Capítulo 21: Erva do Dragão Venenoso, Que Perigo!
Enquanto dançava graciosamente, Yuroko sentia-se irritada no íntimo—por ter sido ludibriada por simples espíritos, e justamente diante de um veterano.
O assunto do Templo da Lanterna Fantasma e dos espíritos foi algo que ela soube através de um antigo diário de seu pai. Muitos anos atrás, ele passou por ali e percebeu que havia um espírito prestes a amadurecer. Espíritos assim são raros; mesmo os de nível inferior, ao atingirem a idade adulta, podem firmar um contrato com o dono, conectando suas mentes e compartilhando energia. Ou seja, quem possui vários espíritos inferiores dispõe de uma reserva energética extra.
Entretanto, espíritos de nível inferior só podem evoluir até o terceiro grau do estado pós-natal. Quando atingem uma qualidade intermediária, adquirem boa capacidade de ataque e sua velocidade de cultivo rivaliza com a de praticantes comuns. Se bem treinados, podem ascender ao sexto grau, tornando-se verdadeiros assistentes para cultivadores. Além disso, os intermediários têm um ou dois talentos especiais, variados, e com um pouco de sorte, podem dobrar a força de combate de seu mestre.
Já os espíritos de alta qualidade possuem inteligência comparável à humana e evoluem mais rápido que praticantes normais. São capazes de dominar técnicas fantasmagóricas e, no auge do cultivo, podem transcender e tornar-se semideuses, rivalizando com as lendárias técnicas de duplicação. Contudo, encontrar um espírito de alto grau é tão raro que, em milênios, menos de cinco foram registrados.
Além disso, espíritos de qualidade intermediária ou superior podem purificar a energia de seu mestre, seja sangue, energia vital ou espiritual, tornando-a mais pura e valiosa por meio de sua ligação. Uma vez firmado o contrato, jamais traem, trabalham incansavelmente e sem queixas—se não fosse pela incapacidade de aquecer a cama ou procriar, seriam companheiros perfeitos.
Infelizmente, a quantidade desses espíritos sempre foi diminuta, raros na antiguidade e quase extintos nos tempos modernos. Quando o Venerado da Ilha Borboleta encontrou um desses espíritos, ficou surpreso: encontrar um selvagem nessa era era como achar um tiranossauro vivo numa cidade grande.
O espírito ainda não estava maduro, então o Venerado comprou o templo, lançou um selo simples para aprisioná-lo e decidiu esperar seu crescimento. Para alguém de seu calibre, aquele espírito era fraco demais, mas como em breve teria uma filha, resolveu guardá-lo para ela.
No entanto, parece que ele esqueceu o assunto? Nunca mencionou o templo à filha. Talvez, para seres como ele, um espírito assim fosse insignificante.
Até que Yuroko “acidentalmente” encontrou o diário do pai.
Aproveitando que ele estava ocupado com Sanlang, ela viajou sozinha para a cidade J, disposta a subjugar o espírito.
Tudo corria bem, mas Yuroko não esperava que houvesse dois espíritos no templo! Enquanto dominava um deles, o outro, escondido, a atacou de surpresa.
Seu pai havia selado apenas um espírito, então de onde veio o segundo? Quem o trouxe?
E mais: como simples espíritos puderam fazê-la passar vergonha? Não era para menos que estivesse furiosa.
...
...
Há dois métodos para domar um espírito: pelo caminho sentimental, convivendo e cultivando uma relação extraordinária, até que a conexão permita a dominação natural. Isso exige coragem e, sobretudo, charme; se este for insuficiente, antes de conquistar o espírito, pode acabar devorada por ele.
O outro método é o da força bruta: o poder manda. Simples e direto, basta espancar o espírito até quase matá-lo e então dominá-lo.
Yuroko optou pelo segundo. Como guerreira de terceiro grau pós-natal, seu fluxo de energia já era um rio verdadeiro, inesgotável; seus punhos eram duros como aço. Além disso, tinha um pai extraordinário, vestia equipamentos divinos e era capaz de derrotar deuses e espíritos.
