Capítulo Dezesseis: O Combate Feroz contra o Cão de Duas Cabeças

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 2163 palavras 2026-02-08 14:19:01

Capítulo Dezesseis: Batalha Feroz contra o Cão de Duas Cabeças

Um uivo estrondoso ecoou quando, durante a conversa do grupo, o cão infernal de duas cabeças à sua frente não aguentou mais e lançou-se sobre eles.

"Cuidado!" exclamou Zé Leto antes de também avançar contra o cão de duas cabeças do inferno. Essa criatura lendária não se restringia a técnicas corporais ou poderes mentais; dominava ambas com maestria, tornando-se um adversário ainda mais perigoso.

As garras do Trovão Celeste, utilizadas por Zé Leto, chocaram-se violentamente com as garras do cão infernal. Uma onda silenciosa de energia explodiu pela caverna, fazendo com que os aliados de Zé Leto perdessem momentaneamente o equilíbrio. O impacto fez o cão infernal recuar alguns passos, enquanto Zé Leto foi arremessado por mais de dez metros antes de conseguir cravar as garras no solo para se estabilizar. A diferença de força entre os dois ficou imediatamente evidente.

"Cuidado, esse cão de duas cabeças parece ter o poder máximo de um nível sete", alertou Zé Leto após o primeiro contato, já ciente da força do inimigo.

Antes que pudesse terminar de falar, dois globos de fogo, um vermelho e outro branco, do tamanho de cabeças humanas, foram cuspidos da boca do cão infernal, voando em alta velocidade em direção a Zé Leto.

"Irmão Zé, cuidado!" exclamou Simão Vento, preocupado, ao ver as bolas de fogo voando em direção ao companheiro. Ele disparou duas flechas elétricas, mirando nos globos flamejantes. No entanto, não acreditava que suas flechas teriam algum efeito contra uma criatura capaz de repelir Zé Leto.

Zé Leto também avistou as bolas de fogo vindo em sua direção e, instintivamente, pensou em desviar. Contudo, percebeu pelo trajeto sinuoso das chamas que seria impossível evitá-las; a única alternativa era destruí-las com força bruta.

Enquanto Simão Vento disparava suas flechas, Joãozinho e Sanzinho também atacaram os globos de fogo. Um lançou um feixe de luz incandescente, enquanto o outro disparou várias lâminas de vento azuladas.

Por estarem mais próximos do cão infernal, os ataques de Joãozinho e Sanzinho atingiram primeiro as bolas de fogo. No entanto, subestimaram o poder das chamas: quando seus ataques colidiram com os globos, foi como atirar pedrinhas num lago — apenas fizeram as bolas de fogo tremerem, sendo logo absorvidos e dissipados sem deixar vestígios.

Joãozinho e Sanzinho ficaram boquiabertos. Conheciam bem a força de seus próprios ataques; embora não estivessem usando toda a potência, até mesmo um lutador de nível cinco teria dificuldades para resistir. No entanto, contra as bolas de fogo, seus esforços apenas causaram uma breve hesitação nas chamas, revelando o quão aterrorizantes eram.

Diante da inutilidade dos ataques dos companheiros, os olhos de Zé Leto se arregalaram; aquele cão infernal de duas cabeças era, sem dúvida, um dos inimigos mais poderosos que já enfrentara. Comparado até mesmo com bestas espirituais de nível oito, não ficava muito atrás.

Foi então que as flechas elétricas de Simão Vento acertaram os globos de fogo. Zé Leto e os outros acreditavam que o resultado seria o mesmo dos ataques anteriores, mas dessa vez, estavam enganados.

No instante em que as flechas atingiram as bolas de fogo, tudo pareceu congelar no tempo: globos e flechas colidiram e permaneceram imóveis no ar, diante do olhar atônito de todos — inclusive do próprio cão infernal.

Esse quadro ficou estático por apenas alguns segundos. Em seguida, dois estrondos ecoaram pela caverna, e bolas de fogo e flechas explodiram como fogos de artifício diante dos olhos do grupo, tingindo o ar de vermelho, branco e violeta, formando um espetáculo de cores tão magnífico quanto o crepúsculo tingido de nuvens coloridas.

Após a explosão, o espetáculo luminoso foi desaparecendo lentamente, restando apenas dois globos de fogo, um vermelho e outro branco, do tamanho de ovos. Eles flutuaram alguns metros à frente e, então, se dissiparam no ar com dois estalos suaves.

Embora o ataque de Simão Vento não tenha destruído completamente as bolas de fogo, noventa e nove por cento da energia delas foi dissipada durante o confronto.

Com o desaparecimento das chamas, a caverna dividiu-se em dois ambientes distintos: de um lado, o inferno, com a temperatura subindo instantaneamente por centenas de graus; do outro, o abismo, com o frio caindo para mais de cem graus negativos.

Felizmente, todos estavam abrigados dentro de seus avatares de combate; sem essa proteção, teriam sido reduzidos a cinzas ou transformados em esculturas de gelo em questão de segundos.

"Todos atentos! Esse monstro vai enlouquecer agora!" avisou Zé Leto ao notar a expressão do cão infernal. Aqueles globos de fogo, neutralizados tão misteriosamente, certamente haviam enfurecido de vez a criatura.

"Relaxa, chefe, vamos tomar cuidado. Mas agora é com você, nós só vamos conseguir atrapalhar um pouco pelos flancos!", disse Joãozinho, ainda abalado. Ele conhecia bem a força do chefe, mas nem mesmo Zé Leto conseguiu resistir ao cão infernal; Joãozinho nem queria imaginar o que aconteceria se fosse ele a enfrentar a fera de frente.

Vendo que o cão infernal estava prestes a lançar seu ataque mais poderoso, Zé Leto não hesitou. Soltou um grito de guerra e lançou-se contra o inimigo, enquanto faíscas elétricas começavam a crepitar ao redor de seu corpo. Os raios percorriam a superfície do Trovão Celeste, iluminando-o com um brilho intenso.

"O chefe está indo com tudo, até mesmo ativando o Corpo Verdadeiro do Trovão, que consome uma quantidade absurda de energia. Mas esse cão de duas cabeças não vai ser fácil de derrotar! Dudu, de todos nós, seu ataque é o mais forte. Quando o chefe estiver lutando com o cão, faça o possível para ajudá-lo!" disse Joãozinho, ansioso, dirigindo-se a Simão Vento ao ver Zé Leto mergulhar na batalha envolto em luz.

"Pode deixar, vou dar o máximo para ajudar o chefe Zé!" respondeu Simão Vento, apreensivo ao ver Zé Leto e o cão infernal já em combate. Se Zé Leto fosse derrotado, dificilmente algum deles teria chances de escapar com vida.