Capítulo 92: A Caixa Preta, as Notas Vermelhas e... a Pílula de Energia Vital!

Grupo de Cultivação: Conversas e Vida Cotidiana A Lenda do Paladino 2549 palavras 2026-01-30 14:22:41

Ao retornar à Cidade Universitária de Jiangnan, Song Shuhang não foi imediatamente procurar Zhao Yayá, mas seguiu primeiro até o prédio de cinco andares que o Alquimista havia adquirido. Ele ainda carregava a maleta preta do líder da seita, que provavelmente continha as quatro ervas medicinais raras compradas por ele. Se Zhao Yayá descobrisse essas ervas na maleta, Song Shuhang estaria perdido—nem mesmo se saltasse no Rio Amarelo... não, nem se pulasse no Oceano Pacífico conseguiria se livrar das suspeitas.

Nessa situação, não havia dúvidas de que Zhao Yayá ligaria para a mãe de Song Shuhang, e no dia seguinte sua mãe já estaria desembarcando de avião na Cidade Universitária de Jiangnan. Além disso, quem poderia garantir que dentro da maleta do líder da seita não houvesse algo ainda mais assustador ou que gerasse mal-entendidos?

Portanto, antes de resolver a questão da maleta, como poderia ele encontrar Zhao Yayá?

Com a chave em mãos, Song Shuhang entrou no edifício e subiu até o terceiro andar. Lá, encontrou o Alquimista sentado sozinho num canto, absorto no celular, sem sinal de Jiang Ziyan.

— Mestre, está ocupado? — Song Shuhang se aproximou, perguntando.

Desde que chegara à Cidade Universitária, o Alquimista vivia ocupado aprimorando o líquido de fortificação corporal, nunca fora visto descansando. Era raro vê-lo relaxando hoje.

— Olha só, Shuhang voltou — respondeu o Alquimista, sem desviar o olhar do celular, os dedos voando pelo ecrã.

— Está jogando o quê? — Song Shuhang se aproximou para espiar.

E logo ficou atônito.

O Alquimista estava roubando colheitas na fazenda virtual de outros usuários. Na lista de amigos do jogo, Song Shuhang reconheceu nomes conhecidos do grupo “Nove Continentes, Número Um”, como o Mestre Verdadeiro Huangshan, o Eremita do Norte, Yun Quezi da Seita da Donzela Misteriosa, o Monge Errante Tongxuan, entre outros veteranos notórios.

Havia ainda o Mestre das Três Ilhas e Cinco Mares, o Senhor da Segunda Caverna do Dragão do Oceano, o Vice-Líder do Punho das Sete Estrelas… todos IDs claramente oriundos do mundo dos cultivadores.

Sinceramente… será que os veneráveis do mundo dos cultivadores estavam tão desocupados assim ultimamente? Tanta gente gastando tempo nesse jogo de roubar colheitas?

Seus discípulos chorariam de desespero!

Seus mestres também chorariam!

— Pronto! Aquele cara do Norte até criou um programinha automático para recolher colheitas, mas de nada adiantou. Eu já tinha colocado o despertador e roubei tudo antes dele! Como pode um programinha superar a rapidez dos meus dedos? — O Alquimista vangloriou-se para Song Shuhang.

Mestre… se ao menos essa velocidade para digitar fosse usada em algo mais produtivo…

— E você, Shuhang, não seja avarento só acumulando moedas de ouro. Quando tiver dinheiro, invista em melhorar o solo, assim as plantações amadurecem mais rápido. Amolar o machado não atrasa o corte da lenha! — aconselhou o Alquimista, com sinceridade.

Song Shuhang não sabia que expressão usar para responder ao mestre.

— Então, veio me procurar por algum motivo? — finalmente o Alquimista voltou ao assunto principal.

Song Shuhang assentiu em silêncio, colocando a maleta preta sobre a mesa de chá:

— Gostaria que o senhor verificasse se há armadilhas ou mecanismos escondidos nesta maleta. Consegui-a após eliminar o líder da seita dos Rastros de Garra, que era um cultivador maligno. Não me atrevo a abri-la sem cautela.

— Muito bem pensado — aprovou o Alquimista com um aceno de cabeça. Corajoso e cuidadoso, Song Shuhang tinha diversas qualidades. Seu temperamento era bem adequado ao caminho dos cultivadores, só era uma pena que sua idade já estivesse um pouco avançada, tendo perdido o Qi inato trazido desde o útero materno.

