Capítulo 94: Senhor, eu juro que não sou uma vigarista!
Assim que Song Shuhang retornou à Cidade Universitária de Jiangnan, foi imediatamente arrastado pela irmã para o hospital...
— Irmã Yaya, aquelas quatro ervas medicinais que fui verificar na farmácia da Rua Guangyuan, não eram para meu uso pessoal. É que conheço alguém que precisa dessas ervas, só fui confirmar na loja! De verdade, olha para os meus olhos, tão sinceros! Você ainda duvida de mim? Irmã... olha para o meu olhar, é sinceridade pura! — Song Shuhang era puxado pela delicada mão de Zhao Yaya, mas não ousava se soltar com força — agora que sua força era quase como a de um touro, se usasse um pouco mais de energia, Zhao Yaya poderia ser literalmente lançada longe.
Ela ficaria aterrorizada. Só podia tentar persuadi-la com palavras.
Zhao Yaya virou-se e olhou seriamente nos olhos de Song Shuhang...
Após um instante, ela respondeu:
— Shuhang, você tem remela nos olhos.
Song Shuhang ficou sem palavras.
— Pronto, pare de reclamar. Considere isso um benefício: estou te dando um check-up gratuito. Mesmo pessoas saudáveis devem se examinar de vez em quando, não faz mal nenhum! — Zhao Yaya falou suavemente.
Mas seu coração não estava tão calmo quanto mostrava por fora — Song Shuhang resistia de todas as maneiras, o que só aumentava sua preocupação.
Shuhang, será que está realmente doente?
A mente de Zhao Yaya estava tomada por pensamentos de doenças terminais, e o medo apertava seu peito. Não importava quão bem Song Shuhang argumentasse, hoje ela não mudaria de ideia. Só ficaria tranquila após um exame completo.
— Tudo bem, hoje me deixo à mercê da irmã — Song Shuhang declarou com bravura. Zhao Yaya estava determinada a levá-lo ao hospital. Só lhe restava agradecer por não precisar, antes de entrar, quebrar uma perna como seus dois desafortunados tutores.
De qualquer modo, seu corpo estava ótimo, o exame não mostraria nada de errado.
Desde o instante em que Zhao Yaya pegou sua mão e o conduziu, percebeu que os olhares ao redor ficaram mais intensos.
Esses olhares eram bem conhecidos; desde pequeno, ele passava por isso — eram muitos homens invejando o fato de estar de mãos dadas com uma bela mulher.
Mesmo sendo sua irmã, e o máximo que faziam era segurar as mãos (essa referência vai para os que sabem do sofrimento)... Mas como os passantes poderiam adivinhar? Deixem-se consumir pela inveja e ciúmes!
*************
A Cidade Universitária de Jiangnan tinha seu próprio hospital, mas este não ficava dentro do campus, e sim a menos de mil metros de distância.
Afinal, o hospital precisava lucrar; se fosse dentro da universidade, o fluxo de pacientes aumentaria o trabalho de administração e segurança.
Como era perto, Zhao Yaya preferiu ir a pé.
No alto, o sol brilhava generoso, espalhando luz e calor para beneficiar a humanidade... e, de quebra, assando os pobres pedestres que caminhavam depressa.
A temperatura estava altíssima, as faces de Zhao Yaya ganharam uma tonalidade rosada, gotas de suor reluziam em sua pele clara e deslizaram pelo rosto...
Song Shuhang suspirou e, discretamente, usou sua energia espiritual para liberar o frio da "Pérola de Gelo Selada", envolvendo Zhao Yaya também.
— Ué? O tempo esfriou de repente? — Zhao Yaya olhou para cima, o sol continuava intenso, os raios tão implacáveis quanto antes.
Mas aquela sensação fresca era inegável, mais confortável que ar condicionado!
— Deve ter começado a ventar — Song Shuhang respondeu casualmente.
Zhao Yaya assentiu, mas ao ver os outros na rua, suando e sofrendo sob o sol, percebeu que não havia vento algum.
