Capítulo 98: Um bonzinho bem engraçado
Não muito longe do Hospital Universitário da Cidade de Jiangnan, numa esquina...
O velho Zhou estava muito aborrecido hoje. Ao dirigir para o trabalho, fez uma ligação pelo caminho. Ao virar numa esquina, um homem disparou em direção ao seu carro com a velocidade de um corredor de cem metros.
Assustado, Zhou largou o telefone, reagiu com rapidez, segurou firme o volante, girou o carro e conseguiu evitar o homem que corria. Zhou suspirou aliviado por dentro — que perigo! Sorte que sua habilidade ao volante era excepcional; de outro modo, aquele rapaz teria ido direto ao chão!
Mas, antes que Zhou conseguisse recuperar os batimentos acelerados do coração, o homem, contrariando as leis da física, caiu para trás, rolou três vezes e meia no chão, abraçou a perna em posição de sofrimento e começou a gritar: "Ai! Minha perna, minha perna foi quebrada!"
O grito lamentoso rapidamente atraiu uma multidão de curiosos.
Sem saber o que realmente ocorreu, o público começou a discutir: foi o carro que atingiu o homem, ou o homem que bateu no carro?
Que droga! Rapaz, você nem chegou a tocar no meu carro, sabia? Está batendo numa parede invisível? Eu não sou nenhum mestre de habilidades especiais para criar paredes de ar!
Era a famosa fraude do atropelamento, não era?
Mas, dizem que quem faz esse tipo de golpe sempre escolhe carros luxuosos, visivelmente de gente rica. Por que alguém escolheria meu carro velho para isso?
Zhou não sabia: atualmente, os negócios são difíceis, ninguém liga para o tipo de carro.
Com expressão de sofrimento e indecisão, Zhou suspirou. Não havia câmeras de segurança por ali, e seu carro também não tinha gravador de vídeo.
Ele apalpou o bolso, encontrou apenas uma fileira de cartões, uma nota de vinte e duas moedas de um real. Vinte e dois reais, provavelmente não seriam suficientes para afastar o homem que gritava no chão. Com uma atuação digna de Oscar, ele certamente valia mais do que isso!
...
Song Shuhang, por coincidência, estava ajudando uma jovem de cabelos curtos a chegar à esquina, para chamar um táxi.
Eles presenciaram todo esse "acidente".
“Foi o homem que bateu no carro, não?” comentou a garota, com voz calma. Do ponto de vista dela, o carro já tinha desviado, mas o homem se jogou rapidamente, e depois caiu gritando.
"Não foi nem homem batendo no carro... na verdade, nem houve contato," respondeu Song Shuhang, cuja visão era excelente. Ele pôde ver claramente que o homem não chegou a encostar no carro antes de cair e começar a gritar.
"Ah, conheço esse tipo de coisa, é fraude de atropelamento," disse a jovem, olhando para Shuhang. “Você vai lá testemunhar?”
Esse generoso que gosta de ajudar os outros, não deveria deixar de intervir, certo?
"Se o número de testemunhas for insuficiente, não adianta, e nós não gravamos nada, nem há câmeras por perto," Song Shuhang balançou a cabeça. O homem que gritava era claramente profissional, e escolheu bem o local para a fraude.
“Então vamos deixar assim?” A jovem pensou um momento, e seus olhos brilharam: “Que tal irmos lá e dar uma surra nesse sujeito no chão?”
"Por favor, não! A violência não resolve todos os problemas, só complicaria ainda mais para o motorista," Shuhang apressou-se a dizer. “Deixe comigo. Espere aqui, depois vou chamar um táxi para você... Ah, você tem trocado?”
A expressão da garota ficou tensa, e ela balançou a cabeça.
"Então vou te emprestar, se nos encontrarmos de novo, lembre-se de me devolver." Shuhang tirou uma nota de cinquenta do bolso e entregou à jovem. Afinal, recentemente ele tinha conseguido um dinheiro fácil e estava com folga.