Se ao menos tivesse tido contato com o mundo dos cultivadores mais cedo... Mas não há como mudar o passado.

O Alquimista pegou a maleta preta e pressionou a palma da mão sobre ela.

— De fato há alguns pequenos truques, mas nada que me detenha — disse, sorrindo. Uma aura de energia vital emanou de sua mão.

Estalidos soaram como vidro se quebrando, acompanhados por gritos fantasmagóricos e lúgubres...

— Pronto, pode abrir agora — disse o Alquimista, devolvendo a maleta.

Song Shuhang abriu a maleta preta.

Diante de seus olhos, estavam várias pilhas de notas vermelhas, cada uma com cem mil, num total de sete pilhas. Havia ainda uma pilha dividida em nove maços menores e algumas notas soltas, provavelmente o montante usado recentemente pelo líder da seita.

No total, cerca de oitocentos mil em dinheiro vivo. No banco, seria apenas um número, mas, empilhados ali, causavam um certo impacto visual.

Ao ver o dinheiro, Song Shuhang sentiu-se um tanto desapontado.

Imaginava que, com a posição do líder da seita, a maleta conteria tesouros do mundo dos cultivadores. Nunca pensou que seria só uma pilha de dinheiro…

Quanto maior a esperança, maior a decepção.

Song Shuhang respirou fundo. Bem, dinheiro é dinheiro. E, atualmente, ele estava mesmo precisando — pretendia treinar num ginásio bem equipado nas redondezas e comprar diversos equipamentos de treino. Além disso, para manter a vitalidade, sua alimentação diária precisava ser de qualidade.

Pensando bem, esses oitocentos mil eram bem-vindos. Era como nos jogos: mesmo que o chefe não largue bons equipamentos, ao menos o ouro vinha em quantidade.

O Alquimista sorriu e advertiu:

— Jovem amigo, não se deixe cegar por dinheiro mundano. Depois que atingir a fundação, terá quanto quiser. Esse dinheiro serve só para disfarçar. O verdadeiro tesouro está no compartimento oculto, sob o dinheiro.

— Compartimento oculto? — Song Shuhang apressou-se a esvaziar a maleta e, de fato, encontrou um fundo falso, facilmente ignorado por olhos desatentos.

Seu coração se encheu de alegria!

Ele ergueu o fundo falso e viu vários frascos pequenos, do tamanho de potes de chiclete. Eram quatorze frascos, nas cores vermelha e azul. Havia também uma caixa metálica do tamanho de um livro A5.

Primeiro, pegou um frasco azul e perguntou:

— Mestre, há algum truque nesses frascos?

— Fique tranquilo, já limpei todos os truques da maleta — respondeu o Alquimista, balançando a cabeça de modo estiloso, fazendo tilintar as inúmeras tranças e enfeites extravagantes em seu cabelo.

Que penteado mais digno de comentários!

Song Shuhang manteve o rosto sério, para não rir na frente do Alquimista — e se o mestre gostasse mesmo desse estilo? Se risse, poderia deixá-lo aborrecido.

O frasco azul era o mais numeroso, doze no total. Song Shuhang abriu um e olhou dentro.

Viu um líquido negro e espesso, exalando um odor forte e desagradável.

— Líquido de fortificação corporal?! — exclamou.

Pela cor e pelo cheiro, não havia dúvidas.

O Alquimista aspirou o aroma e confirmou:

— Exato. E é o líquido de fortificação corporal sem simplificação, de qualidade aceitável. Quando completar um mês de cultivo, com o corpo fortalecido, poderá tomar esse líquido tradicional. O efeito é mais forte, cada dose equivale a três do tipo simplificado que você usa agora.

— Chegou em boa hora! O Eremita do Norte já havia me alertado que, mesmo se eu refinasse todas as ervas que Yuruzi me deu, talvez não fosse suficiente para atingir a fundação. Agora, com esse lote, terei o bastante até concluir o processo, certo?

— Terá sim, até vai sobrar um pouco — respondeu o Alquimista.

Vai sobrar? Que ótima notícia!

Song Shuhang então abriu um frasco vermelho.

Dentro, havia pequenas pílulas, onze no total. Ao abrir, um aroma medicinal se espalhou. No outro frasco vermelho, havia quinze pílulas.

— Mestre, que pílulas são essas? — perguntou Song Shuhang.

O Alquimista aspirou e, com expressão estranha, respondeu:

— Pílulas de Qi e Sangue, todas de boa qualidade!