Capítulo Treze: O Mestre de Combate
Capítulo Treze – O Mestre de Combate
O comunicador de Dongfang Ye começou a tocar no exato momento em que ele e os outros acabavam de sair para a rua.
— Prima, um amigo meu precisa de mim para resolver um assunto. Hoje não vou poder te acompanhar nas compras! — disse Dongfang Ye ao comunicador, virando-se depois para Dongfang Yuhuan com um olhar resignado.
— Tudo bem, primo, pode ir! Com o Ah Dai me acompanhando, já está ótimo! — respondeu Dongfang Yuhuan, acenando displicente.
— Ah, entendi! Arrumou um novo amor e já esqueceu o primo, não é? — Dongfang Ye brincou ao ver a expressão indiferente de Yuhuan.
— Humpf! Primo, se continuar falando besteira, vou rasgar essa sua boca! — Mal as palavras saíram, um rubor acentuou-se no rosto de Dongfang Yuhuan.
— Pronto, pronto, não falo mais! Estão me apressando, vou indo! — E, ao ver Yuhuan prestes a avançar sobre ele, Dongfang Ye escapuliu apressado.
— É bom mesmo! — resmungou Dongfang Yuhuan, franzindo o nariz ao ver a silhueta do primo se afastando.
— Vamos? Agora que o Ye fugiu, você não pode me abandonar também! — E, assumindo ares de líder, Dongfang Yuhuan seguiu em direção à rua comercial, sem notar que as manchas vermelhas em seu rosto ainda não haviam sumido.
— Já é meio-dia. Que tal procurarmos um lugar para comer? Ainda temos uma aula esta tarde — comentou Ximen Feng, um pouco contrariado com o entusiasmo de Yuhuan.
— Já? Mal comecei a aproveitar! — queixou-se Dongfang Yuhuan, consultando o horário.
— Melhor irmos comer. Se você faltar na aula, tia Yue vai acabar vindo atrás de mim! — disse, fazendo beicinho, temendo que Dongfang Yue a repreendesse.
Enquanto atravessavam um beco, alguns homens corpulentos surgiram de ambos os lados, bloqueando o caminho. Ximen Feng reconheceu-os: eram os mesmos que o seguiam desde antes. Na cidade, o uso de bestas de combate era proibido, mas Ximen Feng estava confiante em sua habilidade de luta corporal, por isso não demonstrou nervosismo nem comentou nada com Dongfang Yuhuan.
— O que pretendem? — perguntou Dongfang Yuhuan, o rosto sério, ao ver os homens se aproximando.
— Não queremos nada demais, só procuramos companhia. O que acha? — disse o brutamontes à frente, com um sorriso malicioso.
— Acompanhar vocês? Não é impossível, mas terão que me dar algo em troca! — surpreendeu Dongfang Yuhuan, sorrindo, deixando o homem desconcertado.
O brutamontes, contratado para lidar com Ximen Feng e não com a moça, manteve o tom insolente:
— O que quer que a gente dê? Não me diga que deseja aquilo que temos entre as pernas? Fique tranquila, que logo logo realizamos seu desejo — e todos riram com lascívia.
— Quero apenas as cabeças de vocês. Serve? — respondeu Dongfang Yuhuan, fria como gelo.
— Vocês é que pediram. Avancem! — bradou o líder, já percebendo que fora enganado. Os homens partiram para cima deles.
— Ah Dai, está esperando o quê? Acabe com eles, quero todos com cara de porco! — ordenou Dongfang Yuhuan, recuando um passo. Ela sabia, por conversas anteriores, que Ah Dai já havia derrotado vários adversários com as próprias mãos.
Mal terminou de falar, Ximen Feng lançou-se como um raio sobre o líder. Em poucos instantes, vários sons surdos de golpes ressoaram. Todos os brutamontes estavam caídos no chão, membros estremecendo involuntariamente. Os restantes, ao verem o resultado, arregalaram os olhos, como se presenciassem um monstro. Sabiam da força do chefe — mesmo juntos, não seriam páreo para ele — e, no entanto, aquele rapaz aparentemente comum o derrubara sem esforço.
Aterrorizados, soltaram gritos e fugiram pelo beco. Ximen Feng, agora ao lado de Dongfang Yuhuan, apenas observou calmamente a retirada, sem persegui-los.
— Palmas! Palmas! — Nesse instante, sons de punhos acertando carne ecoaram na entrada do beco. Logo, alguém inesperado surgiu diante deles.
— Yang Wei? — admirou-se Dongfang Yuhuan, esquecendo-se por um momento de Ximen Feng.
— Ora, Yuhuan, o que faz aqui? — Yang Wei perguntou antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
— Depois da aula, convidei Ah Dai para me acompanhar nas compras. E vocês? — indagou Yuhuan, desconfiada.
