Capítulo 45: A Jovem Encurralada Novamente Contra a Parede

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2571 palavras 2026-01-30 14:22:06

Ao sair da casa do farmacêutico, cinco minutos depois, Song Shuhang chegou ao intricado emaranhado de vielas do bairro Grande Fortuna.

Ele piscou e olhou para a cena diante de si, ao mesmo tempo familiar e estranha.

A cerca de dez metros à sua frente, onze delinquentes estavam aglomerados. Ostentavam cabelos tingidos em cores berrantes, uma fileira de piercings nas orelhas, no nariz e nos lábios, além de tatuagens exóticas espalhadas pelos braços.

Por exemplo, um deles, alto e robusto, com um sorriso malicioso, apoiava uma mão na parede, encurralando alguém com a clássica pose de conquista, exibindo no braço tatuado um patinho amarelo adorável.

A vítima do patinho amarelo era uma bela jovem de cabelos curtos.

Tinha cerca de um metro e meio de altura, cabelos curtos, rosto gracioso mesmo sem maquiagem. Por seu porte delicado, parecia ainda uma estudante do ensino médio.

Linda e encantadora.

Naquele momento, a jovem de cabelos curtos estava encostada na parede, expressão impassível, olhar gélido.

— Sozinha aqui, moça? Não sente solidão? — caçoou um deles.

— Que tal se divertir um pouco com a gente? — provocou outro.

— Os irmãos vão brincar contigo — completou um terceiro.

— Ali ao lado tem um lugarzinho ótimo, bem pertinho. Garanto que você vai querer voltar — zombavam, alternando assovios e insinuações.

A cena não só era familiar, como até as falas pareciam saídas de um roteiro ensaiado. Será que hoje em dia, antes de assediar uma garota, esses delinquentes combinavam as mesmas palavras? Como nos velhos tempos, em que todo ladrão gritava: “Esta montanha é minha, esta árvore eu plantei. Se quiser passar, pague o pedágio!”

Song Shuhang suspirou e massageou as têmporas. Como um jovem de bons princípios, não conseguia simplesmente ignorar uma cena dessas. Embora... talvez a garota não lhe agradecesse, podendo até acusá-lo de se intrometer onde não é chamado.

Ainda assim, decidiu ajudar a jovem mais uma vez — afinal, seria apenas um pequeno gesto.

Por isso, Song Shuhang, esse sujeito, já deveria estar soterrado de cartões de “boa pessoa”.

Apertou os punhos e avançou decidido.

Foi então que a jovem também o notou.

O rosto gelado dela não conseguiu mais manter a aura glacial; os cantos dos lábios se ergueram num leve sorriso — realmente ainda existem pessoas assim, que se metem nos problemas dos outros.

— No fundo, não é tão desagradável — murmurou ela em voz baixa.

— Hein? O que disse, gata? Vai aceitar o convite dos irmãos? — O grandalhão do patinho amarelo manteve a pose, enquanto a outra mão se estendia para tocar o rosto da garota.

Ela bufou, e então seus braços, cruzados até então, dispararam como relâmpagos, agarrando a cabeça do grandalhão e puxando-o bruscamente para si.

Seria um beijo? Que ousada! O delinquente sorriu por dentro, preparando os lábios, salivando, pronto para cobrir de beijos os lábios frios da bela.

Mas... não houve beijo.

Com um baque surdo, sentiu uma dor lancinante na testa, como se fosse atingido por um martelo. A visão escureceu e perdeu os sentidos, sentindo apenas algo escorrer do nariz — seria sangue, consequência do golpe brutal?

A jovem, impassível, derrubou o valentão com uma cabeçada certeira e o jogou de lado como se fosse lixo.

Quando imóvel, parecia um iceberg; em ação, uma tempestade furiosa. Usar uma cabeçada não era algo comum nem entre homens, a não ser que se tivesse muita confiança na própria cabeça — geralmente, esse golpe machuca ambos.

Ela lançou um olhar provocador para Song Shuhang, sorrindo de canto.

