Capítulo 26: Meu Extraordinário Forno de Alquimia
Após terminar calmamente a última aula, Song Shuhang guardou seus livros e espreguiçou-se. Ao seu lado, uma colega de curvas marcantes afastou-se mais uma vez a contragosto, relutante em deixá-lo. No íntimo, ela voltou a pensar em se declarar para Shuhang — ao menos neste verão escaldante, queria ser a namorada dele e desfrutar do seu efeito de ar-condicionado humano.
O olhar insistente da garota fez Shuhang se sentir desconfortável, um tanto embaraçado. Felizmente, naquele momento, Tu Bo e mais dois colegas de quarto se aproximaram.
— Caramba, quase derreti de tanto calor — resmungou Tu Bo, abanando-se com um caderno, enquanto grossas gotas de suor escorriam pela testa. — Ei, Shuhang, quer dar uma volta lá fora à tarde?
— Com esse calor vocês ainda querem sair? — Shuhang riu. O sol hoje estava especialmente forte, definitivamente não era um bom dia para passear.
— Hehe, é que Yang De criou um programa recentemente e faturou uma grana. Agora, ele quer alugar um apartamento de dois quartos e uma sala fora da universidade para poder ficar na dele, sem ser incomodado. A gente vai ajudar a escolher um lugar legal, talvez sirva de nossa segunda base — e claro, aproveitar para arrancar um jantar dele — disse Tu Bo rindo.
Shuhang fez um sinal de positivo para o colega mais magro e moreno: — Yang De, você está de parabéns. Também entende de tecnologia, mas é bem mais competente que o Tu Bo. Você ganha dinheiro, ele só sabe gastar!
Tu Bo fez cara de indignação.
Yang De apenas sorriu, mostrando dentes brancos. Apesar da pouca idade, já exibia aquele ar típico dos programadores experientes, pouco dado à conversa, pois usava mais o teclado que a boca.
— Mas ao meio-dia tenho umas coisas para resolver; preciso lidar com duas caixas grandes que chegaram. Quando vocês acharem o apartamento, me avisem que vou direto pra lá! — respondeu rapidamente Song Shuhang — Era ótimo que os colegas saíssem, assim ele poderia experimentar a alquimia sem preocupação.
— Olha só, quer jantar de graça sem ajudar em nada! — Tu Bo ergueu o queixo, fingindo desprezo. — Olha, nem pensar! Só se apresentar sua irmã bonita!
— Cai fora — retrucou Song Shuhang. — Nem pensar! Mas posso aceitar um lanche noturno por minha conta.
Se havia algo que não faltava a Shuhang, eram irmãs bonitas. Quanto àquela por quem Tu Bo suspirava, chamada Yu Rouzi... desculpe, mas ela não era sua irmã.
Tu Bo imediatamente fez um gesto de quem se agarra a uma perna: — Fechado!
— Mas essa irmã bonita do Shuhang a gente não conhece? — pensou Yang De, intrigado. Aquela chamada Zhao Yaya, que no início do semestre trouxe Shuhang para a universidade de Jiangnan, eles todos tinham visto. Será que Tu Bo queria conquistar a prima de Shuhang?
Parecia difícil. A famosa “perna fatal” da irmã Zhao era lendária.
Lembrando do começo do semestre, quando Zhao acompanhou Shuhang à escola, acabaram encontrando alguns delinquentes pouco espertos.
Depois, Tu Bo, Yang De e os outros presenciaram o poder da irmã Zhao. Suas longas pernas se moviam com incrível precisão — ela, sem dúvida, tinha treinamento, e parecia que usava aquela técnica com frequência. Os delinquentes logo estavam no chão, gemendo e segurando a virilha. Só de olhar já dava para imaginar a dor.
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Após o almoço, os três colegas saíram para passear, deixando Song Shuhang sozinho no dormitório.
— Ufa — ele respirou fundo, sentindo o frescor do colar de bolinhas de gelo pendurado no pescoço, que o ajudava a manter a mente clara. Era um bom estado para começar.
