Capítulo Treze: Profundezas

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3272 palavras 2026-02-08 14:18:53

Capítulo Treze – Adentrando

— Vocês colheram todos? Antes, a Moça da Lua me disse que havia alguém na turma dela com mais potencial que ela mesma; eu custei a acreditar. Agora vejo que é verdade. Mesmo que sua mentora estivesse aqui, duvido que conseguisse colher todas as Frutas da Fênix Arco-Íris em tão pouco tempo! — Ao ouvir as palavras de Ximen Feng, Zhao Lie primeiro se surpreendeu, mas logo sorriu com gentileza.

— Zhao, não me elogie desse jeito. Se eu realmente tivesse mais potencial que a Mentora Lua, já teria descoberto ao menos o nível de mestra de luta que ela alcançou! — respondeu Ximen Feng, um pouco constrangido.

— Não estou te elogiando à toa. Sua mentora já era mestra de luta de sexto nível na sua idade, mas ela começou a treinar desde pequena. Você, por outro lado, não tem nem um ano de treinamento. Em tão pouco tempo, alcançar tanto é digno de nota; talvez, no futuro, chegue ao nível divino. Se um dia isso acontecer, só peço que não se esqueça deste velho amigo! — disse Zhao Lie, com certo tom de nostalgia.

— Zhao, não diga isso! Mesmo que eu chegue a grandes feitos, você sempre será meu irmão Zhao! — respondeu Ximen Feng, emocionado.

— Está bem! Só essa sua palavra já me basta. Vamos descansar mais um pouco aqui. Ninguém sabe o quão profundo é esse abismo; pode haver perigos imprevisíveis lá embaixo. Devemos redobrar a atenção!

Após uma hora de repouso, todos já estavam quase recuperados ao máximo. Deixaram o penhasco e continuaram a descer. Contudo, parecia que a sorte tinha os abandonado — não encontraram mais materiais especiais, apenas itens comuns de terceiro ou quarto nível, que não despertaram interesse nem em Zhao Lie, muito menos em Ximen Feng. Assim, seguiram sem parar para coletar nada, e tampouco encontraram bestas espirituais. Foram descendo, mergulhando mais fundo, por quase duas horas até finalmente alcançarem o fundo do abismo. Desde que entraram até chegarem ao fundo, se passaram quase meio dia; somando o tempo de coleta das frutas e o descanso, foram quase quatro horas de descida. Apesar do ritmo não ser dos mais rápidos, dava para perceber a profundidade assombrosa daquele abismo.

Ao chegarem ao fundo, depararam-se com três cavernas colossais. Diante delas, não esconderam o espanto. As superfícies eram lisas de forma incomum, indicando intervenção humana, não obra da natureza. Quem teria sido capaz de tal façanha, abrindo cavernas tão imensas nesse planeta repleto de mistérios? Todos estavam tomados por dúvidas.

— Zhao, avançamos mais ou não? — perguntou Ximen Feng, sentindo que aquelas três cavernas pareciam imensas bocas, prontas para devorar qualquer um que se aproximasse.

— Vamos primeiro examinar a entrada. Aí decidimos se entramos. — respondeu Zhao Lie, ponderando. Era impossível não se sentir curioso diante daqueles três portais, mas ele sabia que o desconhecido é sempre perigoso.

Assim, Zhao Lie liderou o grupo até uma das cavernas. O abismo era oval, com quase cem mil metros de diâmetro no ponto mais largo, e quarenta ou cinquenta mil no mais estreito. As cavernas não estavam alinhadas, mas dispostas em triângulo no fundo do abismo, à mesma distância uma das outras. A maior tinha quase mil metros de altura; a menor, cerca de quinhentos — e foi para esta que se dirigiram.

A entrada estava surpreendentemente seca, sem os tradicionais pingos de água das cavernas naturais, reforçando a impressão de que foras escavadas por mãos humanas. Segundo os cálculos da distância percorrida, já estavam próximos do núcleo do planeta. Em teoria, a temperatura ali deveria ser altíssima, mas não havia qualquer sinal de calor crescente.

— Zhao, entramos ou não? — perguntou Ximen Feng, nervoso ao ver a escuridão profunda à sua frente. Não sabia se deveriam arriscar; aquelas cavernas surgidas do nada causavam arrepios, dando a impressão de ocultarem perigos incontroláveis.

