Capítulo Cinco: Energia do Domínio

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3354 palavras 2026-02-08 14:13:51

Capítulo Cinco – Energia do Domínio

“Agora eu já devo ser capaz de controlar o Mil Ilusões, não é?” Sentindo a energia do domínio em seu núcleo principal, muito mais poderosa do que antes, Ximen Feng estava ansioso para pilotar o Mil Ilusões e se exibir um pouco.

“Ainda não. O seu controle sobre a energia do domínio ainda é fraco. Por enquanto, só conseguirá invocar o Mil Ilusões, talvez controlá-lo para dar alguns passos, e olhe lá!” Xiaozhi balançou a cabeça diante de Ximen Feng ao explicar.

Assim que Xiaozhi terminou, Ximen Feng voltou a se sentir desanimado. Era como se um suculento coxão de frango estivesse diante de seus olhos, enquanto seu corpo, faminto, estivesse amarrado, restando-lhe apenas olhar, frustrado. Só havia uma palavra para descrever esse sentimento: irritação, muita irritação.

Não havia outro jeito. Ximen Feng teve de se concentrar em aprimorar o controle sobre a energia do domínio, seguindo as instruções de Xiaozhi, mudando sua forma dentro do núcleo principal. Xiaozhi, ao vê-lo novamente sentado para cultivar, sem ter o que fazer, voltou ao sono, soltando bolhas arroxeadas pelo nariz, de tal modo que quem a visse poderia facilmente confundi-la com um porquinho.

Como a energia do domínio dentro de si havia se ampliado cinco ou seis vezes, no início Ximen Feng teve extrema dificuldade para controlá-la. Tentou moldar a energia em um triângulo, mas acabou com um círculo. Quis transformá-la numa pequena galinha, mas ela assumiu a forma de uma serpente.

Com o passar do tempo, Ximen Feng foi ganhando destreza no controle da energia do domínio. Os formatos agora saíam com contornos definidos, sem aquela sensação escorregadia do começo.

“Glu-glu...” Quando Ximen Feng mais se divertia controlando a energia, seu estômago protestou. Só então lembrou de que estava ali para limpar o armazém, algo que ainda não havia terminado. Se o Senhor Ferro aparecesse para inspecionar e não o encontrasse, certamente haveria problemas.

“Ei, Xiaozhi!” Vendo Xiaozhi soprando bolhas diante de si, Ximen Feng deu-lhe um tapinha gentil na cabeça.

“Ah!” Xiaozhi espreguiçou-se antes de responder: “O que foi, Feng? Não viu que eu estava dormindo?”

“Vou sair, e você, para onde vai?” Ximen Feng já estava acostumado ao tom de Xiaozhi, e ignorou suas reclamações.

“Acho melhor eu voltar para a Pedra Espacial e continuar dormindo. Só não me acorde, hein! Se não dormir direito, minha pele vai encher de rugas!” Assim que terminou, Xiaozhi se transformou numa nuvem violeta e desapareceu dentro da Pedra Espacial dos Animais de Combate.

Com Xiaozhi desaparecida, Ximen Feng se preparou para deixar o esconderijo onde tantas surpresas encontrara. Antes, porém, não resistiu a vasculhar o local. Ao abrir alguns dos baús de armazenamento térmico, um fio de baba escorreu-lhe pelo canto da boca.

Dentro deles havia de tudo para comer, em sua maioria alimentos enlatados, fáceis de conservar. Ximen Feng pensou que era como receber um travesseiro quando se quer dormir. De fora, os baús pareciam pequenos, mas por dentro o espaço era enorme. Ele estimou que cada um comportava pelo menos cem metros cúbicos de comida — suficiente para sustentá-lo por anos.

Pegando uma lata de carne bovina, Ximen Feng começou a se deliciar. Só parou depois de devorar cinco latas, satisfeito, acariciando a barriga e soltando um arroto. Antes, com o apetite do antigo Adai, uma lata bastava para matar a fome. Mas agora, após o cultivo com energia do domínio, Ximen Feng percebeu que precisava de muito mais alimento. Só conseguia pensar que a energia do domínio devia mesmo consumir bastante energia.

“Adai, como vai a limpeza do armazém?” Assim que Ximen Feng saiu do esconderijo e fechou a porta, ouviu a voz do Senhor Ferro do lado de fora.

A voz o assustou. Se tivesse demorado mais um pouco, algo ruim poderia ter acontecido.

“Já está quase tudo limpo. Até a hora do jantar estará tudo pronto!” respondeu Ximen Feng ao Senhor Ferro, que entrava no armazém.

“Muito bem! Hoje você está mais rápido. Merece um elogio. Aqui está seu almoço!” O Senhor Ferro colocou a refeição em uma prateleira antes de sair.

