do baú fornecido pela escola era perfeito; depois de tirar seus pertences pessoais, conseguiu acomodar todos os ingredientes.
— Perfeito, senão nem saberia onde esconder tanta coisa — murmurou Song Shuhang, satisfeito.