Capítulo Onze: Presidente Dos

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 2387 palavras 2026-02-08 14:20:57

— Louquinho, esse troço aí eu acho que nem trinta mil valeria! Pra que você comprou isso? Aquele velho não disse nada, mas todo mundo sabe que isso deve ser um produto fracassado feito por ele e pelo Macaco! — Depois de venderem os quatro itens, o pequeno leilão do Ursão também chegou ao fim. Quando estavam saindo, ainda pensaram em cumprimentar o Macaco, mas não o encontraram do lado de fora. Pelo jeito, depois do que aconteceu, o Macaco não quis dar as caras, e eles também não insistiram. Apenas se despediram do Ursão e deixaram a Casa de Leilões Incomparável.

— Achei que isso é um pouco diferente dos monstros de arena que fazemos lá, então comprei pra dar uma olhada! O dinheiro eu te devolvo depois! — disse Ximen Feng, sorrindo.

— Sem problema, quando tiver, me paga! — respondeu Green, acenando com a mão, sem se importar. Green não tinha medo de Ximen Feng não pagar. Para um mestre de luta de sexto nível, bastava fabricar alguns artefatos espirituais que já teria muito mais do que isso.

— Vamos dar uma volta na arena depois? — Green perguntou novamente. Havia muitos lugares interessantes ao redor da praça. Além das lojas de monstros de luta e de materiais e artefatos espirituais, também havia lojas de roupas variadas. Mas, para eles, mestres de luta, essas coisas não eram muito atrativas.

— Já está tarde. Melhor deixarmos pra outro dia, quando tivermos tempo! — Ximen Feng disse, olhando para o céu. Depois daquele leilão, já estava quase na hora do jantar.

— Ah, é mesmo! Daqui a pouco o instrutor vai nos chamar pra comer. Quase esqueci. Se dermos bolo nele, amanhã estamos ferrados! — Green lembrou-se, então, que Hak havia prometido jantar com eles.

— Vixe! Melhor irmos logo! Aquele instrutor cara de pedra não gosta de esperar! — mal terminou de falar e Yu Wen saltou como um gato com o rabo pisado.

— Vocês se atrasaram um minuto. Amanhã cedo, deem mais dez voltas. — Quando Ximen Feng, Green e os outros chegaram ofegantes à academia, Hak já estava lá, parado. Sem expressão, anunciou o castigo assim que eles se aproximaram.

— Sim, instrutor Hak! — responderam os três, cabisbaixos, resignados.

— Vamos. Vamos ao hotel do outro lado da rua. Peçam o que quiserem, hoje é por minha conta! — depois de repreendê-los, Hak apontou para um prédio altíssimo.

Ao verem para onde Hak apontava, o ânimo de Green e dos outros mudou imediatamente. Eles esperavam que o instrutor os levasse a qualquer restaurante simples, mas, para surpresa deles, Hak os levou ao melhor hotel da Estrela do Canto.

— Ximen Feng, você já tem onde ficar? Se ainda não tiver, pode se hospedar aqui mesmo. Tenho participação nesse hotel, arranjar um quarto é fácil! — sugeriu Hak, após o jantar.

— Não precisa, instrutor Hak. O presidente Dos já arranjou um lugar pra mim. Já aceitei o convite, não quero incomodar! — Ximen Feng ficou surpreso com a oferta, mas como já havia dado sua palavra a Dos, não sabia como recusar ou aceitar sem criar constrangimento.

Os outros ficaram boquiabertos. Jamais imaginariam que Hak teria ligação com aquele hotel luxuoso.

— Bom, se é assim, não vou insistir. Se precisar de algo, é só me procurar! — falou Hak, encarando Ximen Feng.

— Claro! Então, conto com o senhor, instrutor Hak! — respondeu Ximen Feng, respeitoso. Sabia que Hak não fazia aquilo por interesse próprio, mas pelos alunos. Embora o instrutor fosse sempre sério, seu coração não era tão frio quanto seu semblante.

— Feng, você voltou! Eu estava justo indo atrás de você. Seu quarto já está pronto, quer ver se falta alguma coisa? — Depois do jantar, já que Green e os outros retomariam as aulas no dia seguinte, Ximen Feng se despediu e retornou para a Associação dos Mestres de Luta.

— Presidente Dos, o senhor é muito gentil! Não precisa se preocupar, basta ter onde dormir! — Diante de tanta hospitalidade, Ximen Feng sentiu-se até um pouco constrangido.

— Ah, presidente Dos, gostaria de dar uma olhada no laboratório, posso? — perguntou Ximen Feng.

— Mas é claro! O laboratório agora é seu. Venha comigo! — Dos levou Ximen Feng para o interior da associação.

— Feng, o que vai fazer no laboratório agora? Vai fabricar alguma coisa? Se faltar material, é só falar comigo. Não temos muitos materiais raros, mas comuns temos de sobra! — Dos foi conversando enquanto caminhavam.

— Comprei um artefato espiritual hoje. Ele é diferente dos monstros que eu fabrico, então quero analisar como foi feito! — Ximen Feng não escondeu nada.

— Ah! Então você deve ser um mestre de luta tradicional, não? Normalmente, quem estuda artefatos espirituais são aqueles mestres sem tanto talento. Tenho aqui um tratado sobre a fabricação de artefatos espirituais. Se você não se importar, é seu! — O sorriso de Dos se abriu ainda mais. Pelas palavras de Ximen Feng, ele deduziu que o talento do jovem superava até mesmo os mestres da Estrela do Canto. Dos mestres mais avançados de lá, só um de sétimo nível estudava monstros, e até o de oitavo nível se dedicava à fabricação de artefatos espirituais. Isso mostrava como faltavam talentos naquela instituição.

— Muito obrigado, presidente Dos! — Ximen Feng ficou satisfeito. Estava mesmo querendo aprender sobre artefatos espirituais.

— Pode me chamar de Dos, se não se importar! — Dos acenou, sorrindo.

— Se é assim, não vou ser cerimonioso! Dos, você está ocupado agora? Pretendo analisar se o item que comprei pode ser consertado. Se estiver livre, venha comigo ao laboratório. Se eu tiver dúvidas, posso te perguntar! — Ximen Feng falou um pouco sem jeito. Sabia bem por que Dos era tão atencioso: além da Associação, também era por interesse próprio. Afinal, quem convive com um mestre de sexto nível pode romper o próprio limite, algo que Dos buscava há anos no quinto nível.

— Haha! Você é muito gentil, Feng. Já que insiste, aceito o convite! Pode perguntar o que quiser. Não sou especialista em monstros de luta, mas sobre artefatos espirituais, poucos aqui na Estrela do Canto têm tanta experiência quanto eu! — O sorriso de Dos se abriu ainda mais. Seu esforço tinha valido a pena, pois geralmente um mestre de luta não deixaria ninguém entrar em seu laboratório.