— Deixe pra lá, vamos aproveitar o frescor e andar logo — decidiu Zhao Yaya, sem se preocupar demais.
...
Ao chegarem ao hospital, Zhao Yaya levou Song Shuhang para o setor de exames, já havia marcado sua consulta.
— Venha rápido — ainda segurava sua mão, temendo que ele fugisse.
Song Shuhang seguia obediente atrás dela.
O hospital da Cidade Universitária de Jiangnan estava lotado, especialmente de pacientes com gripe. A peculiaridade do clima local — calor sufocante de manhã, frio intenso à noite — fazia crescer o número de casos sazonais de gripe... uma verdadeira epidemia.
Como a maioria dos pacientes eram estudantes, Song Shuhang reconheceu alguns rostos ao longo do caminho, mas eram apenas conhecidos de aceno, trocaram cumprimentos e seguiram.
— Irmã Yaya, ainda não chegamos? — Song Shuhang já estava andando há um bom tempo — Por que os corredores do hospital precisam ser tão longos e complicados? E se alguém precisa de emergência, vai acabar morrendo no corredor!
— Estamos quase lá — Zhao Yaya respondeu sem olhar para trás.
Andaram mais um pouco...
Song Shuhang viu outra figura conhecida.
Um homem de meia-idade, vestindo camisa branca e calças pretas, carregando uma pasta. Mesmo no hospital, seu semblante era apressado, com a expressão de quem é esmagado pela vida.
Era o mesmo homem que, da última vez, deixou dinheiro cair na frente de Song Shuhang e o confundiu com um golpista.
Lembrava que ele perdeu cerca de cento e cinquenta reais?
E aquela tarde, no metrô, também cruzaram caminhos. Song Shuhang estava entrando, o homem saindo, com ar furtivo, como se estivesse seguindo alguém.
Era mesmo destino encontrar aquele homem tantas vezes; Song Shuhang pensou que estava destinado a devolver os cento e cinquenta reais.
Então, elevou a voz e chamou:
— Senhor, senhor! Olá!
Zhao Yaya perguntou, intrigada:
— Você conhece ele?
O homem se virou, olhou para Song Shuhang, com expressão confusa. Claramente, já havia esquecido completamente de Song Shuhang.
— Senhor, sou eu! Da última vez, você deixou cento e cinquenta reais cair na minha frente, eu peguei para devolver! Agora que nos encontramos de novo, preciso devolver para você! — Song Shuhang começou a procurar o dinheiro no bolso.
Enquanto falava, o homem finalmente pareceu reconhecer:
— Golpista?
Song Shuhang ficou sem reação.
— Senhor, não sou golpista. Você mesmo deixou cair cento e cinquenta reais, só queria devolver! Posso devolver agora mesmo! — explicou pacientemente, pois sentia uma certa ligação com o homem, já que se encontraram tantas vezes.
Mas o homem mudou de expressão, murmurando:
— Hoje em dia, os golpistas estão tão audaciosos? Chegou a me seguir para me enganar? Trouxe até um cúmplice? Será que ainda vivemos numa sociedade justa?! Acham que sou tolo? Não adianta... conheço o jogo de vocês, não vou cair na armadilha.
E assim, virou-se rapidamente e saiu correndo.
Song Shuhang ficou parado, segurando os cento e cinquenta reais; não sabia se devia guardar ou entregar.
Senhor, eu nunca achei que você fosse tolo... Mas agora, realmente parece que é!
Zhao Yaya percebeu que os olhares ao redor estavam ficando constrangedores, então pressionou a mão de Song Shuhang, fazendo-o guardar o dinheiro:
— Você é bom demais! Deixe esse homem pra lá, vamos embora.
Song Shuhang, entre divertido e frustrado, pediu consolo:
— Irmã, será que pareço um golpista?
— Pronto, pronto, você não tem nada de golpista — Zhao Yaya riu alto e puxou Shuhang, saindo rapidamente dali.