Capítulo Doze: Armadura de Combate
Capítulo Doze: Armaduras de Combate
— Sei que alguns de vocês já alcançaram o primeiro ou segundo nível de Mestre de Combate, mas, ao chegarem aqui, todos, sem exceção, devem reaprender tudo desde o início. Se alguém achar que não precisa revisar as bases, pode sair agora mesmo! — disse Leste-Lua, de pé na plataforma, com um leve sorriso dirigido aos trinta alunos diante de si. Contudo, ao terminar, ninguém demonstrou qualquer descontentamento; talvez já soubessem das regras antes mesmo de chegarem ali.
Para Ximenfeng, isso era o melhor cenário possível. Se começasse de um ponto mais avançado sem a base, provavelmente ficaria completamente perdido, sem saber por onde começar.
— Vocês devem saber que as Feras de Combate são formadas pela fusão do Espírito Bestial — ou seja, o que chamamos comumente de Alma de Combate — com a Armadura de Combate. O Mestre de Combate aprende a criar essas duas coisas e, então, a uni-las em um só corpo... — Enquanto Leste-Lua explicava calmamente os fundamentos do ofício, Ximenfeng ouvia com extrema atenção, talvez por Leste-Lua ser uma belíssima mulher. Quem sabe se Ximenfeng estava realmente interessado na explicação, ou apenas admirando a beleza diante de si.
— Portanto, para um Mestre de Combate, o essencial é dominar a confecção das Armaduras de Combate. Ao contrário do que muitos pensam, armaduras não são exclusividade dos iniciantes.
— Hoje falaremos sobre como criar uma Armadura de Combate! Existem muitos materiais possíveis, e cada um confere habilidades diferentes à armadura. A maioria utiliza metais, sendo o ferro refinado o mais comum para armaduras de nível básico. Esse material, extraído do aço comum, possui grande ductilidade e facilidade de fusão, tornando-se o preferido dos aprendizes...
A aula terminou rapidamente sob a didática de Leste-Lua. Ximenfeng já conseguia entender, ao menos em linhas gerais, como se produzia uma armadura comum. Porém, a aula prática ficaria para o dia seguinte; se quisesse tentar de fato, teria de esperar até lá — ou então comprar materiais por conta própria para estragar sem dó.
O currículo da Academia de Mestres de Combate não era extenso, dividido entre teoria e prática. Às segundas, quartas e sextas, teoria; às terças, quintas e sábados, prática. Pela manhã e à tarde, uma única aula, restando o resto do tempo livre para leitura ou para ir para casa, conforme a vontade de cada um.
O que intrigou Ximenfeng foi que, após a saída de Leste-Lua, pequenos grupos se formaram na sala, conversando animadamente. Embora curioso, ele não era do tipo de se enfiar onde não era chamado.
Enquanto folheava o livro “Introdução à Confecção de Armaduras de Combate”, conversas próximas invadiam seus ouvidos. Aos poucos, entendeu que discutiam o combate do dia anterior entre ele e Tigrão. Ximenfeng não conteve um sorriso irônico: quando foi que ficou tão famoso assim?
Esses estudantes estavam ali para aprender o ofício, mas todos já eram lutadores, e entre lutadores e mestres de combate havia laços inseparáveis. Um mestre avançado dificilmente teria um baixo nível de lutador. Não era de se admirar que a luta que abalou a arena ontem despertasse tanta curiosidade.
— Ei, você sabe daquela luta de ontem? — De repente, enquanto Ximenfeng lia e escutava de esguelha, a bela loira Wang Xi falou diretamente com ele.
Ximenfeng olhou surpreso para ela. Após a escolha dos assentos no dia anterior, já sabia que aquela bela mulher se chamava Wang Xi, mas lembrava que ela parecia hostil com ele no dia anterior. Por que, então, agora vinha puxar conversa?
— Que luta? Não estou sabendo de nada… — respondeu, fingindo ignorância.
Wang Xi pareceu um pouco desconfortável. Depois da aula de ontem, contou à família sobre ter sido “passada para trás”, mas, ao ouvirem rumores sobre Ximenfeng, seus pais logo aconselharam a se aproximar dele. Do contrário, Wang Xi jamais teria sido tão simpática.
