Capítulo Trinta e Quatro: O Vento Se Levanta

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 2363 palavras 2026-02-08 14:23:27

— É assim... — Simão Ventos resumiu brevemente o que acontecera naquele dia para Green e seus companheiros.

— Então foi isso! Pequeno louco, você realmente tem sorte com as mulheres! Irmã Vento, se o pequeno louco te incomodar algum dia, conte para nós, nós vamos defendê-la! — Carey exclamou, batendo no peito.

— Mas como é que vocês têm tempo de vir aqui? Não precisam treinar amanhã? — Simão Ventos sabia que, quando estavam na academia, esse era o horário de treino para eles.

— É que começou o Concurso dos Cantores, então nosso treinamento foi suspenso! Os alunos do quarto e quinto ano foram convocados para manter a ordem! Ah! Foi um dia corrido, estou exausto! — Yu Wen lamentou.

— Como assim vocês também foram chamados para manter a ordem? A força policial da capital não é suficiente? — Simão Ventos perguntou intrigado. Afinal, toda a força armada desse planeta estava concentrada na capital; mesmo em tempos de caos, os guardas eram mais do que suficientes.

— Ah, você não imagina... Os seguidores dos candidatos são tão fanáticos que nos faltam palavras! Hoje foi até tranquilo, só alguns candidatos vieram à capital, mas os seguidores desses poucos já nos deixaram esgotados. A praça estava um caos, eles brigam por qualquer coisa, e não podemos usar a força, só tentar acalmar... Não é tarefa para gente, não! — Yu Wen explicou, visivelmente frustrado.

— Entendo... Vocês vão sofrer mesmo! Imaginar uma tropa de guardas tentando manter a ordem só com palavras chega a ser aterrador.

— Nem me fale! Você está confortável, hein? Por mais caótico que esteja lá fora, só precisa se esconder aqui dentro! Aliás, irmã Vento, sua voz é realmente tão boa assim? — Carey, ouvindo Simão Ventos exaltar a voz de Vento Mil Danças, que seria mil vezes melhor que a de Gresan, demonstrou certa incredulidade.

— Não acredita no que digo? Irmã, cante para eles, deixe-os perderem-se no encanto da sua voz! — Ao falar da voz de Vento Mil Danças, Simão Ventos sentiu novo orgulho, esquecendo completamente o constrangimento de antes.

— Tudo bem! Eu queria cantar só para o meu irmão, mas, já que são amigos dele, posso cantar para vocês, desde que aceitem uma condição! — Vento Mil Danças, olhos brilhando de travessura, dirigiu-se ao grupo.

— Oh! Que condição? Conte-nos! — Seja pela aparência ou pelo jeito dela, era impossível não desejar aproximar-se.

— Condição... Ainda não pensei em nada, quando eu tiver uma, aviso, pode ser? — Vento Mil Danças respondeu, balançando a cabeça.

— Claro! Se sua voz for como o pequeno louco diz, qualquer condição será aceita, desde que possamos cumprir! — Carey prometeu, batendo no peito.

— Então prestem atenção! Meu lugar dos sonhos... — Vento Mil Danças anunciou, e soltou a voz. Quando não cantava, parecia a irmãzinha da casa ao lado. Mas, ao cantar, transformava-se numa deusa dos sonhos. Não só Green e seus dois amigos, mas também Simão Ventos, que já ouvira antes, voltou a mergulhar num profundo encantamento.

A voz de Vento Mil Danças era leve, como murmúrios em sonhos, mas, ao ecoar, mesmo os guardas distantes e os mestres de combate nos laboratórios ouviram. Esqueceram suas tarefas: guardas largaram a vigilância, mestres de combate abandonaram os experimentos. Todos se perderam na música.

Do lado de fora da Associação dos Mestres de Combate, transeuntes pararam, estáticos, como se presos num sonho. Quando a canção terminou, ninguém despertou de imediato; o sonho era tão belo que não queriam acordar. Só após quatro ou cinco minutos, o barulho distante de uma briga entre seguidores de dois candidatos trouxe todos de volta à realidade.

— E então, não é verdade que a voz da minha irmã é mil vezes melhor que a de Gresan? — Simão Ventos, orgulhoso, disse ao grupo ao recobrarem os sentidos.

— Isso sim é um verdadeiro Cantor! Depois de ouvir você, irmã Vento, parece que todos os meus problemas se dissiparam! — Green suspirou, ao despertar.

— Irmã Vento, ouvir sua voz... nem um, nem cem, nem mil condições, aceitamos todas! — Yu Wen exclamou, animado, voltando do transe. Ele já ouvira a voz do Cantor da edição anterior; em sua opinião, nem se comparava à de Vento Mil Danças. O outro Cantor podia ser agradável, mas a voz dela elevava sua alma. Só uma canção e Yu Wen sentiu seu poder se fortalecer.

— Sorte que irmã Vento não participa do Concurso dos Cantores, senão sua candidata não teria nenhuma chance! — Green disse a Carey, suspirando.

— Na verdade, eu gostaria que irmã Vento participasse, aí talvez existisse uma chance entre mim e ela... — Carey suspirou também.

— Eu já te aconselhei a desistir, mas você nunca nos ouviu... — Green lamentou.

— Do que vocês estão falando? Não estou entendendo nada! — Simão Ventos, ouvindo a conversa estranha, perguntou, sem compreender.

— Deixa que eu explico! Eles não sabem muito... — Carey, talvez influenciado pela música, parecia relaxado como nunca.

— Tudo começou quando tínhamos dez anos... — Carey começou a narrar aquilo que há muito queria contar, e todos mergulharam em suas lembranças.

— Então era isso! Carey, te julgamos errado no passado! — Green disse, batendo no ombro do amigo ao fim da história.

— Não faz mal. Depois de ouvir irmã Vento, entendi tudo! Seja ela Cantora ou não, nossa história termina aqui. — Carey falou suavemente.

— Carey, eu sempre achei que você era pouco ambicioso, mas agora percebo: entre nós, você foi o que mais sofreu! Não se preocupe, sem aquela mulher, você ainda tem nossos laços de irmandade! — Yu Wen aproximou-se, batendo no ombro do amigo e dizendo em voz alta.

— Haha! Bem dito, Yu Wen! Em nome da minha liberdade, vamos beber uma taça! — Carey, de peito aberto, finalmente mostrou sua verdadeira natureza.

— Haha! Se Carey quer beber, é claro que vamos acompanhá-lo! Irmã, você vem? — Simão Ventos perguntou sorrindo, contagiado pela animação de Carey.

— Claro que vou! Onde meu irmão for, eu vou também! — Vento Mil Danças respondeu com doçura.