Capítulo 36: A Jovem Cercada por Delinquentes
Para os cultivadores ligados a seitas, alguém como Song Shuhang ingressar em uma seita nessa idade era comparável a um nonagenário analfabeto, com um pé já na cova, que de repente resolve começar o primário. Mesmo que esse velho conseguisse, por diferentes meios, entrar na escola, quanto ele realmente aprenderia? Que conquistas poderia alcançar? Ele sequer tem futuro — quem pode garantir que um nonagenário não morra já no dia seguinte?
Mesmo que Song Shuhang conseguisse estabelecer sua base de cultivo, o tempo e os recursos que ele gastaria para avançar seriam muito maiores do que os de jovens prodígios que começaram aos quatro ou cinco anos de idade.
De um lado, estão os discípulos geniais, que avançam rapidamente, consomem poucos recursos e têm um futuro brilhante. Do outro, está Song Shuhang, que terá dificuldades para avançar, gastará muitos recursos e tem um futuro incerto. Nenhum líder de seita em sã consciência gastaria muito tempo, energia de mestres ou recursos preciosos de cultivo com alguém como Song Shuhang.
E mesmo que os amigos do grupo Nove Províncias que o apresentaram à seita consigam ajudá-lo por um tempo, não poderão protegê-lo para sempre lá dentro!
O Mestre Cobre-Gua ficou sem palavras. Ele não havia pensado tanto quanto o Ancião Beihe, só considerara as dificuldades extremas dos cultivadores errantes, sem perceber que, para Song Shuhang, a vida numa seita não seria muito melhor.
“Portanto, seja numa seita ou como errante, para Song Shuhang não há grande diferença. O melhor é deixá-lo escolher por si mesmo. Se for um erro, ao menos não poderá culpar ninguém além de si.” O Ancião Beihe falou calmamente.
Como veteranos cultivadores errantes, o máximo que podiam fazer era ajudá-lo quando ele realmente precisasse.
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Cidade Universitária de Jiangnan, dormitório.
Song Shuhang recostou-se na cadeira, olhando para um pequeno copo lacrado sobre a mesa do computador, onde estava o restante do líquido de fortalecimento físico. Para obter o melhor efeito do remédio, era preciso tomá-lo junto com a técnica básica de meditação e os exercícios de punho ensinados pelo Alquimista.
Nesse momento, uma melodia suave tocou: era o toque do seu celular.
Song Shuhang atendeu, e a voz de Tubo soou: “Shuhang, já terminou de arrumar suas duas malas grandes? Se sim, venha aqui. A casa do Yangde já está certa! Venha ver também, depois a gente sai para comer algo.”
“Já vou, manda o endereço pra mim,” respondeu Song Shuhang.
“Te mando uma mensagem.” Tubo desligou o telefone.
Após a ligação, Song Shuhang largou o celular e olhou pela janela, para fora da varanda.
Talvez ele também precisasse alugar um apartamento fora da universidade, como Yangde.
Não era necessário morar lá, mas seria bom ter um local onde pudesse refinar pílulas ou treinar sem ser incomodado.
“Se quiser alugar um apartamento, o jeito vai ser fazer algum bico.” Song Shuhang era só um estudante comum, não tinha as habilidades de informática de Li Yangde, então só poderia ganhar dinheiro fazendo trabalhos temporários.
Aliás, como será que os veteranos do grupo Nove Províncias ganham dinheiro? Apesar de não viverem isolados do mundo, devem precisar de dinheiro para as despesas do dia a dia, pelo menos para pagar luz ou internet.
Enquanto divagava, Tubo enviou uma mensagem com o endereço.
Edifício 221D, apartamento 602, bairro Daji.
Era um bairro bem próximo da Cidade Universitária.
...
“O local é bom, fica perto da faculdade. Yangde encontrou um belo lugar.” Song Shuhang conferiu no mapa do celular e seguiu para o endereço enviado por Tubo.
O bairro Daji era antigo, com prédios de formatos variados e de diferentes tamanhos, pois não houve planejamento na construção, e os becos se cruzavam de maneira desordenada, dando um ar caótico ao local.
“Por esse caminho, dá pra pegar um atalho e economizar tempo.” Pensando nisso, Song Shuhang entrou num beco, movendo-se ágil como um peixe entre as vielas.
Esses becos costumavam ser ponto de encontro dos delinquentes da escola.
Falando neles, era impossível não lembrar do grupo de delinquentes que foram derrotados em massa alguns dias atrás.