— Que coincidência! Estava por aqui com uns amigos e vi esses tipos agindo suspeitamente, então resolvi verificar. Não esperava encontrar você aqui! — sorriu Yang Wei.
— É mesmo? Bom, divirtam-se. Eu e Ah Dai temos compromissos, vamos indo! — disse Yuhuan, olhando para Yang Wei e seus acompanhantes. Em seguida, puxou Ximen Feng, deixando o beco para trás, onde restaram apenas os brutamontes gemendo e um Yang Wei de semblante sombrio.
— Ei, Yang Wei, não foi você que disse que aqui haveria um bom espetáculo? Era isso? — perguntou, aborrecido, um jovem de cabelos vermelhos que o acompanhava.
— Claro que não! Fiquei sabendo que há novas belezas no Pavilhão da Água Celeste, chamei vocês para conferir! — Yang Wei logo recuperou a compostura, fingindo que nada havia acontecido.
— Se até você elogia, então preciso mesmo ver! — exclamou o rapaz de cabelos vermelhos, os olhos brilhando.
— Yuhuan, por que está tão irritada? — perguntou Ximen Feng, sorrindo ao notar o semblante fechado da amiga.
— Humpf! Aquilo não foi coincidência. Com certeza tem dedo do Yang Wei! — Yuhuan parou, franzindo o cenho.
— Seja como for, estamos bem. Melhor não pensar nisso. Vamos procurar algo para comer? Já estou morrendo de fome! — disse Ximen Feng, segurando o estômago e fazendo uma careta exagerada.
— Certo, certo! Às vezes acho que foste um porco na vida passada! — Yuhuan não conteve uma risada.
A aula da tarde era, novamente, com Dongfang Yue. Parecia que cada turma tinha apenas um instrutor, e não era de se estranhar que as turmas sob sua responsabilidade fossem tão disputadas: todos os seus alunos eram pelo menos de nível três. Não admira que tantos desejassem entrar em sua classe.
Como Ximen Feng já havia estudado quase todo o conteúdo, sabia de antemão o que Dongfang Yue ensinava. Ainda assim, ele fitava atentamente a tela eletrônica ao lado dela, embora talvez sua atenção estivesse mais voltada à própria instrutora.
O que mais despertava o interesse de Ximen Feng era a fabricação das Armaduras de Combate. Só ouvir falar não era suficiente; queria experimentar com as próprias mãos. Contudo, achou curioso o método de fabricação: exigia energia de domínio. Os guerreiros canalizavam essa energia para lutar, enquanto os mestres a usavam para decompor e fundir materiais, criando as armaduras.
Ao descobrir como eram realmente produzidas, Ximen Feng ficou espantado. Segundo os livros, mestres habilidosos nem precisavam de ferramentas: bastava a energia do domínio para refinar os materiais mais resistentes ao fogo e à água, transformando-os diretamente em armaduras.
Já os mestres de nível inferior dependiam de máquinas auxiliares para decompor os materiais. Refinar materiais era o critério para considerar um estudante promovido ao nível um de mestre, e até mesmo para refinar o ferro mais simples era necessário possuir a energia de um guerreiro de nível dois. Por isso, a Academia Vento Divino admitia apenas estudantes mais velhos e com base sólida na arte marcial — sem energia suficiente, refinar materiais era um sonho impossível.
Contudo, ao atingir o nível um de mestre, o guerreiro não precisava mais treinar como antes, pois, ao refinar materiais, sua energia aumentava gradualmente. Embora esse progresso fosse lento em comparação ao treinamento dos guerreiros, era suficiente para evoluir como mestre.
Assim, mestres de alto nível geralmente possuíam poder equivalente ao de guerreiros de nível quatro ou cinco, mas esse poder era ilusório; numa luta real, poderiam perder para guerreiros de nível três ou quatro.
Embora parecesse possível treinar ambas as profissões, na prática eram muito diferentes. Guerreiros usavam energia de forma explosiva, enquanto os mestres a manipulavam com sutileza e paciência. Colocá-los em combate equivaleria a lançar mariposas ao fogo.
Após ler essas descrições, Ximen Feng ficou intrigado. Se era preciso escolher entre guerreiro e mestre, por que Xiao Zi não o havia alertado ao optar pelo Instituto dos Mestres? Teria ela esquecido, ou haveria outro motivo?
Talvez, pensou ele, Xiao Zi, como Dongfang Yuhuan, acreditasse que ele só pretendia passar alguns anos no Instituto dos Mestres sem real intenção de aprender.
E assim, Ximen Feng apenas balançou a cabeça, deixando as dúvidas para trás.