Abriu uma pequena caixa de remédios e comparou os ingredientes com a receita do “elixir de fortalecimento corporal” do alquimista.
A caixinha também era dividida em quatro camadas, cada uma com cerca de dez tipos de ervas.
— Ginseng, goji, pedra de yang, aroma de donzela... — rapidamente, Shuhang conferiu as trinta e poucas ervas que podiam ser encontradas na internet.
Já a orvalheira mística, os galhos frescos do rei selvagem, fatias de bambu vermelho solar e outros ingredientes não se achavam online. Quando muito, apareciam como itens em jogos.
Felizmente, Yu Rouzi era uma jovem atenciosa. Shuhang percebeu que as ervas já estavam organizadas na ordem da receita, da esquerda para a direita, de cima para baixo.
Até as quantidades estavam separadas.
— Moças cuidadosas são mesmo as melhores — Shuhang suspirou aliviado. — Assim, não preciso perguntar nada para o grupo Nove Províncias Um.
Segundo a receita, ao preparar o elixir de fortalecimento, era obrigatório seguir a ordem dos ingredientes, colocando-os aos poucos no caldeirão. Se a ordem errasse, tudo daria errado. Se Yu Rouzi tivesse mandado tudo misturado, Shuhang teria ficado perdido.
[Adicione cada ingrediente na ordem e proporção corretas, deixe ferver por cerca de cinco minutos, adicione o próximo, continue fervendo por mais cinco minutos. Atenção ao ponto do fogo! Repita até a mistura se tornar uma pasta. O resultado deve ser negro, transparente e de odor forte.] Assim dizia o alquimista.
Parecia simples, como se qualquer um pudesse preparar o elixir, bastando ter cuidado.
De fato, esse era o elixir mais simples, nem chegava a ser um comprimido ou sequer um resíduo. Não exigia energia espiritual, nem fogo especial, nada disso.
Mesmo um mortal, com atenção, poderia fazê-lo!
Mas não era tão fácil ter sucesso. O ponto do fogo, o “cerca de cinco minutos” — o termo “cerca” indicava que não era para cronometrar, mas sim ajustar de acordo com a qualidade dos ingredientes e a experiência do alquimista.
Além disso, a receita exigia quarenta e cinco ervas, levando quase quatro horas. Era preciso máxima concentração, sem relaxar um segundo sequer. Para um mortal, preparar esse elixir exigia grande força de vontade e experiência.
Song Shuhang abriu a panela elétrica e colocou as fatias de ginseng.
— Pensando bem, a receita não diz se é preciso adicionar água — coçou a cabeça.
Provavelmente sim. Sem água, em cinco minutos nem só o ginseng, até o fundo da panela queimaria.
Mas quanta água deveria pôr?
— Será que pergunto ao grupo? — Ele pegou o celular, mas logo desistiu.
Era sua primeira vez preparando o elixir; certamente surgiriam muitos problemas. Não podia ficar interrompendo para perguntar cada vez que surgisse uma dúvida.
O pessoal do grupo não estava online o tempo todo. Se ficasse perguntando a cada impasse, poderia perder o tempo e estragar tudo. Assim, trinta e duas porções de ingredientes não seriam suficientes.
O melhor era assumir que iria falhar, seguir a receita e registrar todas as dúvidas. Depois, perguntaria tudo de uma vez.
— Melhor colocar uma concha de água — decidiu, despejando o líquido na panela e ligando o fogão elétrico.
O fogão elétrico era a única opção. Não havia fontes de fogo no dormitório, era proibido por motivos de segurança. Ter um fogão já era um privilégio.
No fim, tudo era aquecido e fervido; tanto faz se era fogo ou eletricidade, certo?
Escolheu a opção “cozinhar sopa”. O fogão tinha as funções fritar, ferver, cozinhar e grelhar, além de ajustar a temperatura.
Se o “cultivo” realmente existisse, ele provavelmente seria o primeiro da história a preparar elixires com um fogão elétrico e uma panela de fondue — pensou Song Shuhang, ironizando a si mesmo.