A surpresa dos espíritos a desestabilizou, mas apenas por um instante.
“Selos, venham!” bradou Yuroko, girando as mãos e lançando dois selos dourados contra os espíritos.
Normalmente, não recorreria a selos, mas irritada, queria resolver tudo o mais rápido possível.
Ao contato, os espíritos soltaram fumaça azulada e gritos agudos, enfraquecendo rápido. Yuroko aproveitou, avançou dançando e golpeou-os sem cessar, forçando-os a recuar.
Cada golpe de sua pequena mão fazia o corpo dos espíritos rachar, parecendo prestes a se desintegrar.
Ela controlava a força, ferindo-os apenas o necessário para domá-los, sem tirar-lhes a vida. Se usasse toda sua força, um único golpe dissiparia completamente os espíritos.
Empurrados ao limite, ambos recorreram a seus trunfos.
“Rugido!” gritou um, conjurando um pequeno escudo dourado e lançando-o contra Yuroko.
O outro também gritou, envolto por uma luz vermelha, e seu corpo dobrou de tamanho.
Talentos inatos! Ambos eram espíritos de nível intermediário ou superior.
“Esse é o vosso trunfo?” O olhar de Yuroko era afiado como lâminas. Ela juntou as mãos, formando um gesto de borboleta: “Se é só isso, rendam-se!”
Técnica secreta da Ilha Borboleta, Dança entre Palmos. Nível de mestre do segundo grau, capaz de destruir escudos defensivos. Um escudo conjurado por um espírito inexperiente era fácil de romper.
Num golpe, o escudo dourado se partiu como vidro, e o espírito por trás dele caiu gravemente ferido, com fissuras pelo corpo.
Agora, bastava Yuroko firmar o contrato.
Nesse momento, o espírito envolto em luz vermelha avançou, puxando o outro e escapando como um raio.
Yuroko era poderosa, mas inexperiente; acabou deixando ambos fugirem de suas mãos.
Com o corpo aumentado, o espírito rompeu a armadilha previamente montada por Yuroko.
Com a barreira destruída, os dois avançaram ferozmente em direção a Song Shuhang, junto ao túmulo, querendo drenar sua energia vital para recuperar forças e enfrentar Yuroko de igual para igual.
Fugir? Jamais lhes passou pela cabeça—se pudessem escapar, não estariam presos ali por mais de sessenta anos.
Espíritos intermediários têm boa inteligência.
...
...
Naquele instante, Song Shuhang se agachava para pegar o celular caído.
“Cuidado, veterano Song!” Yuroko se alarmou, pisando forte no chão e transformando-se numa borboleta colorida, voando em direção aos espíritos!
Mas o espírito de talento ativado explodiu em velocidade, ignorando os ataques de Yuroko e investindo agressivamente contra Shuhang. Estavam dispostos a arrastar alguém consigo, mesmo se morressem.
Os espíritos estavam prestes a alcançar Song Shuhang, mas ele, sereno, pegou o celular e iluminou o chão—ao se abaixar, notou uma planta estranha.
Sob a luz do aparelho, viu seu formato: enrolada como um dragão, com espinhos na ponta e raízes roxo-escuras.
Suando, percebeu que era a “Erva Dragão Venenoso” que o Alquimista postou no grupo Nove Continentes!
Sem pensar, arrancou a planta pelas raízes—se Yuroko visse, certamente enviaria ao Alquimista.
Se este cozinhasse a planta por cinco minutos e bebesse o líquido, morreria, não?
Sem saber se era perigosa, Shuhang achou melhor impedir que Yuroko a descobrisse.
Bang!
Ao arrancar a planta, ouviu um som pesado de colisão, mas ao olhar em volta, nada viu. Apenas Yuroko, surpresa e excitada, a poucos metros.