Capítulo Cinco: A Arena

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3293 palavras 2026-02-08 14:15:27

Capítulo Cinco – Arena

“O que está acontecendo? Por que não consigo ver o rosto de ninguém?” perguntou Simão Vento a Zizinha.

“Eles têm medo de serem reconhecidos, então escondem o próprio rosto! Fique tranquilo, quando você entrou no mundo virtual, eu já cobri sua aparência. Não precisa se preocupar em ser reconhecido! Agora vá se divertir, tenho alguns assuntos para resolver!” Assim que terminou de falar, Zizinha desapareceu, deixando Simão Vento balançando a cabeça e seguindo o fluxo de pessoas à sua frente.

Ao entrar no salão principal, Simão Vento percebeu que, assim como o seu próprio quarto azul, aquele lugar também era um terminal com diversas salas categorizadas. Escolheu, ao acaso, a sala mais movimentada e só ao adentrar notou o letreiro acima: “Arena”.

Assim que entrou, percebeu que, apesar de ainda ser cedo, o local já estava tomado por uma multidão efervescente, todos vibrando e aplaudindo. Simão Vento, acompanhando o olhar da multidão, viu tratar-se de uma imensa praça central, rodeada por monitores. A maioria deles exibia batalhas entre combatentes, mas no centro da praça havia um gigantesco monitor quadrado, cujas imagens não eram idênticas entre si. No entanto, era o monitor mais próximo de Simão Vento que atraía o maior número de espectadores.

Intrigado, Simão Vento ergueu os olhos e viu que, no grande monitor, duas feras de combate estavam em pleno confronto. Abaixo da tela, apareciam informações resumidas de dois participantes:

Tigre Dominador: Combatente de Nível Cinco, utiliza a Fera de Combate Tigre Soberano de Nível Cinco, com noventa e nove vitórias na arena.

Dragão Fantasma: Combatente de Nível Cinco, utiliza a Fera de Combate Dragão de Duas Cabeças de Nível Seis, com oitenta e sete vitórias, cinco empates e três derrotas.

Pelas informações, parecia que o combatente com o Dragão de Duas Cabeças possuía vantagem, já que sua fera era de um nível superior, o que lhe conferia maior ataque e defesa. Contudo, ouvindo os comentários ao redor, Simão Vento percebeu que a torcida estava do lado do Tigre Dominador, considerado ligeiramente inferior em força.

“Será que desta vez o Tigre Dominador conseguirá cem vitórias consecutivas? Até agora, o recorde máximo na arena foi de noventa e nove vitórias seguidas. Se ele vencer, será um novo recorde!”

“Pois é! Mas você sabe quem é esse Tigre Dominador?”

“Você sabe?”

“Claro! Ouvi dizer que ele faz parte da Liga das Feras de Combate!”

“Ele é da Liga das Feras de Combate?”

“Pois é, você não sabia? Na Liga, o nível mais baixo é o de um combatente de nível quatro. Novatos de nível três, como você, eles nem aceitam!”

“E você é diferente?”

Ouvindo a conversa, Simão Vento entendeu melhor o contexto. Ficou surpreso ao saber que o Tigre Dominador, um combatente de nível cinco, havia conquistado noventa e nove vitórias consecutivas — algo impossível sem força absoluta.

Simão Vento já havia participado de batalhas e assistido a duelos de vida ou morte entre combatentes avançados. Para ser sincero, aquela luta não lhe despertava tanto interesse. Entre os dois, só o Tigre Dominador emanava uma aura levemente assassina, enquanto o Dragão Fantasma exalava pura ostentação. Provavelmente, a maior parte de suas vitórias vinha da vantagem de nível.

De fato, após mais um confronto, o Dragão Fantasma, por não desviar a tempo, foi atingido pela cauda do Tigre Dominador. Se não fosse por utilizar uma fera de nível seis, teria sofrido ferimentos graves, mas a diferença de nível o salvou. Então, uma nuvem de fumaça saiu da boca de uma das cabeças do Dragão de Duas Cabeças, envolvendo-o em um manto escuro.

“O Dragão Fantasma vai usar seu truque final! Desde que aprendeu a Névoa Ilusória, nunca perdeu. Vamos ver se o Tigre Dominador consegue superar este obstáculo.”

“Vai ser difícil. Essa técnica é uma habilidade intermediária exclusiva de feras de nível seis. Mesmo que o Dragão Fantasma não consiga extrair todo o potencial, ainda assim será complicado para o Tigre Dominador romper a névoa.”

“Vamos ver como ele reage!”

O duelo no telão era acompanhado não só pelo público, mas também por comentaristas, tornando-o ainda mais emocionante.

A fumaça negra inicialmente envolveu apenas o Dragão de Duas Cabeças, mas logo se espalhou por toda a arena, até que restavam apenas sombras indistintas à vista dos espectadores.