Aqueles que apanharam tanto que nem a própria mãe reconheceria, só acordaram depois de dois dias e duas noites desacordados.
Depois, o departamento de jornalismo da escola enviou alguém para perguntar sobre o ocorrido.
Curiosamente, por mais que se esforçassem, nenhum deles conseguiu se lembrar do que aconteceu. Faltava-lhes toda a lembrança daquele dia, nem sabiam porque estavam no hospital. Em suas memórias, um instante estavam fumando e bancando os valentões no beco, no seguinte já estavam no hospital, todos com a mesma expressão confusa.
O hospital também não conseguiu encontrar a causa, então o caso foi dado como amnésia coletiva e ficou por isso mesmo.
Esse episódio virou um dos mais novos “casos inexplicáveis” da Cidade Universitária de Jiangnan.
“É óbvio que alguém mexeu nas lembranças deles,” pensou Song Shuhang.
Se fosse só uma ou duas pessoas com memória confusa, poderia se culpar um golpe na cabeça. Mas oitenta ou noventa pessoas, todas com amnésia sobre o mesmo dia em que foram derrotadas em grupo? Não existe coincidência assim no mundo.
Por causa desse evento, o número de delinquentes nos becos diminuiu drasticamente — antes, eram pontos de encontro de marginais, agora quase sumiram.
Como resultado, a segurança por ali melhorou bastante.
Existe um ditado que diz: “Fale no diabo, que ele aparece!”
Ah, não, é: “Fale de algo, e logo acontece.”
Mal Song Shuhang pensou na palavra “delinquente”, bem na sua frente apareceu um grupo deles, sete ao todo, fumando juntos.
Eram sete, todos de cabelo comprido, tingido de várias cores, cada um com piercings nas orelhas, nos lábios e nos narizes. Fumavam, só faltava escrever na testa: “Estou na fase rebelde, sou delinquente.”
O alvo deles definitivamente não era Song Shuhang, um rapaz alto e forte. Mesmo delinquentes raramente se metem com alguém que parece ser bom de briga.
Eles rodeavam uma garota. Um dos delinquentes, de cerca de um metro e setenta e dois, a encurralava contra a parede com o famoso gesto do “parede com o braço”.
— Moça bonita, sozinha aqui, não está se sentindo solitária? Que tal se divertir com a gente?
— É de graça, diversão garantida.
— Vai ser uma delícia, viu?
— A gente brinca com você junto, todos nós.
— Tem uma lojinha bem legal logo ali, não é longe. Depois de brincar, você vai querer mais.
E assim continuavam, cheios de provocações e insinuações.
Song Shuhang olhou para a garota encurralada.
Ela tinha cerca de um metro e meio, cabelo curto, rosto bonito mesmo sem maquiagem. Por ser tão pequena, parecia até uma estudante de ensino médio, talvez um pouco mais velha.
Uma jovem tão fofa e bonita, andando sozinha por becos, é claro que chamaria atenção desses delinquentes. Por isso, garotas, nunca andem sozinhas por lugares desertos.
A moça franziu a testa, claramente incomodada, mas até mesmo o ar de desgosto tornava seu rosto delicado ainda mais adorável.
— Olha só, até brava ela é uma gracinha. Deixe o irmãozinho cuidar bem de você — disse o loiro, sorrindo de um jeito malicioso, apoiando uma mão na parede e tentando acariciar o rosto dela com a outra.
Song Shuhang suspirou, não aguentava mais assistir aquilo.
Cerrando os punhos, avançou a passos largos.
Depois do fortalecimento com o líquido especial, ele mal conseguia controlar sua velocidade. Bastou um pequeno impulso, e num instante já estava diante do grupo.
Os delinquentes só viram um borrão, e de repente Song Shuhang, que estava sete ou oito metros atrás, apareceu bem ao lado deles.
Com uma mão grande, dedos abertos, ele agarrou a nuca do loiro.
O rapaz tinha cerca de um metro e setenta e dois, Song Shuhang era só um pouco mais alto.
— Ei... vocês não perceberam que a moça não está a fim de brincar com vocês? — disse Song Shuhang, apertando um pouco. Num movimento só, levantou o delinquente pelo pescoço.
Caramba! O próprio Song Shuhang se assustou. Sabia que sua força aumentara muito com o líquido de fortalecimento, mas não imaginava que agora poderia erguer um adulto de mais de cinquenta quilos com a mesma facilidade de quem levanta um pedaço de pau.