— Vamos explorar. Se surgir perigo, recuamos imediatamente! Se preferirem, esperem aqui — posso entrar sozinho, sou mais rápido para fugir se algo der errado! — sugeriu Zhao Lie, relutante em ir embora sem descobrir o que havia ali. Perigo e oportunidade sempre caminham juntos.

— Nem pense nisso, Zhao! Se não nos considera irmãos, vá sozinho! — replicou Ximen Feng, contrariado.

— Então vamos juntos! Mas está combinado: se houver perigo, vocês recuam primeiro. Se não aceitarem, vamos embora agora mesmo! — disse Zhao Lie, ainda hesitante.

— Está combinado! — responderam em coro os outros membros da equipe, tão curiosos quanto Zhao Lie. Mas, no fundo, sabiam que jamais abandonariam o líder.

— Então vamos. Cuidado redobrado! — advertiu Zhao Lie, incapaz de ocultar a ansiedade. Assim, conduziu os companheiros com cautela para dentro da caverna sombria.

A cada trecho vencido, Ximen Feng lançava ao ar uma esfera de relâmpago, que emitia luz violeta, iluminando o caminho. Embora houvesse outros capazes de fazer o mesmo, suas esferas eram as mais práticas.

Seguiram por um túnel de paredes polidas e secas — nenhuma umidade, nenhum vislumbre de piso escorregadio. Mais estranho ainda: ao invés de se estreitar, a caverna ficava cada vez mais ampla conforme avançavam, despertando ainda mais perguntas sobre sua origem e propósito.

De repente, um chiado agudo ecoou acima de suas cabeças, e uma nuvem negra avançou sobre eles.

— Cuidado, são Morcegos Devoradores de Almas de quarto nível! Não são muito ofensivos, mas sugam energia do domínio! — gritou Zhao Lie aos companheiros. Ao ouvir o som, ele se alarmou, mas, ao ver a nuvem negra, sentiu-se aliviado; bastava cautela para evitar perigo.

Imediatamente, Ximen Feng e os outros atacaram a nuvem. Zhao Lie foi o mais agressivo: uma ventania azulada partiu de suas asas, envolveu a nuvem e a arrastou.

Contudo, a nuvem não era tão frágil quanto parecia. Ao ser envolvida pelo tornado de Zhao Lie, dispersou-se abruptamente, emitindo ondas negras que, ao tocarem o vento, produziram sons de atrito intenso. Logo, tanto o tornado quanto as ondas sumiram no ar.

Viram então, no alto, dezenas de morcegos de quatro asas. Ximen Feng sentiu o coração apertar. Embora pequenos, esses Devoradores de Almas eram das criaturas mais difíceis de enfrentar entre as bestas espirituais de quarto nível.

Eles possuíam duas habilidades: uma era emitir aquelas ondas negras, com forte poder de corrosão — não sobre objetos, mas diretamente sobre a energia do domínio, anulando ataques baseados nela. A outra era a nuvem negra que exalavam pela boca; ao tocá-la, a energia do domínio era drenada sem parar. Por isso Zhao Lie usara o tornado para dispersar a nuvem ao primeiro sinal de perigo.

Mas isso não era tudo. O verdadeiro problema era que esses morcegos nunca agiam sozinhos — sempre em bandos de no mínimo uma dúzia. Um mestre de luta de quarto ou quinto nível, sozinho, só teria como fugir; caso contrário, seria drenado até secar.

Vendo sua ofensiva anulada, Zhao Lie bateu as asas e voou na direção dos morcegos, disposto a dispersá-los. Assim, perderiam o poder do grupo. Os outros o seguiram.

Os morcegos, cientes de sua fraqueza, exalaram novamente a nuvem negra, escondendo-se. Desta vez, Zhao Lie não usou o tornado, mas criou uma rajada vigorosa com as asas, dissipando a névoa e expondo os inimigos.

Sem a proteção da nuvem, os morcegos tornaram-se vulneráveis aos ataques do grupo. Apesar de Zhao Lie ter usado apenas ventos, sua verdadeira habilidade, o Pássaro de Trovão Celestial, era uma técnica corporal de combate, e os ventos eram apenas apoio.

No corpo a corpo, os morcegos eram patéticos: em poucos instantes, Zhao Lie já havia abatido vários deles.