Sem esperar resposta, Song Shuhang já se dirigia ao local do acidente, afastando os curiosos.
"Com licença, com licença!" Agora, com músculos bem desenvolvidos, ele logo abriu caminho entre a multidão.
Aproximou-se do homem no chão, observando-o: "Ora, parece que foi um acidente sério."
O homem, deitado e gritando, espiou Shuhang discretamente e passou a gritar ainda mais forte.
Song Shuhang tossiu e declarou: "Motorista, olha só, o sujeito está tão machucado, é melhor descer e resolver com uns milhares de reais."
O homem no chão ficou aliviado — temia que esse jovem de aparência gentil viesse desmascará-lo, mas, ao contrário, ele ajudou com perfeição. Ficou radiante e passou a gritar com mais entusiasmo.
No carro, Zhou apalpou seus vinte e dois reais e suspirou. Com o telefone na mão, preparava-se para chamar a polícia.
"Motorista, está esperando o quê, desça logo," dizia Song Shuhang, enquanto suas mãos exploravam o corpo do fraudador.
O homem começou a sentir algo errado. O jovem não parava de apalpar, seria algum aproveitador? Tentando tirar vantagem? Sentiu arrepios.
Mas... era um homem de talento para a atuação, mesmo sem ser profissional. Agora, mesmo sofrendo, era preciso aguentar firme. Os gritos não podiam parar!
Logo, percebeu algo ainda mais estranho.
O jovem de aparência gentil enfiou a mão no bolso dele e tirou sua carteira.
Ali estava todo o seu dinheiro, quase dois mil reais.
Esse dinheiro era para emergências, caso precisasse de hospitalização após um erro na fraude — a profissão era perigosa, se encontrasse um motorista imprudente ou uma mulher ao volante, poderia acabar realmente ferido. E, se o motorista não tivesse dinheiro, ou fugisse, como ficaria?
Hoje em dia, muitos hospitais só aceitam dinheiro, não pessoas. Sem dinheiro, o que fazer?
Enfim, o importante era que sua carteira estava recheada!
O jovem pegou a carteira, satisfeita, sorriu calorosamente para ele. Depois... levantou-se e disparou, correndo e sumindo rapidamente.
O fraudador percebeu e gritou desesperado: "Maldito, volta aqui!"
Num salto, levantou-se e foi atrás, veloz como um raio: "Pare, devolva a carteira, não fuja! Maldito!"
Aquele carro velho, no máximo renderia algumas centenas. Mas na carteira, havia quase dois mil!
Os curiosos, que até então não sabiam o que ocorria, viram o homem que antes estava no chão, agora correndo atrás do jovem, com as pernas perfeitas. Que perna quebrada, nada! Era mesmo uma fraude!
Zhou, dentro do carro, suspirou aliviado, relaxando a mão que segurava os vinte e dois reais. Lembrando do jovem de aparência gentil, pensou: "Hoje em dia, ainda há muita gente boa."
Após o pensamento, ligou o carro velho e foi embora.
Do outro lado, a jovem de cabelos curtos, ao ver tudo, não conseguiu conter o riso.
...
Song Shuhang divertiu-se, levando o fraudador a correr mil e oitocentos metros, até que ele ficou exausto, pálido e vomitando apoiado numa parede. Então, acelerou e deixou o homem comendo poeira.
No meio do caminho, ainda teve tempo de chamar um táxi, pedindo ao motorista para apanhar a jovem na esquina. O motorista foi alegremente buscá-la...
O fraudador, desesperado, viu Song Shuhang sumir ao longe, frustrado: Como consegue correr tão rápido e ainda me faz correr tanto? Por que não me deixou para trás logo?
...
Um táxi parou diante da jovem de cabelos curtos: "Moça, um rapaz me pediu para te buscar, é você?"
"Sim, sou eu." Ela segurou a nota de cinquenta e entrou no táxi.
Sim, um sujeito bem divertido esse bom samaritano.