O Tigre Dominador permaneceu imóvel, como se ainda tentasse se adaptar à névoa.

Quando todos pensavam que o Tigre Dominador seria derrotado, seu braço subitamente foi envolto por uma intensa luz dourada, formando um imenso punho.

Ele bradou: “Punho Soberano do Tigre!” e o golpe desferido atingiu com rapidez algo atrás de si. A arena estremeceu, a névoa se dissipou completamente e, logo atrás do Tigre Dominador, o Dragão Fantasma foi lançado ao longe com um único golpe. O peito do Dragão de Duas Cabeças exibia uma profunda depressão — se fosse no mundo real, o combatente dentro da fera teria morrido na hora. O Dragão Fantasma foi eliminado com apenas um soco e o telão logo mostrou: vitória do Tigre Dominador.

Todos ficaram boquiabertos, mas Simão Vento percebeu que a névoa servia apenas para confundir e permitir um ataque surpresa. Para alguém sensível à intenção assassina, como o Tigre Dominador, a técnica tornava-se ineficaz — talvez por não ter sido usada com todo seu poder.

“O Tigre Dominador é realmente formidável! A Névoa Ilusória de Dragão Fantasma não surtiu efeito algum. Parabéns ao Tigre Dominador por estabelecer um novo recorde: cem vitórias consecutivas!” O comentarista não poupou elogios ao vencedor, embora Dragão Fantasma também tenha sido injustiçado — se tivesse enfrentado o Tigre Dominador de frente, talvez não tivesse sido derrotado tão facilmente.

A energia contagiante da multidão fez o coração de Simão Vento bater mais forte. Ele examinou o controlador em seu pulso e logo entendeu sua função: ali, na arena, servia apenas para inscrever-se em duelos, informando o próprio nível e requisitos para que o sistema escolhesse adversários adequados.

Como não havia perdas reais em caso de derrota, Simão Vento inscreveu-se para lutar contra combatentes de nível quatro a cinco, sem restrição de nível para as feras. Desta vez, escolheu a Pantera Alada — pois o Rato Relâmpago já havia sido visto em público e Simão Vento não queria ser reconhecido.

Logo, o sistema escolheu-lhe um adversário: Máscara, combatente de nível quatro, com a fera de combate Flor Espectro de nível quatro, doze vitórias consecutivas.

Simão Vento observou a estranha fera à sua frente, franzindo o cenho — parecia uma enorme planta. Seria possível uma planta possuir alma de combate? Sem Zizinha por perto, não tinha a quem perguntar.

Enquanto Simão Vento estudava o adversário, Máscara também o observava. Feras vegetais eram raras, mas não desconhecidas. Já feras aladas eram extremamente incomuns, encontradas apenas nas regiões centrais do Domínio das Almas de Combate.

Ao sumir a barreira translúcida entre eles, a luta começou. O primeiro a atacar não foi Simão Vento, mas Máscara. Suas quatro pernas finas pareciam frágeis, mas moviam-se com surpreendente agilidade. Em um instante, estava diante de Simão Vento, e dezenas de cipós chicoteavam-no de todas as direções.

Diante de um ataque tão peculiar, Simão Vento ficou momentaneamente atordoado. Ele só havia treinado com a Pantera Alada, nunca lutado de fato. Felizmente, a pantera era ágil, permitindo-lhe esquivar-se com dificuldade.

“Invisibilidade!” Após escapar, Simão Vento usou imediatamente essa habilidade, desaparecendo no ar. Máscara ficou atônito: percebeu que o adversário, Pantera Alada, não usava ilusão, mas havia realmente sumido.

A habilidade de invisibilidade era comum entre feras de combate, mas Máscara jamais vira alguém utilizá-la com tamanha perfeição. E, enquanto ainda estava perplexo, um forte pressentimento de perigo o envolveu. Antes, só sentira isso ao enfrentar combatentes de nível superior. Agora, um adversário de mesmo nível lhe causava essa sensação, deixando-o ao mesmo tempo chocado e incrédulo.

Máscara concentrou-se ao máximo, sabendo que qualquer erro seria fatal. E, de repente, ouviu um ruído cortante atrás de si; girou rapidamente para o lado.

Apesar da reação, não foi suficientemente rápido para Simão Vento, que, impulsionado pelas habilidades “Vento Rápido” e “Investida”, apareceu atrás de Máscara. As garras de aço da Pantera Alada cravaram-se em suas costas. Embora a Flor Espectro também fosse uma fera de combate físico, sua defesa não era o ponto forte. Com um único golpe, as doze vitórias consecutivas de Máscara chegaram ao fim.

No entanto, o combate entre Simão Vento e Máscara não chamou muita atenção. Foi transmitido em um pequeno monitor num canto da arena por alguns minutos e, com o fim da luta, a tela voltou à escuridão.