— Ah, Huang! Droga, Huang caiu! Não morra, Huang!

— Sua... você vai pagar por isso!

— Vamos mostrar pra ela o que é felicidade divina! — rugiram os outros dez, rostos distorcidos pela fúria, cercando a jovem.

Sem se abalar, ela bufou, cerrou os punhos à frente do rosto e firmou as pernas em um passo largo, posicionando-se em uma base sólida.

Os movimentos eram fluidos, elegantes e cheios de estilo.

Impressionante!

Para leigos, parecia puro espetáculo; para quem entendia, o simples passo revelava a base sólida da jovem, claramente alguém treinado.

Mas Song Shuhang e os delinquentes eram completos ignorantes. Só pensaram: que pose incrível!

— Ha! — gritou ela, socando o queixo do primeiro atacante com a velocidade de um foguete.

Normalmente, um soco de uma garota assim, por mais força que usasse, causaria apenas um pouco de dor. No entanto, o delinquente voou pelo ar descrevendo uma curva perfeita, caindo pesadamente ao chão.

Os olhos dos outros se arregalaram, boquiabertos — impossível! Como uma garota tão fofa podia desferir um golpe tão devastador?

Mas ela não parou. Com um giro do pé esquerdo, ergueu a perna direita e desferiu um chute poderoso, derrubando outro valentão, pisando nele em seguida.

Aproveitou o impulso, girou a cintura, e com as pernas como pinças, agarrou o pescoço de outro, girando o corpo flexível como uma serpente e arremessando o adversário longe...

Aquilo não era uma donzela indefesa encurralada por delinquentes. Era uma verdadeira máquina de destruição; cada parte de seu corpo era uma arma letal!

Pior: essa máquina ainda ativou o modo invencível!

...

Em pouco mais de dez segundos, os onze delinquentes estavam todos no chão, gemendo de dor.

A jovem bateu as mãos nas calças coladas, como se espantasse uma poeira que nem existia, lançou outro olhar para Song Shuhang, ergueu o queixo com desdém e bufou.

Virou-se e, orgulhosa como um galo, saiu da viela de cabeça erguida.

Song Shuhang coçou o queixo, assentindo pensativo:

— Então eu realmente me intrometi à toa?

Baixinho, acrescentou:

— Pensando bem, dois dias seguidos vendo ela ser encurralada por delinquentes... será que ela tem algum tipo de “magnetismo para delinquentes”?

Ao longe, a jovem que partia orgulhosa vacilou por um instante, os lábios contraindo-se, antes de apressar o passo e desaparecer.

Depois que ela se afastou, Song Shuhang agachou-se ao lado dos valentões, cutucando o grandalhão do patinho amarelo.

O sujeito gemeu de dor — ótimo, estava vivo.

— Que bom, não morreu — Song Shuhang assentiu, aliviado, e foi embora.

No fim, ele não era bonzinho a ponto de extremo. Já que os delinquentes sobreviveriam, ele não ia se dar ao trabalho de ligar para uma ambulância.

Que ficassem ali no chão, aprendendo uma lição na marra: da próxima vez, pensem duas vezes antes de importunar uma garota bonita!

Vai que a próxima também ativa o modo invencível?

Além disso, Song Shuhang não tinha tempo a perder com eles — precisava voltar rápido ao dormitório e aguardar a “carta de espada voadora” do Mestre Tongxuan.

Uma carta enviada por uma espada voadora! Antes, só via isso em sonhos, uma técnica lendária. Agora, estava prestes a testemunhar com os próprios olhos. Como seria?

E os livros que viriam com a espada voadora, “Técnica Fundamental do Punho Diamante” e “Meditação do Eu Verdadeiro”, como seriam? Livros antigos encadernados à mão? Rolinhos de bambu ainda mais antigos? Ou talvez sedas pintadas, ou pergaminhos de pele de animal?

Só de imaginar, sentia-se fascinado.

O único inconveniente era que, talvez, seus colegas de dormitório já tivessem voltado. Se vissem a carta chegando por uma espada voadora, como ele explicaria?