Capítulo Trinta e Um: Feng Qianwu

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3278 palavras 2026-02-08 14:23:09

Após pendurar a lista das duas matérias-primas de que precisava na casa de leilões virtual, Ximen Feng saiu da rede virtual. Antes, talvez ele ainda passasse um tempo explorando por lá, mas agora já não tinha mais interesse. Na verdade, sabia que o motivo era simples: as pessoas que realmente lhe despertavam interesse não estavam presentes, e, sem elas, a rede virtual tinha perdido o encanto.

Era por volta das duas da tarde. O sol brilhava intensamente do lado de fora da janela. Embora Dosse tivesse lhe aconselhado a evitar sair nesses dias, era apenas o primeiro dia de inscrições e provavelmente nada aconteceria. Pensando assim, Ximen Feng saiu.

As ruas estavam mais cheias do que de costume, pois hoje era a abertura do Concurso dos Cantores. A maioria dos transeuntes eram jovens, rapazes e moças animados, cada qual torcendo por seu cantor favorito, prontos para promover aqueles que admiravam.

“Ah!” Enquanto vagava distraído, Ximen Feng esbarrou de repente em alguém numa esquina. Com seu metro e oitenta de altura, apenas balançou o corpo e se restabeleceu. Já a pessoa que bateu nele caiu sentada no chão.

“Você está bem?” Estendeu a mão direita para ajudar a moça caída, surpreso por ter se envolvido numa situação dessas ao sair apenas para espairecer.

“Ah! Irmão, você está aqui!” A garota, massageando o joelho machucado, levantou o rosto para ele. Assim que viu as feições de Ximen Feng, abriu um sorriso radiante de pura felicidade.

“Irmão? Moça, acho que você está me confundindo com outra pessoa.” Ximen Feng respondeu, um tanto intrigado. Aquela cena lhe lembrava o primeiro encontro com Yuhuan do Oriente, quase igual à situação de agora.

“Irmão, você não quer mais saber da sua irmã? Eu só tenho você como família! Não pode me abandonar! Buá, buá!” E, dizendo isso, a garota começou a chorar.

“Moça, qual o seu nome? Vamos, levante-se primeiro, está bem?” O rosto dela estava um pouco sujo, dificultando distinguir seus traços, mas o formato do rosto já sugeria que seria uma grande beleza. Devia ser apenas um ano mais nova que Ximen Feng. Mesmo que não tivesse sido ele a derrubá-la, jamais a deixaria para trás.

“Meu nome é Feng Qianwu! Irmão, como pôde esquecer meu nome?” Parou de chorar e olhou para ele com inocência.

“Feng Qianwu? Talvez o destino realmente tenha nos unido!” Ximen Feng sorriu, notando que ambos tinham o caractere “Feng” no nome.

“Garotinha, quero ver para onde pensa que vai!” Nesse instante, alguns jovens de uns vinte e poucos anos saíram correndo do beco de onde Qianwu viera. Ao vê-la caída, pararam, ofegantes, e a ameaçaram com olhares ferozes.

“Irmão! Eles querem me fazer mal, estou com medo!” A menina se agarrou a Ximen Feng, o rosto marcado pelo pavor, como se aqueles homens lhe trouxessem terríveis recordações.

“O que pensam que estão fazendo?” Ximen Feng perguntou, impaciente diante daquela hostilidade.

“Essa menina roubou minha carteira!” O rapaz à frente, prestes a repreender Ximen Feng por interferir, foi interrompido por outro, de cabelos tingidos de verde-claro.

“Ela roubou a carteira de vocês? Mas não vejo nenhuma com ela...” Ximen Feng franziu a testa, observando que nem a expressão da menina, nem a dos jovens, condiziam com a acusação.

“Ela deve ter jogado fora enquanto fugia!” O rapaz de cabelo verde argumentou rapidamente.

“Jogou fora? Se você roubasse a carteira de alguém, jogaria fora enquanto fugia?” Ximen Feng percebia que aquilo não era tão simples quanto parecia.

“Ela deve ter percebido que estávamos alcançando e, com medo de ser pega com as provas, se livrou da carteira!” O de cabelo verde inventou, dando ares de verdade à acusação.

“Irmão, não acredite neles! Eles são traficantes de pessoas!” A menina apertou com força a mão de Ximen Feng, tremendo.

“Traficantes de pessoas?” Ao ouvir aquilo, o olhar de Ximen Feng mudou. As palavras dela despertaram lembranças desagradáveis, memórias vagas, quase esquecidas, mas ojeriza absoluta por traficantes.