Com a partida do Senhor Ferro, Ximen Feng sentiu-se aliviado. Mesmo tendo fechado a porta do esconderijo, não sabia se ele tinha visto. Ao olhar para a marmita, fez uma careta: sabia que, se não tivesse apanhado antes, nem essa refeição teria. Mas, depois de um banquete daqueles, não sentia nenhuma vontade de comer aquela ração insossa.

Jogou toda a terra do armazém no lixo, e junto foi a marmita. Depois de esvaziar a lixeira, Ximen Feng deu o dia por encerrado.

O relógio mal marcava o início da tarde. O antigo Adai, nessa hora, teria ido correndo reportar ao Senhor Ferro para receber mais tarefas. Mas Ximen Feng não era tão tolo. Depois de eliminar o pó, voltou ao armazém para continuar praticando o controle da energia do domínio.

Só parou quando o crepúsculo caiu. A essa altura, já controlava a energia em seu núcleo como se fosse um prolongamento de seu próprio corpo. Não sabia ao certo o nível de seu controle, e Xiaozhi continuava adormecida na Pedra Espacial, sem responder aos seus chamados. Restou-lhe interromper por ora.

Foi até o Senhor Ferro entregar o relatório e pegou o saco de sobras que ele lhe jogou. No caminho de volta ao seu minúsculo quarto, jogou tudo numa pilha de lixo: depois de tantas latas de carne, aquilo não lhe despertava nem o menor apetite.

Já no quartinho, o relógio marcava apenas seis e meia da noite. O antigo Adai teria descansado um pouco e ido dormir cedo, mas Ximen Feng não era Adai. Jamais dormira antes da meia-noite em toda a sua vida anterior; obrigá-lo a deitar antes das sete era pior que matá-lo.

Sentou-se na cama para descansar um instante. Logo decidiu sair e passear pelas ruas. Naquele planeta não havia estações do ano, apenas uma eterna primavera. Assim, às sete horas a noite já caíra por completo, e as ruas estavam iluminadas por todos os lados. A loja de variedades do Senhor Ferro já estava fechada — não havia movimento àquela hora —, e tanto ele quanto a Senhora Ferro já dormiam cedo, o que facilitava a escapada de Ximen Feng pela porta dos fundos.

Adai saía raramente, e nunca à noite. Nas poucas vezes em que deixou a loja, foi sempre acompanhado pelo Senhor Ferro para buscar mercadorias.

Por isso, ao passear pelas ruas, Ximen Feng sentia tudo muito novo. Mas, sem um único centavo — pois gastara sua única moeda estelar de manhã —, só podia admirar as coisas com os olhos. As barraquinhas de comida espalhadas pela rua faziam sua boca salivar sem parar.

No entanto, enquanto ele seguia despreocupado, não percebeu que três figuras o seguiam discretamente.

“Chefe, não falei? A surra foi leve demais, olha só, já está bem e andando por aí. Esse sujeito roubou nosso trabalho, não podemos deixar barato, chefe!” sussurrou um garoto magricela à esquerda, dirigindo-se ao líder.

“Tem razão. Mesmo que o Senhor Ferro pague mal, ainda dava para sobreviver. Agora, graças a esse aí, a gente só come vento. Não podemos perdoar. Mas nada de abordá-lo na rua: da última vez, fomos vistos batendo nele e o Senhor Ferro quase denunciou para o patrulheiro!” respondeu o chefe, igualmente descontente.

Ximen Feng, alheio ao perigo, continuava a explorar as diferenças entre este e seu antigo mundo, degustando com o olhar e o olfato tudo o que via. Satisfeito, entrou num beco para resolver uma necessidade, quando três figuras surgiram e bloquearam a saída.

Olhando para os três à frente e o beco sem saída atrás, Ximen Feng sabia que aquele dia não acabaria bem. Eram exatamente os rapazes que Adai havia afastado do trabalho, os mesmos que faziam bicos para o Senhor Ferro.

Se fosse o antigo Adai, já estaria tremendo. Mas agora, como lutador de primeiro nível, Ximen Feng não temia três moleques. A energia do domínio, mesmo sendo mais poderosa ao usar bestas de combate, servia também para fortalecer o corpo. Depois de ser banhado por ela, seu físico estava duas ou três vezes mais forte do que antes. Lidar com aqueles sujeitos não seria um problema.

“O que... o que vocês querem?” Apesar de não ter medo, decidiu se fazer de indefeso. Dizem que enganar o inimigo fingindo-se de fraco é prazeroso, e Ximen Feng queria experimentar.

“O que queremos? Hahaha, idiota, comeu cola demais esses dias? Não te avisei da última vez? Já que roubou nosso trabalho, vai ter de pagar. Passe o dinheiro! E me chame de senhor Macaco Magro, quem sabe a gente deixa passar!” zombou o garoto magricela de voz estridente.

“M-mas eu não tenho dinheiro!” Ximen Feng deu um passo para trás, fingindo extremo medo.

“Sem dinheiro? Pois então não reclame se a gente for bruto!” disse o chefe, com um tom ameaçador.