— Ontem, na Arena Virtual, o invencível Tigrão perdeu para um lutador de quarto nível! — Ao recordar o assunto, Wang Xi voltou a se sentir incomodada. Era uma lutadora de terceiro nível, mas, vendo poucas perspectivas nesse caminho, optou por tornar-se Mestre de Combate. Ainda assim, invejava os avançados e nunca perdia uma luta importante na arena.
— Vitórias e derrotas fazem parte da vida de um guerreiro. Ninguém pode garantir invencibilidade. Não vejo tanto mistério nisso. — Após derrotar Tigrão, Ximenfeng deixou a arena e não sabia que seu feito era considerado um verdadeiro milagre entre os frequentadores.
— Não vê mistério? Tigrão detinha uma sequência de cem vitórias, enfrentando apenas adversários de quinto nível para cima — um terço deles, inclusive, de sexto nível! Conseguir cem vitórias assim é mais difícil que duzentas contra adversários comuns. E ele perdeu para um quarto nível! Só pode ter sido trapaça — rebateu Wang Xi. Tigrão era seu ídolo na arena e ela não se conformava. Só acreditou ao ver a gravação da luta, mas mesmo assim, não aceitou bem a derrota de seu ídolo.
O espanto de Ximenfeng era genuíno; só então percebeu quão renomado era seu oponente. De fato, vencera por pura sorte: se não tivesse intuído o poder da Rede Celeste no último instante, teria sido esmagado por Tigrão.
Após algumas palavras para acalmar Wang Xi, Ximenfeng voltou a se concentrar no livro. Mas, com o barulho aumentando ao redor, preferiu pegar o livro e sair da sala.
— Sobre o que vocês estavam conversando? Pareciam tão animados! — Ao sair da Academia, Ximenfeng encontrou Leste-Jade e Leste-Noite empolgados em frente ao prédio.
— Estávamos falando sobre uma luta de ontem na arena! Você sabia? Tigrão, o invicto das cem vitórias, perdeu para um lutador de quarto nível! — respondeu Leste-Jade, radiante. Nem todos viam Tigrão como ídolo; para Leste-Jade, derrotar o “doutor” era sempre motivo de empolgação.
— Sim, ouvi o pessoal comentando na sala! — respondeu Ximenfeng, sem jeito ao perceber que também era tema daquela conversa.
— A propósito, irmão, já lutou na arena? Apesar da derrota do Tigrão ontem, não me surpreendi. Aquele quarto nível tem força para me derrotar num piscar de olhos. Se venceu Tigrão, não é de se espantar! — afirmou Leste-Noite. No início, ficou frustrado com a derrota para Ximenfeng, mas, ao saber que até Tigrão caiu perante ele, já não se sentia mal.
— Não, lá de onde venho isso não é comum. Só soube da rede virtual depois que cheguei aqui — respondeu Ximenfeng.
Leste-Jade já havia comentado que Ximenfeng era de um planeta longínquo e isolado, então não era estranho que não conhecesse a rede principal.
— Que pena! Está perdendo muita coisa boa. Você precisa explorar a rede virtual, é cheia de atrações. Por exemplo, a Arena Virtual: lutar lá é muito mais emocionante que qualquer duelo na vida real! — recomendou Leste-Noite, sorrindo.
— Se é tudo isso, terei de experimentar da próxima vez! — respondeu Ximenfeng, mudando de assunto. — Jade, não ia sair com suas amigas hoje? Por que está só com Noite?
— Nem me fale! Aquela gente não vale nada, foram passear em Monte Vento Divino e nem me chamaram. Fui até lá à toa! — resmungou Leste-Jade, frustrada. Tinha ido procurá-las pela manhã, sem saber que já haviam viajado dias antes.
— Tenho aula só à tarde. Que tal sairmos para espairecer um pouco? — sugeriu Ximenfeng, sorrindo ao ver o desânimo da amiga.
— Ótima ideia! Se não fosse por vocês, já estaria morrendo de tédio! — Leste-Jade logo se animou.
Ao verem a alegria de Leste-Jade, Ximenfeng e Leste-Noite trocaram olhares de resignação e seguiram-na para fora da academia.
O que Ximenfeng não sabia era que, ao deixarem o prédio, um grupo os seguiu discretamente. Entre eles, destacava-se Cobra Negra, a mão direita de Yangwei.
Logo ao caminhar algumas quadras, Ximenfeng percebeu a presença dos perseguidores e, mais que isso, sentiu claramente um leve fio de intenção assassina emanando deles.