“Garota, não invente histórias! Amigo, é melhor não se meter onde não foi chamado!” O chefe do grupo já estava impaciente. Apesar de ser uma rua tranquila, havia sempre o risco de algum transeunte aparecer, e ele não queria chamar atenção.

“Desta vez, vou me meter sim! Se tiverem juízo, desapareçam antes que eu me irrite!” Ximen Feng respondeu, ajudando a menina a se levantar, encarando o grupo com expressão sombria.

“Parece que não vai ter acordo! Ataquem! Quebrem as duas pernas dele, mas não o matem!” O líder ordenou.

Os outros avançaram sobre Ximen Feng com movimentos de quem já estava acostumado a brigar. Mas, desta vez, encontraram adversário de verdade. Apesar de ser apenas um lutador de nível quatro, Ximen Feng já dominava plenamente as habilidades da Besta de Combate. Após absorver o poder do Urso Flamejante, sua força havia dobrado.

No instante em que os jovens atacaram, Ximen Feng virou-se numa ventania feroz na direção deles. Para a menina, tudo o que se viu foi um vendaval envolvendo o grupo, enquanto o som de punhos colidindo com ossos ecoava em seus ouvidos.

Quando o vento cessou, Ximen Feng estava novamente ao lado da menina. Diante deles, os jovens, antes ameaçadores, agora jaziam caídos, gemendo e agarrando as pernas, irreconhecíveis de tanto apanhar. O que menos sofreu estava com o rosto inchado ao dobro; o chefe do grupo só tinha um dente pendurado na boca, os demais caídos no chão, o sangue escorrendo se misturava ao rosto inchado, numa cena lamentável.

“Alô! Irmão Doro?” Sem qualquer traço de piedade ao ver os jovens estirados, Ximen Feng pegou o comunicador. Não tinha interesse, nem capacidade, de eliminar organizações como aquela, mas sabia quem poderia fazê-lo.

“Irmão Feng? Que surpresa! Calma, quanto aos materiais, não se preocupe, há alguns que não estão aqui. Quando tudo estiver pronto, eu mesmo lhe entrego!” Doro respondeu com bom humor, como se nada tivesse acontecido no almoço daquele dia.

“Irmão Doro, os materiais não são urgentes. Preciso de um favor, será que pode me ajudar?” Ximen Feng sorriu.

“Veja só! É raro você me pedir algo! Não tenho muitos poderes por aqui, mas posso resolver a maioria dos problemas. Diga logo, qualquer coisa que eu puder fazer, farei com todo empenho!” Doro respondeu, surpreso, pois sabia das habilidades de Ximen Feng. Se ele estava pedindo ajuda, é porque era algo delicado demais para agir diretamente.

“É o seguinte: andando pela rua, deparei-me com um grupo de traficantes de pessoas. Poderia me ajudar a desmantelar essa organização?” Ximen Feng falou baixo, mas para os jovens caídos, cada palavra soava como um trovão.

“Traficantes de pessoas? Diga-me onde estão que, mesmo que tenham as costas quentes, darei um fim nisso!” Doro respondeu com voz fria, demonstrando igual repulsa.

“É assim...” Ximen Feng relatou o ocorrido e passou o endereço, encerrando a ligação em seguida.

Minutos depois, vários carros flutuantes pararam diante dele. Assim que os veículos estacionaram, Doro saiu acompanhado de homens fardados como guarda de segurança.

“Irmão Feng, são esses aí?” Doro perguntou de rosto fechado ao se aproximar.

“Sim, mas creio que são apenas peões. Com eles, será possível chegar ao verdadeiro grupo por trás.” Ximen Feng assentiu.

“Prendam todos!” Doro ordenou com um gesto. Pela desenvoltura, Doro parecia ser muito mais do que apenas o dono da casa de leilões.

“Irmão Feng, pode deixar tudo comigo! Para eles, os dias bons acabaram!” Doro lançou um olhar feroz ao grupo.

“Não! Vocês não podem nos prender! Sabem quem é nosso chefe? Se nos prenderem, vão se arrepender!” O líder do grupo gritava, enquanto era levado pelos guardas. Na confusão, o único dente que ainda restava também caiu.

“Irmã Feng, veja, eles já foram presos. Onde fica sua casa? Vou levá-la de volta.” Após Doro e os guardas partirem, Ximen Feng se virou para a menina, que ainda segurava sua camisa com força.

“Eu não tenho casa...” respondeu ela baixinho.